Fernanda Maciel revela como chegou ao pódio da MdS

A atleta mineira recapitula os melhores (e mais difíceis) momentos da Marathon des Sables 2017
Fernanda Maciel durante a Marathon des Sables 2017
Partiu Saara © Cimbaly©A360DEGRES_MDS2017
Por Francisco Cremonese / Vitor Borba

O feriado de 21 de abril chegou mais cedo para a ultracorredora Fernanda Maciel. Com uma linda medalha de bronze em mãos, a mineira conquistou a 3ª posição na Marathon des Sables, a Maratona das Areias, nesta última segunda-feira (17).

Considerada a prova de corrida mais difícil do planeta, o percurso de mais de 250 km compreende uma semana de competição pelo Deserto do Saara, equivalente a uma maratona diária, mais uma temível etapa não-cronometrada (porém obrigatória) com mais de 80 km noite adentro.

Com muita garra e determinação, a nossa compatriota se aventurou pela segunda vez nesta grande missão e conquistou seu lugar ao pódio - levando, mais uma vez, o Brasil aos olhos do mundo.

Trocamos uma ideia com a Fernanda Maciel sobre a Marathon des Sables (MDS) 2017 para sabermos um pouco mais sobre suas impressões e desafios. Confira abaixo.

Como foi a MDS 2017?
A MDS deste ano foi difícil e bem disputada por causa do maior número de competidoras femininas que disputam o mundial Ultra Trail World Tour. Houve muita disputa pelo pódio durante cada etapa. Fiquei feliz com o resultado de terceiro lugar, porque correr "atacando" no deserto é perigoso. Tive que administar a falta de comida, condição extrema de calor, as horas corretas para acelerar e não passar dos meus limites. Corri de forma conservadora e inteligente para sobreviver até a linha de chegada ao meio do deserto. Tive muitos hematomas no corpo por conta do peso da mochila (8kg) e bolhas nos pés este ano, mas consegui superar a dor. Foi uma experiência maravilhosa como sempre correr por 7 dias, os 250km no Sahara de forma auto-suficiente, sem telefone, realmente conectada comigo mesma, foi mágico.

Qual foi a parte mais desafiadora da corrida?
A parte mais desafiadora foi durante a primeira etapa. Comecei a passar mal de estômago, não conseguia respirar bem e nem comer. A mochila pesava 8,5 kg. Não corria bem subindo e descendo as dunas, foi um martírio. Pensei em abandonar a prova, mas segui firme até acabar a etapa.

E a parte mais divertida?
Eu amo correr pela noite, e a parte mais prazerosa da prova foi ver a lua cheia (nunca vi uma lua tão grande e dourada!) durante o final da quarta etapa de 86 km. As noites eram mágicas no deserto.

Fernanda Maciel no pódio da Maratona das Areias 2017
Fernanda Maciel (à direita) no pódio da MDS 2017 © Cimbaly©AlexisBerg

Quais foram as principais diferenças entre a MDS 2016 e a MDS 2017?
A MDS 2017 ventou mais, o que fez diminuir a sensação do calor, mesmo que a temperatura variasse entre 48 a 52 graus. Em 2016 não ventava, o calor era realmente insuportável e matador. Este ano levei mais comida e com a experiência do terreno e da mochila fui melhor. Consegui diminuir em 3h meu tempo final de prova em relação a 2016, minha performance realmente melhorou bastante.

O que dizer de Elisabet Barnes e Natalie Mauclair [respectivas medalhistas de ouro e prata], suas rivais?
Barnes é a rainha do deserto, já ganhou esta prova várias vezes e realmente fez uma preparação impecável de 6 meses, com o objetivo de repetir o feito este ano. Barnes não compete o circuito mundial UTWT, porque ela foca em provas do deserto. Mauclair é a campeã mundial de corrida em montanha atualmente e notamos quando subimos ao seu lado as dunas, ela tem uma força e velocidade incríveis nas pernas. Agora a disputa futura fica entre eu e Mauclair, torçam por mim.

O que significou terminar a MDS para você?
Terminar esta prova significa uma vitória e um sonho. Sempre ouvi falar desde pequena da MDS e sabia que um dia poderia corrê-la. É a única prova que me faz chorar de dor e prazer em cruzar cada etapa diária.

Quais são os próximos passos agora?
O próximo passo para o circuito mundial será correr a Ultra Trail du Mont Blanc (UTMB), porque dentro do circuito a MDS e a UTMB são as únicas duas provas que dão o máximo de pontos. Minha estratégia é chegar bem preparada para dar o meu melhor na UTMB, que acontece no dia 1º de setembro. Minhas chances são fantásticas, mas sei que a briga será muito grande.

Qual é a sua mensagem para os fãs que a acompanham?

Corram comigo, vocês me dão forças para trazer nossa bandeira para o alto  

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