Henrique Avancini busca o título do Cape Epic 2017

Colunista do RedBull.com fala sobre seu grande compromisso da temporada: Cape é mais do que uma meta
Cape Epic 2017 Coluna Avancini coletiva
Cape Epic: coletiva de imprensa © Michelle Mondini
Por Henrique Avancini

O atleta Henrique Avancini - considerado um dos melhores ciclistas da América Latina na modalidade mountain bike cross country - passa a expor os bastidores de competições internacionais, sua perspectiva, bastidores, curiosidades, histórias e um olhar diferente sobre o universo do MTB. O colunista do RedBull.com/Bike conta abaixo os detalhes sobre seu grande objetivo de 2017: Absa Cape Epic, a ultramaratona de mountain bike de 8 dias na África, também conhecido como o Tour de France do mountain bike. 

Confira!

Cape Epic 2017 Coluna Avancini
Alto astral na equipe CFR © Michelle Mondini

O Cape Epic está bem na esquina e para mim vai além de um grande compromisso do ano. É um objetivo que busco há muitos anos.

A competição se tornou a mais importante para muitas equipes, e muitas delas fazem a maior parte do investimento anual baseado na Cape Epic.

 

Largar fazendo parte de uma grande equipe e com um bom parceiro é uma grande missão.

H. Avancini

Em 2016 tive a oportunidade de competir a prova pela primeira vez. Fiquei mais do que feliz com a oportunidade. Obviamente competir a prova em si não é uma grande problema, mas largar fazendo parte de uma grande equipe e com um bom parceiro é uma grande missão.

Na temporada passada tivemos o objetivo de usar a competição como preparação chave para o restante da temporada. O objetivo era fazer uma corrida eficiente na maioria das etapas, sem perder muito tempo e atacar alguns dias específicos para tentar uma vitória em etapa e sair com um bom resultado na classificação geral.

Começamos a corrida, sem muito entrosamento. Eu estava numa forma muito boa e um pouco mais rápido do que o Manuel Fumic. Acabei andando de maneira agressiva demais nos dois primeiros dias, o que gerou um desequilíbrio na nossa constância dentro da corrida, além de contribuir para termos dois furos de pneus.

Após os dos primeiros dias, quando estávamos em 10º lugar na classificação geral, começamos a encontrar um bom entrosamento e a usar as qualidades que cada um tinha no momento para fazermos a dupla andar rápido de um jeito harmonioso.

Ao longo dos 8 dias, só crescemos até que no penúltimo dia fizemos uma grande prova ficando em 2º lugar na etapa e nesse momento já éramos 4º na classificação geral.

No último dia, a constância e eficiência finalmente surtiram o efeito desejado e vencemos a etapa final, e tiramos muito tempo na Classificação Geral, terminado a menos de 40 segundos do pódio.

Tiramos algumas lições de 2016 e definimos a prova como um grande objetivo para o ano.

Cape Epic 2017 Coluna Avancini
Vitória na última etapa da Cape Epic 2016 © Michelle Mondini

Manuel Fumic, é um dos melhores pilotos do mundo, especialmente em “blind riding” (trilhas desconhecidas). Eu possuo duas qualidades importantes para a prova: velocidade em trechos rolados e uma excelente recuperação dia após dia.

 

Cape Epic 2017 Coluna Avancini
Avancini e Fumic no alto do pódio no Cape 2016 © Michelle Mondini

O que mudou para 2017?

Quando renegociei meu contrato com a equipe, expus que gostaria de seguir com o time, mas que competir a Cape Epic era um objetivo primordial e que eu buscaria isso em outro time, caso não se encaixasse com os objetivos da CFR.

Finalmente, conseguimos entrar em acordo e pude seguir na equipe dos meus sonhos. Novamente largo ao lado do alemão Manuel Fumic, estrela do circuito mundial e que nesse ano chega para a prova com um nível de preparação bem avançado.

Chegamos uma semana antes do início da Cape Epic para mais alguns treinos e alinharmos tudo da melhor maneira possível.O start list é de impressionar. 8 equipes são consideradas em condições de ganhar o título geral.

Passamos duas semanas juntos na África do Sul em janeiro e chegamos uma semana antes do início da Cape Epic para mais alguns treinos e alinharmos tudo da melhor maneira possível.

O start list é de impressionar. 8 equipes são consideradas em condições de ganhar o título geral. Competiremos “sozinhos”, sem suporte de uma equipe back up, ao contrário da maioria das equipes favoritas: Bulls (2 equipes), Specialized (3), Topeak-Ergon (2), Centurium Vaude (2), Trek-San Marco (2), dentre outras...

Se isso pode ser uma desvantagem, ao nosso lado vejo um bom mix de qualidades e ainda assim com bom equilíbrio. O Manuel Fumic, é um dos melhores pilotos do mundo, especialmente em “blind riding” (trilhas desconhecidas). A velocidade de leitura dele em criar linhas é incrível.

Além disso, quando ele está na forma que está, é um piloto extremamente veloz em acelerações lançadas. Eu possuo duas qualidades importantes para a prova: velocidade em trechos rolados e uma excelente recuperação dia após dia.

Juntos temos uma boa combinação de qualidades para lançar ataques estratégicos e manter o ritmo alto em caso de separação do pelotão.

Cape Epic 2017 Coluna Avancini
Elite do MTB mundial em ação no Cape Epic © Michelle Mondini

Qual a meta para 2017?

Terminar com uma vitória em etapa e tão próximo do pódio foi um grande resultado, porém conseguimos isso com outra postura.

Nesse ano assumiremos uma postura mais agressiva ao longo dos 8 dias. Temos um plano para qual momento da corrida iremos investir mais, porém é uma prova que envolve muitas variáveis e estar pronto para lidar com as adversidades é o fator mais decisivo.

Um grande jornada pela frente e sem dúvidas muita coisa acontecerá ao longo dos quase 700km e 16.000m de ascensão acumulada.

Cape Epic 2017 Coluna Avancini
Vitória em etapa do "Tour de France" do MTB © Michelle Mondini
Relacionado
Henrique Avancini
read more about
Next Story