As diferenças entre os carros de rua e do WRC

Não se deixe enganar por nome ou aparência; os carros do Mundial de Rally são feras de outro planeta
Ford Fiesta acelerando na terra
O que colocaram na mamadeira desse Fiesta? © Red Bull Content Pool
Por Tiago Mendonça

Se você já assistiu alguma prova do Mundial de Rally, campeonato exibido regularmente pela Red Bull TV, pode ter se surpreendido ao ver modelos compactos como Ford Fiesta, Hyundai i20, Citröen C3 e Toyota Yaris barbarizando em estradas bem maltratadas, cobertas de cascalho ou neve.

Bem, estamos diante do típico caso de “não tente fazer isso em casa”.

É evidente que, em suas versões de rua, projetadas para a vida urbana, esses modelos não estão preparados para enfrentar condições extremas. Então, que mágica é essa? A resposta para esta pergunta está logo na primeira linha do site oficial da categoria.

“Embora [os modelos do WRC] sejam baseados em suas versões de rua e tenham o visual do carro que você compra nas concessionárias, as semelhanças param por aí”.

Pois é. Os carros do WRC tomam por base o estilo dos automóveis que a gente vê todos os dias, parados no farol. Mas por baixo da carenagem eles são máquinas desenhadas do zero, construídas especificamente para competição. Lobo em pele de cordeiro? É, você não está errado se quiser usar essa definição.

É um carro tão preparado para corrida que, pelo menos nesse sentido, está muito mais próximo de um Fórmula 1 do que de um modelo de rua.

Fiesta acelerando à noite
O WRC é a Fórmula 1 do mundo off-road © Red Bull Content Pool

Pra começar, imagine que o Ford Fiesta WRC do tetracampeão Sébastien Ogier é equipado com um motor 1.6 turbo EcoBoost, original da marca, mas capaz de entregar 385 CV. Pode rodar à vontade pelas lojas da montadora que você não vai encontrar um igual.

É que o espírito da competição, e o próprio regulamento técnico, permitem que as fabricantes explorem todo o potencial de desenvolvimento. Isso inclui um chassi e um motor específicos para corrida, além de diversos outros componentes que podem e devem ser mais leves e mais resistentes do que aqueles utilizados no modelo de rua.

Só para que você tenha uma base, o motor de um Ford Fiesta ST 1.6 turbo, carro mais esportivo da linha, tem cerca de 200 CV.

Agora, quer saber o que é mais legal em relação aos carros do WRC? É que apesar de tratar-se de um modelo de competição, você também pode dirigir um desses na rua, sem que ninguém te chame de irresponsável ou milhares de viaturas apareçam no seu retrovisor de sirene ligada. Isso acontece porque, além da parceria com as equipes oficiais, as montadoras geralmente atendem clientes interessados em adquirir seus carros para competição.

E uma vez que você tenha o carro, pode muito bem sair dirigindo pelas ruas da cidade (especialmente na Europa, onde eles são registrados), desde que respeitando os limites de velocidade e regras de trânsito. É que como todo carro de rali, os modelos do WRC precisam se deslocar para os pontos remotos onde são realizadas as especiais. E pra chegar lá eles usam estradas normais, circulando entre os carros mesmo. Por isso, precisam estar emplacados e com os impostos em dia com as autoridades de trânsito. Surreal, né?

Mas controle essa animação porque o custo de produção de um carro do WRC fica na casa de ‎£ 500 mil (R$ 2 milhões). Um cheque meio alto pra ser assinado assim, em tempos de crise.

Carro do WRC no trânsito do México
Aqui de boas pegando trânsito no meu WRC © Red Bull Content Pool

Voltando a falar do Ford Fiesta WRC, ele foi projetado, desenvolvido e construído pela Ford em parceria com a equipe britânica M-Sport, chefiada pelo ex-piloto Malcolm Wilson.

Mais de 95% do carro foi desenhado do zero, para que nossa equipe pudesse construir o melhor automóvel possível. Nenhum centavo foi economizado e a gente começou 2017 com um único objetivo em mente, que era voltar ao topo do pódio.

Malcolm Wilson, chefe da equipe M-Sport

Especificamente para este ano, havia grande pressão sobre este projeto.

Primeiro, por causa das novas regras, que tornaram os carros do WRC mais rápidos, mais potentes, mais leves e mais eficientes na parte aerodinâmica. Era preciso mesmo investir cada centavo, como disse Malcolm Wilson. Depois, porque a equipe e a Ford conseguiram recrutar o melhor piloto à disposição no mercado: Sébastien Ogier, que ficou a pé depois que a Volkswagen decidiu deixar o Mundial de Rally no ano passado.

Ogier fez dois testes para decidir o que ia fazer da vida. Treinou de Ford Fiesta no País de Gales e de Toyota Yaris na Espanha. Acabou optando pelo Fiesta.

E a escolha mostrou-se acertada logo na primeira etapa, quando Ogier ganhou o Rally de Monte Carlo, na estreia dele pela marca e pela equipe. A Ford não vencia havia mais de quatro anos (a última vez fora no Rally do País de Gales, em setembro de 2012).

Mas para concluirmos o tema que deu origem à matéria: então quer dizer que não há nenhuma troca entre os carros do WRC e os modelos de rua? Calma, também não é pra tanto. Como todas as grandes competições (Fórmula 1 inclusive), o WRC serve como plataforma de desenvolvimento de alta performance e durabilidade de componentes que podem, um dia, fazer parte do carro de rua.

Veja o Mundial de Rally na Red Bull TV

A Red Bull TV exibe todas as etapas do WRC. Um programa especial traz um resumo diário de meia hora, incluindo as imagens mais espetaculares, as tretas, as informações de bastidores e as entrevistas dos pilotos. A cereja do bolo é a exibição de uma especial ao vivo aos sábados, durante 1h30. Você pode acompanhar tudo isso clicando aqui.

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