Qual é o futuro do motocross freestyle?

Descubra o que os entendidos pensam para os próximos anos do FMX
Por Equipe Red Bull

O motocross freestyle nasceu nos anos 1990 e, se olharmos lá atrás, veremos que este esporte já progrediu muito mais do que qualquer um previa. Agora, com 20 anos de trajetória, esta modalidade mostra que, apesar de seus altos e baixos, nunca deixou de evoluir.

Uma breve história do FMX

Quando os truques nas manobras se tornaram muito “mundanos” para os motoqueiros mais selvagens – que se cansavam de estar todos os dias dando voltas em suas pistas se preparando para as batalhas mais duras do motocross e supercross – o surgimento do backflip mudou tudo ao abrir novas portas para a evolução deste esporte. Os truques antigos, que eram feitos em pé, podiam ser feitos agora de cabeça para baixo. E depois que a combinação mais complicada ficou 'baba' para muitos pilotos da elite do motocross freestyle, veio o duplo backflip, que levou a modalidade a outro nível de complexidade e ficou claro que nenhum piloto conseguiria se destacar sem um repertório de combinações de backflip.

Alguns pilotos até decidiram tomar um rumo diferente ao se concentrarem apenas no freeride, para manter seus patrocinadores e assim mostrarem movimentos incríveis nos lugares mais surreais do mundo. Enquanto este grupo de artistas de estilo livre conquistava a gama do freeride e se dedicava a fazer os truques clássicos de uma maneira cada vez mais magnífica, a maioria dos pilotos do motocross freestyle tentava a sorte participando dos maiores eventos do mundo, como uma forma de ganhar a vida. Outros, se dedicavam a espetáculos e exibições apenas para ganharem o pão de cada dia e também mostrarem sua habilidade. Estes achavam que não tinham repertório suficiente para participar, em condições equivalentes, das maiores competições da modalidade.

Multidão no Red Bull X-Fighters de Madri
Multidão no Red Bull X-Fighters de Madri © Sebastian Marko/Red Bull Content Pool

Como os grandes eventos influenciaram o esporte

Enquanto o Red Bull X-Games pôde contar algumas vezes com o motocross freestyle, o campeonato Night of the JUMP foi uma amostra competitiva para os pilotos na última década. O objetivo para qualquer piloto desta modalidade, com o mínimo de ambição, era vencer em um destes grandes eventos, mas com a redução no número de etapas nos últimos anos, a pergunta que não quer calar é:

Qual o futuro do FMX?

No último ano, as maiores competições tentaram fazer uma reviravolta neste esporte ao mudar alguns aspectos em seu formato ou até o próprio evento no total. As rampas mecânicas fizeram sucesso em alguns destes grandes eventos, permitindo a um piloto qualquer executar truques majestosos em cada rodada, enquanto outras competições se recusaram a utilizar este tipo de rampa. Pensando na segurança, airbags foram introduzidos para aqueles pilotos mais malucos.

Como era de se esperar, a inclusão destes novos elementos causou mais de uma discussão. A seguir, você vai ver declarações com opiniões diferentes de pilotos considerados referência nesse esporte.

O salto de Robbie Maddison no Corinth Canal
O salto de Robbie Maddison no Corinth Canal © Predrag Vuckovic/Red Bull Content Pool

Será que toda essa tinta completa um quadro?

Como podemos descrever a direção tomada por pessoas como Ronnie Renner, dono do Recorde Mundial de Quarterpipes, ou temerários como Robbie Maddison, que mostra a cara às vezes?

Estes pilotos têm um enfoque totalmente diferente do esporte, como já visto por seus projetos diferentes realizados no ano passado. Ambos fascinam o público do motocross freestyle e atraem a atenção a esta modalidade de uma maneira completamente diferente.

Vamos ver o que alguns pilotos importantes acham deste esporte, assim como pessoas diferentes que também estão envolvidas. O que pensam sobre o futuro do motocross freestyle? A partir daí, dá para ter uma ideia de como estão as coisas. E se quiser, pode dar sua opinião em nossa página.

Tom Pagès nos pits do Red Bull X-Fighters
Tom Pagès nos pits do Red Bull X-Fighters © Joerg Mitter/Red Bull Content Pool

Tom Pagès, o inovador do FMX, prevê o seguinte:

“Acho que a evolução do motocross freestyle se dará através das motos e do tipo de rampa. Os pilotos trabalharão mais em suas motos para que elas tenham melhor desempenho. Imagino que também as áreas de aterrissagem vão passar por uma evolução. No futuro, será possível vermos aterrissagens suaves como a do estilo colchão, já vista em algumas competições. Se as aterrisagens ficarem mais suaves, com os airbags, por exemplo, os pilotos poderão voar mais alto e tentar truques mais complexos. Se tivermos mais segurança nas aterrissagens, é possível que um piloto possa acrescentar elementos adicionais de risco em seus truques. Para isso, as rampas também terão de ser maiores, permitindo que os pilotos voem mais alto, muito mais que agora. Os truques terão mais rotações em todas as direções: para frente, para os lados, girando 720 graus...

No futuro, terei a sorte de não estar aqui, pois o esporte vai ter virado uma loucura ainda maior que agora (risos). Se eu tivesse uma resposta sobre o futuro, não iria esconder. Colocaria em prática agora mesmo”.

Martin Koren mostrando como faz um backflip no Chile
Martin Koren mostrando como faz um backflip © Juan Luis De Heeckeren/Red Bull Content Pool

Martin Koren fez de tudo: participou dos maiores eventos, do Red Bull X-Fighters em mais de 25 países e sabe como fazer truques fenomenais em espaços abertos. Veja o que ele pensa:

“O FMX sempre teve duas caras: o entretenimento e a competição. Cada uma delas se desenvolveu continuamente. A turnê esportiva Nitro Citrus, aquela que Travis Pastrana viaja com seus amigos pelo mundo praticando esportes radicais, abriu uma nova porta para o futuro do motocross freestyle. Esse espetáculo é o que tem mais fama, em geral. Este tipo de evento se distanciou do esporte e é um tipo de entretenimento puro, no qual se colocam rampas novas no meio do espetáculo para que os pilotos façam os truques mais insanos. O público em geral não tem interesse em como se faz um frontflip. Apenas quer se distrair com aqueles combos de movimentos e isso é totalmente compreensível. Quanto à competição, os meios esportivos sempre querem dar resultados. O fã mais teimoso vai querer sempre um campeão no final do ano, para saber quem é o melhor dos melhores. Para que a competição mantenha sua essência, as pistas devem se manter mais próximas às raízes do esporte, com rampas padronizadas, que incluam as de terra, claro. A priori, isso é chato, mas é o que tem mantido a maioria dos esportes olímpicos vivos. Você não pode ter um vencedor real quando existe um obstáculo no traçado que favorece a um atleta em particular, em uma competição de verdade. O sistema de pontos de todos os eventos tem que ser revisado continuamente, que é algo que deve fazer com que os resultados sejam mais transparentes, tanto para os pilotos como para o público. Os novos processadores Intel que estão sendo testados, e que foram introduzidos no último Red Bull X-Fighters de Madri, poderiam ser a chave disso”.

Clinton Moore comemorands seu Red Bull X-Fighters em Abu Dhabi
Clinton Moore comemorando seu Red Bull X-Fighters © Joerg Mitter/Red Bull Content Pool

O campeão do Red Bull X-Fighters de 2015, Clinton Moore, acha que os truques serão mais complexos, mas que as inovações como as rampas móveis e as motos muito modificadas irão contra a habilidade dos melhores pilotos.

“Começaremos a ver mais algumas invenções, como os estribos ou o guidão. As motos, progressivamente, receberão mais e mais modificações, e serão muito mais leves, para que uma determinada série de truques possa ser executada”, assegura Moore. “Assim mesmo, acho que tudo isso aumentará o risco do esporte, pois aparecerão novas combinações de estilo ‘tudo ou nada’. É possível que tenhamos que acabar utilizando colchões de espuma que se usam em outras categorias para diminuir o risco de uma má aterrissagem. O FMX tem um grande potencial para crer no bom sentido, mas precisaremos que todo mundo, organizadores e atletas, sigam na mesma direção. Assim que a tecnologia começar a melhorar, é provável começarmos a ver pilotos com motos elétricas, sei lá! Tudo isso são apenas hipóteses, mas insisto que devemos pensar em tudo de forma racional e com calma”.

Sebastian Wolter em sua garagem
Sebastian Wolter em sua garagem © bustywolter.com

Piloto das antigas do FMX e agora redator-chefe da publicação Dirtbiker Mag, participante do Red Bull Romaniacs e motoqueiro veterano, Busty Wolter está emocionado com a quantidade de opções para evoluir que tem atualmente o FMX.

“O futuro do FMX será emocionante. Faço parte disso desde o início. O caso é que, como acontece em todo o esporte de ação, existem esses pilotos criativos que passam muitas horas trabalhando para fazer com que suas ideias se tornem realidade. Em seu momento, tivemos o backflip, logo as combinações de backflip e gente como Tom Pagès tem revitalizado este tipo de rampa que é o quarterpipe. Portanto, mesmo que eu não seja capaz de te falar o que vai ser no futuro, quanto aos truques, estou convencido de que os pilotos e o nível de pilotagem continuarão progredindo. Hoje em dia, os pilotos se movem em uma linha muito fina onde o perigo é cada vez maior, a técnica dos truques é mais complicada e a progressão é um pouquinho mais lenta. Mas considero que, neste momento, temos o melhor nível de pilotagem da história. Quanto às rampas móveis, tenho uma opinião clara: não gosto delas e particularmente, espero que não sejam mais vistas nas competições. De todos os pilotos que tentaram completar um frontflip, apenas um teve êxito, Jackson Strong. Mas se você traz uma rampa mecânica, vai parecer que todos podem fazer um frontflip sem problemas, ou até combinações mais complicadas. Acho legal que tragam novos tipos de rampas para que novos truques sejam possíveis. Mas, para uma competição, as dimensões de uma rampa devem ser coerentes para todos os pilotos, pois assim todos terão a mesma chance, nas mesmas condições, para provar suas perícias nela”.

Brian McCarthy decolando em Pala Quarter
Brian McCarthy decolando em Pala Quarter © schran.net

Brian McCarthy é um dos representantes de um novo grupo de pilotos que está prestes a decolar em breve. De alguma forma, ele representa todo o clássico do FMX: sua habilidade vem do motocross mais clássico e ele quer levar este esporte a um novo nível, mesmo que não conte com um patrocinador atualmente.

“Agora mesmo, tudo está crescendo muito a níveis inesperados. Nos últimos cinco anos, temos visto a erupção dos Body Varials e de outros truques mais progressivos. Portanto, se a evolução continuar, o risco também vai aumentar. Ainda há muito o que fazer quanto a evolução das motos e das rampas, para que tudo continue crescendo. Acho que o esporte vai seguir o rumo que o BMX tomou há um tempo. Você tem três tipos de pilotos: os técnicos, os que fluem e os que saltam alto e que conseguem fazer em qualquer lugar, não importa se é em solo natural, artificial. Particularmente, estou entre um piloto técnico e um de grandes saltos. As duas características se encaixam com meu estilo. Seguir dois desses três caminhos significa que tenho que trabalhar em duas coisas ao mesmo tempo, o que estou fazendo agora para me preparar para o futuro”.

Matt McCall com Danny Way e Brian McCarthy
Matt McCall com Danny Way e Brian McCarthy © schran.net

Matt McCall, da empresa TrickFactory Ramps, construiu a maioria das rampas que todo mundo vê nos grandes eventos e esteve envolvido quase em todos os projetos mais ousados sobre duas rodas. Depois de 20 anos sendo o pioneiro na evolução das rampas, pode ter certeza que este cara sabe do que fala.

“Construí um monte de rampas tradicionais, umas um pouco estranhas, umas experimentais e algumas únicas. Ultimamente, a rampa mecânica que permite fazer o frontflip se incluiu nesta lista. Para mim, os eventos que a utilizam, são exibições. Uma pista só com rampas clássicas, sem partes mecânicas móveis, são de uma competição, não de uma exibição. Inclusive, é estranho dizer, sendo um fabricante de rampas, mas meu coração está freeriding, em fazer truques grandes nas colinas e em espaços abertos e naturais. Adoro o espetáculo e a sincronia que alguns desses pilotos têm em pleno salto, mas também gostaria de ver mais evolução na área, digamos, competitiva deste esporte. Quero vê-los aí fora quebrando barreiras, trabalhando para melhorar e curtir com seus amigos, enquanto este esporte cresce”.

read more about
Next Story