Noite

Hábitos Noturnos: Rodrigo Bento

Convidamos o DJ Rodrigo Bento para inaugurar nossa nova seção sobre a noite e suas aventuras
Escrito por Isabela Talamini
4 min de leituraPublished on
Rodrigo Bendo no Red Bull Station, em São Paulo

Rodrigo Bendo no Red Bull Station, em São Paulo

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Ah, a noite. Essa realidade paralela que nos atrai para as mais diversas aventuras. Pensando nela, inauguramos hoje a seção Hábitos Noturnos, onde vamos trocar uma ideia com gente que faz, conhecer bastidores, saber histórias e dar risadas. Para a primeira edição, convidamos o DJ e promoter Rodrigo Bento, da Pilantragi. Se liga no nosso papo.

Rolês Transcendentais com Rodrigo Bento

Após trabalhar anos como jornalista e assessor de imprensa, Rodrigo Bento entrou em um processo de autodescobrimento e resolveu largar tudo para seguir seus instintos. Hoje, ele comanda a Pilantragi, um projeto com festas semanais, exposições artísticas e até um bloco de carnaval - todos inspirados por manifestações culturais brasileiras, com temas que vão da música à religião. Batemos um papo com Bento no Red Bull Station, em São Paulo, onde ele contou pra gente algumas de suas aventuras mais loucas ao redor do Brasil.

Boteco na Pompeia, Iemanjá e um bloco de carnaval

“Comecei a Pilantragi no meu aniversário de 30 anos. A festa vai fazer 3 anos em setembro. Um dia acabei indo num bar chamado Bebo Sim, um lugar pequeno na Pompeia. Era dia de Iemanjá. Assim que entrei lá e vi aquela galera de chinelo, bermuda, cantando música brasileira, eu percebi que aquele era o lugar que eu queria estar. Um lugar que eu possa ir do jeito que eu quiser, onde eu me sinto em casa, onde eu vejo as pessoas felizes. Dali em diante eu não parei mais. Entre outros eventos organizei o Bloco Pilantragi, que já sai há três anos no carnaval de rua de São Paulo. O primeiro teve 1500 pessoas. No segundo, foram 15 mil pessoas".

After na Chapada dos Veadeiros

“Na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, tem um festival que acontece em julho. É um encontro de culturas que acontece no vilarejo de São Jorge, na entrada do Parque. Toda a galera hippie, os artistas, os músicos, vão pra lá nessa época. No ano passado teve concerto de graça do Naná Vasconcellos. Desde que eu comecei a Pilantragi, eu faço edições durante esse festival. Todos os dias tem shows, oficinas e a galera fica lá no chão de terra. É bem roots. No final eu faço uma festa de graça pra todo mundo.”
Rodrigo Bento

Rodrigo Bento

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Transgressões amazônicas

"Em uma dessas festas na Chapada eu conheci a Renata, que tinha uma amiga, a Adhara, que fazia um rolê de barco na Amazônia. O pai dela é fundador da Ong Saúde & Alegria e ela cresceu acompanhando o pai nas trips pelos rios levando ativistas e diversos tipos de assistência às comunidades locais ribeirinhas e aldeias amazônicas. Com tanta influência, ela começou a levar grupos de amigos para vivenciar a cultura local. Deu certo e no ano passado eu fui o DJ da trip que acontece em barcos. São dias subindo os rios, entre eles o Arapiuns e Tapajós. Nas viagens vão cerca de cem pessoas, todo mundo dorme nas redes, rola um rango regional, visitas as aldeias, entre outras atividades. O barco sempre atraca em praias brancas paradisíacas. Sempre no pôr do sol eu tocava sons mais transcendentais. A noite fazíamos pequenas festas também com som ao vivo, projeções. Esse ano vou novamente para lá. A propósito, o som transcendental faz parte de uma pesquisa para um novo projeto, a Skamboo. Será uma festa diurna só com sons de baixo bpm, mantras e outras psicodelias. A idéia é fazer um picnic, aulas de Yoga, pintura, coisas assim".

Pilantragi: música e rituais religiosos

“Nosso bloco sai em homenagem à Iemanjá. Pela terceira vez fazemos essa homenagem. Esse ano eu fui direto para os festejos em Salvador acompanhar a festa de lá. Fiquei muito surpreso e feliz. A cultura negra é rica e maravilhosa. Sempre que posso faço alusão ao que acredito. Na Pilantragi, por exemplo, monto um altar na mesa do DJ. É como um ritual que me conecta a quem eu sou e ao que acredito. A música é um canal de transformação. A música é espiritual. Meu trampo com música me transformou e transforma outras pessoas também. Tem histórias muito incríveis de pessoas que se conheceram na festa e agora vão casar. Vou tocar no casamento deles, inclusive, e fazer a cenografia também. Outro dia uma pessoa me contou que perdeu uma pessoa querida e que a minha maneira de lidar com a música mudou a vida delas para melhor naquele momento. Meu lance não é técnica, é como você vai tocar as pessoas. A experiência pode ser pelo groove, pela poesia. Como você vai contar uma história? Como vc vai tocar um forró e depois um samba rock, sem quebrar a pista? Acho que a intuição ajuda muito".