O guerreiro da Amazônia: Maikon Quaresma

Um dos maiores nomes da região norte estrela vídeo explorando picos impressionantes da Amazônia
Maikon Quaresma e seu Mayday em Manaus
Maikon Quaresma e seu Mayday em Manaus © Matheus Carvalho
Por Marcos Hiroshi

Falar da Amazônia é falar do Brasil, de nossa vasta riqueza natural, de nossa forte e diversificada cultura. E falar sobre o skate do norte do país é falar de uma cena guerreira, formada de skatistas raçudos, que enfrentam picos difíceis e um clima implacável para fazerem o que mais gostam. Por isso temos o orgulho de apresentar aqui um desses grandes guerreiros, Maikon Quaresma, 25 anos, também conhecido como “BK”, é um dos principais nomes do skate do norte do Brasil na atualidade e acaba de lançar sua nova vídeo-part, a bombástica “Amazônida”.

“Filmamos em cidades dos estados do Norte do país, como Manaus e Coari, no Amazonas, e Santarém e Belém, no Pará, e isso enriquece o cenário local. Cria uma vontade em outros skatistas daqui em apostar no regionalismo e mostrar como realmente somos, o que escutamos e consumimos”, explicou Maikon.
 

- Amazônida, com Maikon Quaresma:

Picos difíceis, muito chão ruim, corrimãos monstruosos, Maikon apresenta um skate de altíssimo nível em picos por onde muitos skatistas nem chegariam perto. Aproveitamos a ocasião deste lançamento para conversar com o maior representante do skate do manauara na atualidade para saber as dificuldades de se filmar e andar de skate no norte do país e sobre a importância da valorização da cena local.

Nome: Maikon Quaresma “BK”
Idade: 25 anos
Tempo de skate: 17 anos
De onde é: Manaus, Amazonas
Patrocínio: Ulyck 86, Fakie Skateboard, Odisséia Skateboard. Apoio: El Barbeiro

Como surgiu a ideia de produzir o Amazônida, e de onde veio esse título?
Amazônida é como a gente chama a vivência do skate do norte, onde é difícil, longe das grandes mídias, mas que está se fortalecendo cada vez mais. E a ideia do vídeo veio dessa carência do norte, de não ter pessoas para representar o skate no nosso pólo. Essa é ideia, fortalecer o skate do norte do país, mostrando que tem muito skateboard também.

Maikon Quaresma em ação dentro de barco em Manaus
Maikon Quaresma em ação dentro de barco em Manaus © Matheus Carvalho

Quanto tempo levou para fazer o vídeo e por quais cidades passou para filmar?
O vídeo levou três anos e foram feitas imagens em quase todo o Brasil, menos no sul, a maioria das imagens são no norte, muitos municípios do Amazonas e também teve Belém do Pará, Santarém, Brasília, São Paulo, Coari,... acho que é isso. Mas a maioria é em Manaus, inclusive as músicas são de artistas amazonenses.
 

Como é andar nos picos de rua de Manaus em comparação a outras cidades, como São Paulo?
Cara, totalmente diferente. Além dos picos não serem feitos para andar de skate, e a região norte possuir aqueles espaços históricos, os lugares são bem rústicos para se andar, como as calçadas o chão... também tem a temperatura ambiente, que no norte é bem mais quente, então cansa bem mais. A região norte é bem difícil de andar, e isso reflete nos skatistas. A gente tem um gás a mais, tanto quando eu estava em São Paulo o pessoal perguntava como eu não me cansava e eu dizia que é por causa do nosso clima em Manaus, por causa do chão que é difícil de remar,... por todas essas adversidades que a gente enfrenta na região norte.

Maikon Quaresma em Sampa na filmgens
Maikon Quaresma em Sampa na filmgens © Matheus Carvalho

Você morou em São Paulo por quanto tempo? Como foi essa temporada em São Paulo?
Aprendizado total. Morei aproximadamente por dois anos e meio. Fui para ficar quatro meses focado em andar de skate, achei que iria fazer milagre, mas é bem mais difícil do que a gente espera. Teve muitas pessoas que me ajudaram como o Bruno da SAM Skateshop, o Vitor Sagaz também me ajudou muito, o (Rafael) Finha também me levou em muitos picos, andei muito na Prafinha e na Espraiada, além disso tem muitas outras pessoas que até hoje me ajudam nessa caminhada do skateboard. Acho que todos tem uma história de que foram ajudados dentro do skate.
 

Picos com o chão ruim na entrada e na volta das manobras, corrimão sem saída, rampas bem rústicas... Além de vencer picos bem difíceis você também andou em lugares inéditos, nunca antes explorados. Quais foram os mais difíceis deste vídeo e por que?
Teve vários picos que eu achava que seriam fáceis de andar e eram muito difíceis. Acho que o feeble no corrimão no final da vídeo-part foi o mais difícil. Não tinha entrada nem saída, era torto no final, então tivemos que fazer uma adaptação para descer esse corrimão, fizemos um caminho com cinco compensados com pedras embaixo e cortamos o final do corrimão que jogava para baixo, no final deu tudo certo, consegui descer e a imagem ficou bem legal.

Maikon Quaresma nas filmagens de Amazônida
Maikon Quaresma nas filmagens de Amazônida © Matheus Carvalho

Qual a importância de filmar em picos da região norte do Brasil?
É mostrar que o skate também vive aqui. Que o skateboard vive na região norte. Já temos marcas locais, tem a cena do skate no Pará... então estamos mostrando que tem skate de nível, que tem skatistas que podem se profissionalizar em nossa própria região... tem skateboard para isso.
 

Projetos para 2017?
Andar ainda mais de skate, tentar me profissionalizar logo mais, pois o skate é uma coisa que eu amo. Vou continuar de qualquer maneira, mas estou com o projeto de me profissionalizar sim pois o skate do norte precisa disso, precisa de um representante nativo, do Amazonas e vai ter.

Maikon Quaresma em casa, Amazonas
Maikon Quaresma em casa, Amazonas © Matheus Carvalho

Qual é o seu maior sonho no skate?
Poder viver do skate. Ser um skatista profissional do norte!
 

Mensagem final?
Obrigado a todos que fortaleceram todos esses anos nessa correria do vídeo. Quero agradecer ao Ulysses Athayde e ao Wesley que editaram o vídeo, obrigado também ao Mateus Carvalho que fotografou quase todas as sessões para o vídeo.
 

Sem diversão no skate não é skate. Skate é diversão!

Maikon Quaresma
read more about
Next Story