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Imagina se você pudesse fazer só coisas que você gosta. Isso já acontece? Então tente imaginar um cenário no qual tudo é uma grande diversão. Imaginou? O que você imaginou deve ser bem parecido com o dia a dia de Nasser Al Attiyah. Príncipe do Qatar, pequeno país do Oriente Médio rico em virtude das reservas de petróleo – como a maioria dos países da região –, Nasser é piloto de rali e atleta de tiro. E é bom nas duas modalidades.

O catari sempre competiu em provas de rali de velocidade, como o WRC, mas decidiu mudar para o cross country em 2008. Dois anos – e muita poeira – depois, Nasser tornou-se piloto da equipe oficial da Volkswagen no Rally Dakar, a maior e mais perigosa prova fora de estrada do mundo, ao lado da lenda Carlos Sainz, bicampeão mundial do WRC. Observou, aprendeu e aplicou todo o conhecimento absorvido do espanhol para vencer a prova em 2011, último ano de participação da montadora na competição.

Nasser, entretanto, continuou. Este ano, tentou defender seu título a bordo de um Hummer, mas foi obrigado a abandonar a disputa devido a um problema na correa do alternador do seu carro. A vida esportiva do catari, no entanto, não se limita a motores, óleo, pedra e areia.

Em Londres, disputou sua quinta Olimpíada e realizou um antigo sonho: ser medalhista olímpico. Nasser conquistou o bronze no tiro, ao superar Valeriy Shomin, da Rússia, no desempate pelo último lugar no pódio. O campeão do Dakar passou de fase com a quarta melhor marca (121 de 125 pontos possíveis) e levou no desempate ao acertar todos os tiros.



Não bastasse isso, o catari é conhecido por ser uma das pessoas mais simpáticas, educadas e ‘boa praça’ por onde passa. Acho que nada ilustra melhor esta fama do que quando veio ao Brasil para a disputa do Rally dos Sertões, em 2009. Nasser terminou a prova em segundo lugar, atrás apenas do companheiro de equipe Sainz, mas o seu grande feito não foi a bordo de seu Touareg ao longo dos mais de 5 mil quilômetros de prova.

Durante a sétima especial, Helena Deyama e sua navegadora Joseane Koerich foram obrigadas a abandonar o Sertões depois de verem sua Pajero TR4 virar, literalmente, pó. O carro da dupla pegou fogo e elas foram obrigadas a dar adeus à competição. No fim daquela edição, foi organizada uma rifa de um jogo de pneus – estimado em R$ 3 mil –, cujo dinheiro seria revertido para Helena e Josi. Nasser perguntou quanto seria a quantia para a compra de um novo carro e, ao saber o valor, doou US$ 20 mil para a dupla, comovendo todos os presentes. Após isso, as brasileiras batizaram a nova máquina de “Príncipe”, em homenagem ao catari.




É... ser piloto e atleta olímpico não deve ser uma vida nada chata, até mesmo para um príncipe. Mas, acima disso, a postura altruísta demonstra toda a realeza de Nasser Al Attyiah.
 


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