8 cascatas nas quais te deves aventurar

Afasta-te das multidões e aventura-te por estas cascatas: a recompensa final vale bem a pena.
Por Dom Granger

Seguir o caminho menos explorado é motivação mais do que suficiente para qualquer alma aventureira, sobretudo quando a habitual rota turística não te preenche por completo. Agora, imagina que ouvias falar numa cascata durante uma viagem e quando chegavas lá, apercebias-te que afinal não era aquele sítio tão secreto e remoto que estavas à espera. Ignora o facto de teres de estacionar a 100 metros de distância ou as pessoas embriagadas que podes encontrar pelo caminho: vais ficar contente quando lá chegares.


1.Sutherland Falls, Southland, Nova Zelândia

Vista aérea das Sutherland Falls, rodeadas de montanhas e de um lago.
A vista ampla e de cortar a respiração © Ignacio Palacios / Getty Images
As Sutherland Falls num dia de nevoeiro
As míticas Sutherland Falls na Nova Zelândia © Paul Nevin / Getty Images

O quê: A maior cascata da Nova Zelândia – 580m de altura.

A aventura: Para chegares às Sutherland Falls, precisas de enfrentar uma caminhada de quarto dias pelo famoso Milford Trail, na Nova Zelândia. Este passeio de 53km vai levar-te por pontes suspensas, passadiços e uma passagem pela montanha no Fiordland National Park. Pelo caminho, vais pernoitando pelas pausadas que vais encontrando e podes mesmo viver algo mágico.

Grau de aventura: 5/10


2. Kaieteur Falls, Mazaruni Potaro, Guiana

Foto aérea das Kaieteur Falls no Guiana
A impressionante queda das Kaieteur Falls © Chris Radburn / Getty Images
A nota de 20 dólares guianos
Kaiteur Falls, imortalizada na nota de 20 © DEA / A. DAGLI ORTI / Kontributor / Getty Images

O quê: A maior gota única e uma das mais poderosas cascatas no mundo.

A aventura: A única maneira de chegares a Kaieteur Falls é apanhando um voo charter para a pista de aterragem mais próxima, seguindo-se duas a três horas de caminhada pela floresta tropical. Esta rara combinação de uma cascata alta a cair num rio com um grande caudal, torna a paisagem incrível e quase surreal. Se por acaso vires algum sapo dourado durante a caminhada, não lhe toques: é provável que seja venenoso.

Grau de aventura: 4/10

Curiosidade: A nota $20 guianos tem uma imagem da cascata.


3.Shale Falls (Chutes aux Schistes), Quebeque, Canadá

Foto das Shale Falls (Chute aux Schistes), a norte do Quebeque
A boa receção das Shale Falls © Lester Kovac

O quê: Uma cascata muito remota no norte do Quebeque.

A aventura: Uma viagem de canoa com a duração de um mês pelo rio Caniapiscau, cujo ponto de partida só pode ser alcançado através de avião. A constante mudança dos ventos do norte do Quebeque, as moscas e outros insectos ferozes, fazem desta uma jornada mentalmente exigente. Uma verdadeira aventura de canoagem por um dos mais severos e intocados territórios que a América do Norte tem para oferecer.

Grau de aventura: 10/10


4.Virginia Falls, North West Territories, Canadá

O quê: Cascatas poderosas e Património Mundial da UNESCO (um dos primeiros quatro sítios a receber tal designação na década de 1970)

A aventura: A única maneira de chegares até ao parque é fretar um floatplane até à reserva do Nahanni National Park, que fica mesmo acima das cascatas. A partir daí, só precisas de fazer uma curta caminhada. Mas se queres um pouco mais de aventura, podes sempre ir de canoa. A viagem dura 21 dias e é uma daquelas experiências únicas na vida. Independentemente da tua escolha, a vista vale bem a pena. A grande cascata desliza ao longo de um pequenos estreitos até se dividir à volta da Mason’s Rock, uma rocha com mais de 100m de altura.

Grau de aventura: 3/10 se voares diretamente até às cascatas; 7/10 se fizeres a expedição de canoa.

Curiosidade: Tem quase o dobro da altura das Niagara Falls.


5.Kerepakupai Meru, Bolívar, Venezuela

Paul Guschlbauer a voar pelas Angel Falls
Não é uma vista nada má © Paul Guschlbauer

O quê: (Discutivelmente) a mais alta cascata do mundo, com 979m de altura, também conhecida como Angel Falls ou Salto Angel.

A aventura: Não é propriamente fácil chegares às Angel Falls: precisas de apanhar um voo para chegares ao campo Canaima, o ponto de partida para as viagens a partir do rio e que contam com os nativos de Pemon como guias. Depois de quatro horas de viagem pelo rio acima, lá tens a hipótese de mexer as pernas numa caminhada de 60 a 90 minutos pela montanha acima. Através de um terreno selvagem, frequentemente escorregadio e encharcado. O que vale totalmente a pena, só para riscares este nome da tua lista. Uma vez lá, podes acampar no local durante a noite e fazeres a viagem de regresso no dia seguinte. Bónus: durante o voo para Canaima, é bem provável que consigas deitar uma olhadela às cascatas. Foi exatamente assim que foram avistadas pela primeira vez por Jimmy Angel, o aviador norte-americano que lhes deu o seu tão comum nome inglês na década de 1930.

Grau de aventura: 5/10 – a não ser que o teu nome seja Paul Guschlbauer. Nesse caso, podes elevar o nível de aventura para 10/10 com uma viagem de cinco dias que combina caminhada e voo.


6.Schwarzenbach Falls, Nunavut, Canadá

Foto das Schwartzenbach Falls, em Nunavut, Canadá
A beleza natural das Schwartzenbach Falls © mk media

O quê: As mais altas cascatas do Arctic Circle (520m) e uma das cascatas remotas mais altas no mundo

A aventura: Chamada de Qulitasaniakvik no idioma inuíta, esta cascata sazonal (no inverno tanto pode estar congelada, quanto seca – uma vez que os glaciares não conseguem derreter) é bastante impressionante. Aliás, seria bastante redutor descrevê-la como algo “diferente daquilo a que estamos habituados a ver”. Já para não falar nos custos que podem deter muitos de visitá-la: mais de 4.000 dólares canadianos por uma expedição de 14 dias de mochila às costas. Primeiro apanhas um barco (a partir do qual é bem provável que encontres uma morsa ou um narval), depois prepara as tuas pernas para duas semanas inteirinhas de caminhada, por um terreno íngreme e desnivelado com mochilas carregadíssimas às costas. Um bom desafio, mesmo para um hiker com experiência!

Grau de aventura: 9/10


7.Cascades du Trou de Fer, Réunion Island

Vista aérea completa das Cascades du Trou de Fer
Vista aérea completa das Cascades du Trou de Fer © Karsten Bidstrup / Getty Images
Vista aérea Cascades du Trou de Fer, na Réunion Island
A queda a partir de uma grande altitude © Atlantide Photo Travel / Getty Images

O quê: Uma cascata de 725m de altitude no meio da selva, com quedas de 305m.

A aventura: No coração da selva da Réunion Island, vais encontrar uma vista de cortar a respiração quando chegares às Cascades du Trou de Fer. Mas para isso, só precisas de caminhar durante três horas pelo terreno lamacento de uma floresta tropical bem densa. Mas ainda tens de contar com a ajuda da Mãe Natureza, é que num dia de chuva a caminhada torna-se basicamente impossível. Para teres a oportunidade de ver esta beleza natural, precisas de começar a tua caminhada de manhã bem cedinho. Ainda assim, nada é garantido. É que caso as nuvens decidam aparecer, estás feito. A outra opção que tens para veres as cascadas de perto é numa expedição de dois ou três dias de canoa, mas é para canoístas experientes (nível 4)!

Grau de aventura: 5/10 se fores a pé, 8/10 se fores de canoa.


8.Suligad Waterfalls, Dolpa, Tibete

 

Vista aérea das Suligad Falls
A cascata mais alta do Tibete = viagem de uma vida © Grant Dixon / Getty Images
Vista aérea do lago bem azul Phoksundo, no Nepal
Uma espécie de jóia sagrada © Grant Dixon / Getty Images

O quê: A cascata mais alta nos Himalaias e próxima de um lago azul intenso.

A aventura: Esta deve estar na lista de qualquer aventureiro ou apaixonado por cascatas: com uma caminhada de 8 a 31 dias (dependendo da tour escolhida, sendo a de 13 dias a mais habitual) pelas terras altas do Nepal. Pelo caminho, prepara-te par ver coisas como o lago mais profundo dos Himalaias (o Holy Phoksundo Lake) ou as mais altas cascatas do Nepal, as Suligad Falls. A 167m de altitude, as cascatas são uma boa recompensa à caminhada por este percurso pouco explorado. A região foi apenas aberta a turistas em 1989, o que significa que ainda é possível teres uma experiência verdadeira e pura das culturas locais – Bonpo e dos Budistas Tibetanos. Podes acampar ou ficar alojado na casa de um habitante local: a escolha é tua e vai variar muito conforme o guia que escolhes para te acompanhar. Independentemente da dificuldade da caminhada, a incrível paisagem e a vida selvagem que vais poder avistar durante o processo, fazem
desta a aventura de uma vida.

Grau de aventura: 7/10

Já agora: o nosso mega obrigado à World Waterfall Database e ao seu fundador, Bryan Swan, pela sua grande ajuda na pesquisa informação e cascatas fantásticas para este artigo.

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