Os 10 jogos da Sega Saturn que tens mesmo de jogar

Até os vencidos têm grandes jogos. Estes são os 10 da 32-bits da Sega que não podes falhar.
O undedog das 32-bits.
O undedog das 32-bits. © commons.wikimedia.org
Por Damien McFerran

A Sega Saturn foi, sem dúvida, a grande derrotada da guerra das consolas de 32-bits, tendo sido largamente superada pela rival PlayStation apesar de gozar do facto de ser a sucessora da popular Mega Drive.

Os mais desprevenidos podem partir do princípio de que isto se deveu ao facto da consola ter poucos jogos relevantes, mas a realidade foi muito diferente: a Saturn não só foi altamente apoiada pelas equipas internas da Sega (algumas das mais talentosas do mundo, naquela altura) como recebeu vários exclusivos notáveis saídos de estúdios japoneses, muitos dos quais, infelizmente, nunca foram lançados no ocidente. Embora isto seja um obstáculo para quem esteja a começar a conhecer a plataforma (comprar hardware e software importado não é tarefa fácil nem barata) a Saturn apresenta um interessante desafio para todos os jogadores que decidirem explorar o sistema.
Compilamos uma lista de 10 jogos deste underdog da indústria que tens mesmo de jogar.

Panzer Dragoon Saga

Embora Panzer Dragoon e Panzer Dragoon Zwei sejam bons jogos que merecem fazer parte desta lista, foi a terceira entrada nesta série quem mais fama ganhou com o passar dos anos, algo irónico tendo em conta que trocou a fórmula de shooter on rails dos jogos anteriores em favor do RPG. Dividido em 4 CD-ROMs e com uma história épica que envergonharia Final Fantasy, Panzer Dragoon Saga mantém-se um clássico do género não só pelas envolventes quests, mas também pelo sistema de combate único que mistura tempo real com turnos. Além de ter sido o último jogo da Saturn lançado fora do Japão, foram produzidas quantidades muito limitadas de Panzer Dragoon Saga, o que faz dele um item de coleccionador bastante cobiçado.

Radiant Silvergun

Lançado exclusivamente no Japão, Radiant Silvergun é, sem dúvida, um dos melhores shooters alguma vez criados. Desenvolvido pela Treasure - o estúdio responsável por Gunstar Heroes e Astro Boy, para o Gameboy Advance - este shooter vertical misturou visuais 2D com 3D e o resultado foi um espectáculo gráfico que muitos achavam que a Saturn seria incapaz de produzir. O jogador é presenteado com um arsenal desde o início e tem que descobrir a melhor forma de o utilizar. O jogo tem também um sistema de subida de níveis parecido com os RPGs onde a cada novo jogo o arsenal aumenta de poder, encorajando a que seja jogado várias vezes. Para o jogar, é necessária uma Saturn japonesa (bem como uma boa conta bancária), mas se não quiseres pagar muito para o fazeres, existe uma remasterização em HD para a Xbox 360 lançada em 2011.

Shining Force III

Shining Force é a resposta da Sega à série Fire Emblem, da Nintendo, ma nunca recebeu a atenção que merecia, uma pena tendo em conta o quão fantástica foi a entrada para a Saturn.
O jogo fundiu a estratégia por turnos com uma narrativa profunda e a possibilidade de desenvolver personagens e alterar as suas habilidades, fazendo dele uma experiência que rapidamente consome meses da tua vida (isto é, partindo do princípio que consegues encontrar uma cópia por um preço razoável). Shining Force III foi um dos últimos lançamento ocidentais para a 32-bits da Sega e, como tal, é super raro e uma experiência algo agridoce: na verdade, trata-se da primeira parte de uma trilogia, com cada jogo a contar a história da perspectiva de uma personagem diferente; as partes 2 e 3 nunca foram traduzidas para Inglês e permanecem exclusivas do mercado japonês.

Burning Rangers

Não existem muitos jogos sobre bombeiros, mas quando saem, a espera costuma valer a pena. Burning Rangers é sobre um grupo de bombeiros futuristas e tem um dos mais impressionantes motores 3D da Saturn. O objectivo é explorar vários edifícios em chamas e evacuar os moradores encurralados pelo fogo. Os visuais e apresentação fantásticos fazem dele um clássico sólido e é um dos poucos jogos que oferecem a possibilidade de utilizar o comando analógico da Saturn. Embora tenha sido lançado no ocidente, é bastante difícil encontrá-lo nos dias que correm e a brincadeira não sai barata. A versão japonesa é bem mais barata e traz a banda-sonora, mas como o jogo tem bastante texto, é difícil de jogar na versão original.

Nights Into Dreams

A Saturn nunca recebeu um Sonic como devia ser (a compilação Sonic Jam não conta), mas teve Nights into Dreams, que muitos consideram ainda melhor. Desenvolvido pela Sonic Team e tirando total partido do comando analógico da Saturn (o jogo até vinha acompanhado dele), Nights não pode ser bem considerado um jogo de plataformas, uma vez que passas boa parte do tempo a planar. Os belos gráficos e a música de bater o pé fazem de Nights bastante popular entre os fãs da Sega. A sequela para a Wii é engraçada, mas não conseguiu ter a mesma magia do original.

Shining the Holy Ark

Tendo lugar no mesmo universo de Shining Force, Shining the Holy Ark é, na verdade, a sequela do primeiro jogo da série: Shining in the Darkness, para a Mega Drive.
Trata-se de um RPG na primeira pessoa com combates aleatórios por turnos e vários locais repletos de NPCs com quem conversar. O primeiro apelo do jogo são os visuais e banda-sonora, mas é a enorme e excelente quest que te vai fazer passar várias semanas colado ao ecrã. Mais uma vez, a versão ocidental é bastante cara, mas vale bem a pena.

X-Men Vs. Street Fighter

A Capcom foi uma fervorosa apoiante da PlayStation, mas amor pela Saturn também não lhe faltou, tendo lançado na consola da Sega vários jogos de luta 2D. De todos eles, X-Men Vs. Street Fighter foi o mais impressionante, em parte por ter sido o primeiro jogo a tirar partido do cartucho de 4MB de RAM da consola. Isto permitiu à Capcom manter muitas das animações presentes no original das arcadas e reduzir os tempos de loading (em comparação, faltava à versão da PlayStation boa parte das animações e a mecânica tag team). Embora uma versão ocidental tenha sido considerada, acabou por nunca acontecer, fazendo dele mais um jogo que tens mesmo de importar. Felizmente, é barato.

Guardian Heroes

Embora Guardian Heroes pareça, à primeira vista, um side-scroller básico, tem camadas de profundidade que deixam vários RPGs roídos de inveja. Cada personagem tem atributos, feitiços e ataques melee diferentes. O jogo contra com múltiplos caminhos a percorrer, o que significa que pode ser completado várias vezes sem cansar, e com uma arena especial que permite controlar qualquer inimigo do jogo. Felizmente, Guardian Heroes foi abençoado com uma versão ocidental e foi, recentemente, lançado para a Xbox 360 em HD.

Princess Crown

Este título relativamente obscuro pode não ser tão famoso quanto as outras entradas nesta lista, mas vale igualmente o teu tempo, especialmente quando consideramos que foi criado por George Kamitani, o artista responsável por Odin Sphere e Dragon’s Crown. Com alguns dos melhores visuais 2D da Saturn e um enorme mundo para percorrer, Princess Crown é um RPG com uma fantástica narrativa não linear, um sistema de crafting, side-quests e inúmeros NPCs. O que faz dele tão especial é o facto do combate ser em tempo real ao invés dos habituais turnos e contar com bloqueio e evasão de ataques, e ataques especiais ao estilo de Street Fighter. Como foi um dos últimos títulos lançados na Saturn, nunca viu a luz do dia fora do Japão, mas com um guia decente é possível desfrutar dele sem saber patavina de japonês. Também existe uma versão para a PlayStation Portable, bem mais barata no mercado de usados.

Sega Worldwide Soccer '97

A Saturn pode não ter recebido muitos dos grandes títulos de desporto da PlayStation, mas os lançamentos da própria Sega não eram nada de se deitar fora. Quando foi lançado, Sega Worldwide Soccer 97 era superior a tudo o que a consola da Sony tinha, com belos visuais 3D, várias opções de jogo e uma das mais profundas representações do futebol que vimos nos anos 90. Na altura, estava muito acima de FIFA e deu aos fãs da Sega razões para sorrir sempre que um amigo fã da PlayStation ia lá a casa.

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