Desert Wings 2016

As táticas secretas para os 15 dias de Dakar

Os pilotos transmitem o seu conhecimento antes de mais uma viagem épica à América do Sul
Jordi Viladoms
Jordi Viladoms © Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
Por Tim Sturtridge

O Rali Dakar mantém-se como o derradeiro teste de resistência nos Desportos Motorizados e o último trajeto delineado pela organização do evento está preparado para levar os pilotos ao seu limite. Um misto de terrenos que vão desde a montanha com 4.500m de altitude, às dunas de desertos ensolarados asseguram a dificuldade desta prova. Falámos com os membros da Red Bull Desert Wings para nos ajudarem a seguir o rali e sabermos os pontos chave da corrida.

 

Sábado, 2 de janeiro: Prólogo - Buenos Aires até Rosário

Marcos Patronelli (Duas vezes vencedor em Quads): Esperamos receber muito apoio do público quando partirmos de Buenos Aires. Representamos a Argentina no Dakar e vamos dar tudo por tudo para alcançar mais um triunfo. A corrida mais dura do mundo tem de começar em algum lado e estou orgulhoso por este ano a partida ser em Buenos Aires. Estarei focado durante o prólogo e em todos os desafios que me forem colocados nas duas semanas seguintes,

 

Domingo, 3 de janeiro: Etapa 1 - Rosário até Villa Carlos Paz

Carlos Sainz (Vencedor de 2010 em Carros): Tenho muitos amigos na Villa Carlos Paz após lá ter estado tantas vezes durante o WRC. Aqui, os fãs de desportos motorizados são dos melhores do mundo e eles criam uma excelente atmosfera à volta da corrida. As etapas do Dakar são muito mais longas do que as do WRC. Talvez reconheça 10 ou 15km ainda dos meus tempos de WRC, mas isso numa etapa de 250km é bastante pouco. Espero que esta etapa seja um desafio para os nossos carros e iremos fazer o nosso melhor para estar ao nível da concorrência.

 

Segunda-Feira, 4 de janeiro: Etapa 2 - Villa Carlos Paz até às Termas de Río Hondo

Ayrat Mardeev (Vencedor de 2015 em Camiões): Cuidado é o nosso segundo nome durante a corrida, portanto, mesmo apesar desta longa etapa ser logo no início da competição, não podemos dizer que iremos abordá-la de forma diferente de qualquer outra etapa. Nós tratamos o nosso camião com muito cuidado, porque uma avaria num setor crítico pode fazer-nos parar a qualquer momento. Mas também não podemos ser cautelosos em demasia, pois a nossa intenção é vencer, de modo que iremos atacar o mais forte que pudermos de acordo com a nossa estratégia.

 

Terça-Feira, 5 de janeiro: Etapa 3 - Termas de Río Hondo até San Salvador de Jujuy

Jordi Vilardoms (2º Classificado de 2014 em Motos): Desta vez a situação mudou para mim, pois sou o veterano da equipa. Este é o meu 10º Dakar e durante este tempo tenho me deparado com diversas situações que me fizeram evoluir e ficar mais experiente nesta competição. Numa etapa como esta sei que as condições climatéricas e, por consequência o terreno, podem alterar-se de um momento para o outro muito rapidamente. Parte do meu trabalho no Dakar será transmitir a minha experiência aos pilotos mais jovens da equipa e talvez isto possa ajudar-nos a alcançar alguns excelentes resultados.

 

Quarta-Feira, 6 de janeiro: Etapa 4 - San Salvador de Jujuy até San Salvador de Jujuy

Toby Price (Rookie do ano e 3º Classificado em 2015 na categoria de Motos): Esta será a primeira parte da nossa primeira etapa maratona, isso significa que não há assistência mecânica até ao final da etapa seguinte. É mesmo necessário tomar precauções com a moto e com o estado dos pneus porque nada pode ser alterado. Estes são os dias em que tens de andar com muita calma. As etapas maratona do ano passado correram-me bastante bem, portanto repetir o resultado seria excelente. O facto de a KTM ter montado uma excelente moto vai ajudar.

 

Quinta-Feira, 7 de janeiro: Etapa 5 - San Salvador de Jujuy até Uyuni

Nasser Al-Attiyah (Duas vezes vencedor e atual campeão na categoria de Carros): Esta etapa irá levar-nos a altitudes de 4.500m acima do nível do mar, por isso, estou a treinar imenso antes da corrida para estar preparado para enfrentar estas dificuldades. No ano passado senti-me bastante mal quando competimos em altitude, desde então tenho treinado bastante para nesta edição estar em melhor forma. Tenho usado as instalações da Aspire Academy no Qatar para me preparar para etapas como esta. Bem como o meu treino físico, tenho os meus níveis de oxigénio e pressão arterial controlados para me resguardar das indisposições impostas pela altitude durante o Dakar. 

Sexta-Feira, 8 de janeiro: Etapa 6 - Uyuni até Uyuni

Hélder Rodrigues (Classificações no pódio na categoria de Motos por duas vezes): Como a corrida volta à Bolívia haverá muitas soluções que podem ser encontradas para os engenheiros e mecânicos. Quando compito aqui, estou constantemente a fazer decisões sobre como guardar tempo e também resguardar a minha moto. A minha prioridade é sempre proteger a moto, porque o Dakar é muito longo. Não se trata apenas de grandes momentos em etapas, é sobre quem consegue ser o melhor ao longo de todo o rali em velocidade, navegação e mecânica.

 

Sábado, 9 de janeiro: Etapa 7 - Uyuni até Salta

Kuba Przygonski (Rookie na categoria de Carros): Este ano iremos competir mais na Bolívia do que em edições anteriores. No ano passado houve imensas dificuldades em termos mecânicos na região do Salar de Uyuni e penso que é uma parte da corrida em que a sorte tem um papel fulcral. Este ano irei correr pela primeira vez na categoria de carros, mas, mesmo conhecendo a zona devido às participações nas motos, sei que não vai ser igual. Estarei 100% focado na obtenção do melhor resultado possível e em cortar a meta final.

 

Domingo, 10 de janeiro: Dia de descanso - Salta

Matthias Walkner (Campeão do Mundo de 2015 FIM Rali Corta Mato): No ano passado tive um longo descanso numa cama a sério na noite anterior ao dia de descanso porque foi possível irmos para um hotel. Quando regressei ao bivouac, pareceu-me ser um dia bastante agitado. Limpei todo o meu equipamento (óculos, capacete, etc) e preparei a etapa seguintede forma normal. Há também alguns compromissos com os media. Neste ano tenho um plano melhor para gerir o meu tempo no dia de descanso, pois no ano passado estava um pouco febril. Todos os trabalhos que são necessários podem ser feitos em cerca de duas horas, portanto tenho de estar focado nisso para depois poder descansar no resto do dia.

 

Segunda-Feira, 11 de janeiro: Etapa 8 - Salta até Belén

Mohamed Abu Issa (2º Classificado nos Ralis FIM Corta Mato em 2015): Existem muitos aspetos particulares no estilo de condução numa etapa de areia no Dakar, tal como esta. Em primeiro lugar há o facto de ter nascido perto de terrenos semelhantes a este e isso faz com que me sinta mais à vontade. Ir na roda numa etapa de areia é mais fácil, pois cria-se um rasto no solo, mas ir na liderança a abrir o caminho pode ser bastante difícil, especialmente quando se trata de uma etapa no deserto. Ter uma boa leitura das dunas é algo em que tens de ser muito bom ou então irás passar dificuldades; o caminho mais rápido nem sempre é o mais curto. As dunas escondem imensas surpresas perigosas!

 

Terça-Feira, 12 de janeiro: Etapa 9 - Belén até Belén

Eduard Nikolaev (Vencedor na categoria de Camiões em 2013): Temos de ter bastante energia porque esta é uma etapa longa e normalmente muito quente. Nós temos de encontrar o nosso próprio percurso e nestes casos, o meu co-piloto tem uma responsabilidade acrescida. Os nossos mecânicos também têm de estar sempre alerta porque os furos são bastante frequentes neste tipo de terreno. A minha tarefa será fazer com que avancemos o mais rápido possível.

 

Quarta-Feira, 13 de janeiro: Etapa 10 - Belén até La Rioja

Stéphane Peterhansel (11 vezes vencedor do Dakar): Nunca é fácil percorrer as dunas no Fiambalá e posso relembrar-me de algumas etapas muito complicadas. Houve dias em que perdi imenso tempo no Fiambalá, mas também tenho boas recordações deste lugar. Estou à espera de competir fora dos trilhos por volta de 80% nesta etapa e isso torna a navegação bastante difícil. Haverá longas subidas em várias dunas de areia suave e descidas em areias claras que não são fáceis de transpôr. Depois vem o vale, que pode estar demasiado seco ou então completamente inundado, depende do clima naquele momento. É incrível como uma área tão pequena tem um leque de tipos de terreno tão variado.

 

Quinta-Feira, 14 de janeiro: Etapa 11 - La Rioja até San Juan

Joan Barreda (Vencedor de 13 etapas no Dakar): Penso que ter o Marc Coma como o Diretor Desportivo desta edição foi uma ajuda para termos um percurso muito interessante. Marc venceu a competição na categoria de Motos por cinco vezes, portanto ele conhece a competição por dentro e por fora. Esta etapa durante a segunda semana vai trazer alguns desafios em termos de navegação para os pilotos, pois são estas as dificuldades que temos quando nos aproximamos dos Andes.

Sexta-Feira, 15 de janeiro: Etapa 12 - San Juan até Villa Carlos Paz

Adam Malysz (Ex-Saltador de Esqui e agora Piloto de Ralis): É uma etapa muito longa (900km no total) mesmo antes do final da competição. Alguns pilotos podem já estar focados na meta final, mas mesmo que seja algo que está mais ao alcance não podes perder a concentração nem ter um momento de fraqueza. No geral, o Dakar requer uma excelente condição física. Trabalho com um doutor, Michal Wilk, que me tem indicado alguns planos de treino e supervisiona a minha preparação para o Dakar. As últimas etapas exigem uma especial atenção com o carro, porque após percorrer tantos milhares de quilómetros, o carro já está seriamente desgastado. Neste ponto, tento conduzir de forma segura porque apenas um erro pode colocar em causa duas semanas de trabalho duro.

 

Sábado, 16 de janeiro: Etapa 13 - Villa Carlos Paz até Rosário

Cyril Despres (5 vezes Vencedor do Dakar): No Dakar é necessário manter totalmente a concentração durante duas semanas inteiras, portanto o meu mindset não muda estando na primeira, quinta ou última etapa. Dependendo de como a minha prova estará a correr até à etapa final, mas a minha esperança será em consolidar a posição e tentar tirar partido de algumas oportunidades para subir no ranking. Há dias no Dakar em que tens de atacar com convicção porque pode haver a oportunidade de ganhar tempo aos concorrentes à tua volta. No entanto, a minha experiência diz que a etapa final não é o momento de tomar grandes riscos.

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