DJ Hum
© Red Bull Content Pool
Música

10 grandes hits da música negra brasileira, por DJ Hum

O lendário DJ de hip-hop te leva para um passeio musical pela black music
Escrito por Luana Dornelas
5 min de leituraPublicado em
Ao longo de sua carreira, DJ Hum, ícone dos toca-discos, deixou seu nome marcado na história do hip-hop nacional. Começou tocando em bailes de garagem ritmos com soul, funk, rap e samba rock. Ao longo dos anos lançou discos em parcerias, remixes, trilhas sonoras e produziu músicas para grandes artistas como Wilson Simonal, Jota Quest, Seu Jorge, Chico César, Roberto Carlos, Dexter 509 E, Milton Nascimento e Sabotage. Isso só pra citar alguns.
Nos anos 80, já chamava a atenção por incorporar ao seu trabalho uma série de técnicas da mixagem norte-americana, como scratch, back to back e transformer. Em 1986, formou dupla com o rapper Thaíde. Juntos, até 2001, gravaram nove discos. Dali em diante, cada um seguiu com seus projetos pessoais. Em 2002 inaugurou seu próprio selo, “Humbatuque Records”.
Ao lado de Motirô, Lino Krizz e Cabal, emplacou o mega hit “Senhorita”, em 2003. Esse era sem dúvidas o grande hit da época e quem viveu, com certeza se lembra. 
Em 2014, fez parte do time de jurados do Red Bull Threestyle. Agora, em 2018, ele chega comemorando 30 anos de carreira com a estreia de "DJ Hum e O Expresso do Groove", seu primeiro trabalho solo, em CD e vinil. Ao todo são dez faixas, com sons autorais e releituras de grandes hits da música negra brasileira. Totalmente produzido, mixado e masterizado pelo artista – que, inclusive, é responsável por tocar quase todos os instrumentos no processo de gravação. Entre as participações especiais, Emicida, Kaion, Tio Fresh e Matéria Rima.
Presto uma homenagem ao ritmo e a cultura de baile que tanto admiro e tanto me ensinou. Foi a minha escola musical. Este disco representa o meu começo nos "bailinhos de garagem" e me faz rever o caminho que percorri para chegar até aqui.
DJ Hum
Como seu disco é uma reverência aos ritmos e a cultura dos bailes, pedimos para o DJ Hum listar aqui 10 hits que marcaram a música negra brasileira ao longo das décadas.
Jorge Ben - O Telefone Tocou Novamente
Faixa do álbum “Força Bruta” foi gravada junto com o Trio Mocotó e lançada em 1970. Essa tinha a força da música negra misturando o soul com samba. Esquema novo "sacundin”. Mais tarde se tornou um clássico do samba rock.
Motiro feat Cabal - Senhorita
Foi o primeiro “rap" independente a estourar nas rádios comerciais de todo o Brasil. Antes, o pouco que se tocava de "rap" era de artistas que pertenciam as gravadoras multinacionais. Lançado em 2003, tiragem em vinil, a música começou no underground paulistano e estourou nas mãos dos djs que a transformaram no hit nacional para as pistas de dança. Foi um divisor de águas e influenciou toda a geração de adolescentes que estavam começando a rimar no meio dos anos 2000
Chico Science e Nação Zumbi - Maracatu Atômico
Faixa do “Afrociberdelia” balançou as ruas. Foi quando ouvi a regravação de um clássico da mpb, numa batida loka que não era hip-hop, mas tinha todo o peso musical. O manguebeat entrou nos bailes e nas pistas. Até hoje está presente nos meus sets.
Robson Jorge & Lincoln Olivetti - Aleluia
Este foi o hit das danceterias e da cultura DJ. Robson e Olivetti foram os responsáveis por introduzir o "Boogie Funk" no Brasil. Me lembro a primeira vez que ouvi e pensei “Nossa…igual os funk americano, com sintetizador, moog, Sinty Bass e tal”. Hoje, muitos discos produzidos por estes arquitetos do Boogie Brasileiro valem uma grana braba!
Racionais MCs - Fim de Semana no Parque
Quando saiu essa música, numa época em que só tocava nos bailes das equipes blacks da periferia, revolucionou a cena. Ninguém tinha falado dessa maneira. Um rap diferente relatando fatos sobre uma nova visão, misturando ficção e realidade social. O Serafin da Equipe Zimbabwe (que lançou o disco pelo próprio selo) me procurou e mostrou o som. Cara, quase tremi!! Já conhecia o Brown, Edi, Ice Blue e o Kl Jay. Niguém comentava nada! Aquele disco foi guardado a sete chaves… Quando saiu, fez o maior barulho que ja vi na mídia alternativa no começo dos anos 90.
Djavan - Samurai
No início dos anos 80, discotecas, bailinhos e danceterias tocavam este som. Considero perfeito: em arranjo, harmonia, letra…É um Jazz, Soul, tem a produção de Ronnie Foster e participação do mestre Stevie Wonder. Mesmo sendo rotulado como "MPB”, pra gente, dos bailes blacks, sempre foi Soul Music / Balanço.
Tim Maia - Rational Culture
Este som é a história da minha geração. Eram poucas as músicas em inglês feitas por brasileiros que tocavam no baile nos anos 80. Os mais inteirados falavam pra gente: Esse som do Tim foi a época que ele queria explicar a criação do universo, da vida e o destino da humanidade. É o "Tim Maia Racional". Eu tinha 14 anos e pensava “QUE VIAGEM”. Continua um hit até os tempos atuais, será eterna.
Originais do Samba - Boato
É aquele disco que você cresce ouvindo com a família. O sucesso aconteceu direto nas rádios AM e programas considerados populares "bregas”. Era frequente nos programas de auditório. Foi também a minha escola musical, me traz uma nostalgia boa, a do samba feito nos anos 70.
Sabotage - Um Bom Lugar
Hip Hop no mais puro Boom Bap. A métrica das letras, da rima e o tema fizeram esta música chegar ao topo, deu o upgrade pros anos 2000. A participação do Black Alien personifica o som, mostrando uma nova identidade, fazendo sua rima flutuar sob a batida.
Thaide e Dj Hum - Sr Tempo Bom
A letra relata a popularidade e as raízes da Black Music nos anos 70, as gírias, a moda e a cultura de baile. Há 14 anos é tema da campanha publicitária de fim de ano das lojas Renner. Foi o primeiro rap a conseguir tal feito. Lançada em 1996, até hoje está nas pistas de todo o Brasil