Grace Jones, "Island Life" (1985)
© Jean-Paul Goude
Música

15 álbuns com gente pelada na capa

Porque música não é nada sem atitude
Escrito por Evandro Pimentel
5 min de leituraPublished on
A nudez sempre teve um propósito e sempre esteve presente nas capas de álbuns, independente do seu estilo musical. Enquanto alguns não escaparam da censura – como "Unfinished Music #1: Two Virgins" (1968), de John Lennon e Yoko Ono (embora isso só tenha ajudado a mensagem do casal a chegar mais longe) –, outros passaram ilesos. Mas o fato é que todos, de uma maneira ou de outra, marcaram seu tempo. Separamos alguns deles, confira:

The Jimi Hendrix Experience, "Electric Ladyland" (1968)

The Jimi Hendrix Exp, "Electric Ladyland" (1968)

The Jimi Hendrix Exp, "Electric Ladyland" (1968)

© David Montgomery

Não dá pra negar que a versão norte-americana da capa desse álbum, que mostra uma foto amarelada e desfocada de Jimi Hendrix, é um clássico. Mas a edição britânica de "Electric Landyland" chegou bem mais perto do que o guitarrista realmente queria (ele inclusive chegou a desenhar uma referência para a gravadora).

John Lennon e Yoko Ono, "Unfinished Music #1: Two Virgins" (1968)

John Lennon e Yoko Ono, "Two Virgins" (1968)

John Lennon e Yoko Ono, "Two Virgins" (1968)

© Reprodução

Como uma forma de propagar o amor livre em tempos de guerra, o célebre casal decidiu posar completamente nu para a capa de seu primeiro trabalho junto. O disco acabou censurado – era vendido com uma cobertura que só deixava à mostra os rostos de John e Yoko – e a mensagem de que governos estavam focando suas energias em questões menos importantes só ganhou força.

Tom Zé, "Todos Os Olhos" (1973)

Tom Zé, "Todos Os Olhos" (1973)

Tom Zé, "Todos Os Olhos" (1973)

© Chico Andrade

Considerada uma das melhores capas de disco de todos os tempos, foi lançada na época da ditadura militar como uma afronta velada à censura pela qual a classe artística estava passando. Um "vai tomar no c*" bem dado. A foto é na verdade uma bola de gude na boca de uma modelo, mas a intenção, que até hoje gera dúvidas, é o que conta (e por isso a capa merece um lugar de destaque nesta lista).

Caetano Veloso, "Jóia" (1975)

Caetano Veloso, "Jóia" (1975)

Caetano Veloso, "Jóia" (1975)

© Caetano Veloso

A capa, censurada pela ditadura militar, foi assinada pelo próprio Caetano e traz o cantor acompanhado da sua então esposa Dedé e de seu filho Moreno Veloso. A versão que foi para as prateleiras mostrava somente os três pássaros que aparecem na imagem, inclusive na mesma posição, só que com um fundo completamente vazio.

Scorpions, "Lovedrive" (1979)

Scorpions, "Lovedrive" (1979)

Scorpions, "Lovedrive" (1979)

© Hipgnosis

Uma mão boba e muito chiclete. Assim a banda alemã Scorpions apresentou seu quarto álbum ao mundo: com uma atitude ousada sem maiores explicações, como pede o rock 'n' roll. Na contra-capa, o mesmo casal segura um retrato da banda, enquanto o seio esquerdo da mulher aparece exposto (sem chiclete).

Grace Jones, "Island Life" (1985)

Grace Jones, "Island Life" (1985)

Grace Jones, "Island Life" (1985)

© Jean-Paul Goude

Não tente reproduzir essa posição em casa. Uma das imagens mais icônicas do mundo da música (e da moda) é na verdade uma colagem. O álbum foi a primeira compilação dos grandes sucessos da cantora, modelo e atriz jamaicana.

Prince, "Lovesexy" (1988)

Prince, "Lovesexy" (1988)

Prince, "Lovesexy" (1988)

© Jean-Baptiste Mondino

Lançado apenas alguns meses após o cancelamento do aguardadíssimo "The Black Álbum" – que só saiu em 1994 –, o disco "Lovesexy" foi gravado em sete semanas. A rapidez talvez tenha sido para apaziguar os ânimos dos fãs e, para garantir a felicidade geral de seus seguidores, Prince caprichou na capa também.

Jane's Addiction, "Nothing's Shocking" (1988)

Jane's Addiction, "Nothing's Shocking" (1988)

Jane's Addiction, "Nothing's Shocking" (1988)

© Perry Farrell

Uma das capas mais clássicas do rock não tem segredo: é simplesmente uma escultura da namorada do vocalista Perry Farrell na época como se ela fosse duas gêmeas siamesas. Depois, o próprio Perry resolveu colocar fogo na cabeça das bonecas e fotografá-las. Não sabemos se o namoro durou muito depois disso.

Red Hot Chili Peppers, "Mother's Milk" (1989)

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© Red Bull

Alaine Dawn, a modelo que aparece na capa do quarto álbum do Red Hot Chili Peppers, foi uma de duas mulheres fotografadas. Quando o álbum saiu, Alaine afirmou não ter sido notificada que sua foto fora a escolhida. A confusão só aumentou quando a gravadora decidiu distribuir uma versão não censurada da imagem em formato pôster. Resultado: a modelo entrou com um processo e levou 50 mil dólares.

Black Crowes, "Amorica" (1994)

Black Crowes, "Amorica" (1994)

Black Crowes, "Amorica" (1994)

© Hustler

A razão pela qual a capa do terceiro álbum da banda norte-americana The Black Crowes parece ter saído de uma revista de mulher pelada é porque ela realmente saiu de uma revista de mulher pelada. A foto estampou a edição de julho de 1976 da Hustler.

Belle and Sebastian, "Tigermilk" (1996)

Belle and Sebastian, "Tigermilk" (1996)

Belle and Sebastian, "Tigermilk" (1996)

© Stuart Murdoch

O disco de estreia da banda de indie folk escocesa traz uma imagem genialmente literal de seu título. A fotografia foi tirada por Stuart Murdoch e mostra Joanne Kenney, namorada dele na época. A nudez desarmada de Joanne nem chegou a causar polêmica, tal a pureza do resultado final.

Marilyn Manson, "Mechanical Animals" (1998)

Marilyn Manson, "Mechanical Animals" (1998)

Marilyn Manson, "Mechanical Animals" (1998)

© Joseph Cultice

O maior trunfo dessa capa, que recebeu inúmeros prêmios, é o fato da imagem parecer estranhamente verdadeira. Nela, o cantor usa uma roupa de látex que simula um corpo nu andrógeno com ares extraterrestres.

The Strokes, "Is This It" (2001)

The Strokes, "Is This It" (2001)

The Strokes, "Is This It" (2001)

© Colin Lane

Não foi só pelas músicas de extrema qualidade que o primeiro álbum do The Strokes chamou a atenção. A capa com a foto de uma luva de couro apoiada em um quadril feminino desprovido de roupas intrigava muito, mesmo mostrando pouco.

Juçara Marçal, "Encarnado" (2014)

Juçara Marçal, "Encarnado" (2014)

Juçara Marçal, "Encarnado" (2014)

© Kiko Dinucci

Esse disco não está disponível no iTunes. O motivo? A cantora se recusou a censurar a capa de seu álbum solo, que traz uma ilustração (isso mesmo, uma ilustração) criada por Kiko Dinucci, seu parceiro no Metá Metá. A gente se fosse você correria para ouvir as músicas no Spotify, no YouTube, no Deezer... ;)

Karina Buhr, "Selvática" (2015)

Karina Buhr, "Selvática" (2015)

Karina Buhr, "Selvática" (2015)

© Reprodução

Em tempos em que mamilos são polêmicos, Karina Buhr teve coragem de peitar o machismo e a hipocrisia na capa de seu terceiro disco. A imagem foi censurada pelo Facebook e o resultado foi uma onda de apoio à cantora que envolveu até o Ministério da Cultura, que condenou a atitude da rede social.