Capa Guerra

5 momentos em que o futebol parou a guerra

© Reprodução / Site Oficial do Santos Futebol Clube

A paixão pela bola já interrompeu confrontos armados e trouxe paz, ainda que por poucos dias

1. Uma pelada no campo de batalha

Soldados adversários deram um tempo na guerra
Soldados adversários deram um tempo na guerra

Já no começo do século, o futebol dava uma grande demonstração de sua capacidade de aproximar as pessoas, no episódio ficou conhecido como a Trégua de 1914, durante a Primeira Guerra (1914-1918). Segundo registros históricos, desde a véspera do Natal, soldados alemães e ingleses cantavam juntos músicas natalinas em suas próprias trincheiras, mas no dia 25 resolveram largar as armas e abandonar seus postos para confraternizar. Trocaram a comida que tinham, beberam vinho e até organizaram um jogo de futebol. Depois do Natal, o conflito prosseguiu, mas naquele momento o futebol interrompeu a guerra e superou as divergências. O episódio serviu até de inspiração para a música Pipes of Peace, de Paul McCartney. No clipe, ele faz dois papéis, um soldado alemão e outro inglês.

2. Quando a guerra parou para ver Pelé

É normal que um time como o Santos de Pelé tenha em torno de si uma aura mítica. É mais impressionante ainda quando o que parece lenda aconteceu de verdade. Em 1969, o time da Vila Belmiro realizou excursão pela África e, quando chegou ao Congo, se deparou com uma situação tensa, pois o país vivia uma guerra pós-independência. Dirigentes do Santos optaram por cancelar o amistoso, mas a população estava tão maravilhada com a possibilidade de ver Pelé que foi costurado um acordo para que a guerra fosse interrompida enquanto o Santos estivesse no país. Diante da comoção popular, o amistoso acabou virando uma série de três partidas. Pelé marcou quatro gols. Semanas depois, ainda no continente africano, outro conflito armado, na Nigéria, foi suspenso para que a população pudesse ver o maior jogador do mundo em atividade. Dias em que a paz prevaleceu em algumas das regiões mais bélicas do mundo para que todos pudessem assistir ao Rei do Futebol.

Congo e Nigéria largaram as armas para ver Pelé
Congo e Nigéria largaram as armas para ver Pelé

3. A seleção brasileira e o Jogo da Paz

O Haiti vivia uma crise política extrema em 2004, quando integrantes do exército começaram um levante militar após a eleição de Jean-Bertrand Aristide, o que provocou sangrentos confrontos. O presidente acabou deposto e o Brasil liderou uma missão de paz para atuar no país. Em agosto daquele ano, os conflitos no país foram interrompidos para a chegada da seleção brasileira, então campeã mundial, que teve recepção comovente para disputar uma partida amistosa contra os haitianos, com o objetivo de iniciar uma campanha de desarmamento. Os jogadores foram ovacionados em percurso a céu aberto até o estádio na capital, Porto Príncipe, e vários afirmaram que foi uma das experiências mais emocionantes que tiveram. Com a presença de Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo, os brasileiros levaram o público ao delírio e venceram por 6 a 0, gols comemorados pelos próprios haitianos, naquele que ficou conhecido como “O Jogo da Paz”.

Seleção brasileira recebida no “Jogo da Paz”
Seleção brasileira recebida no “Jogo da Paz”

4. O time que desafiou o Nazismo

O Dínamo de Kiev era considerado o melhor time de futebol da Europa antes da Segunda Guerra (1939-1945). Durante a ocupação de Kiev, vários jogadores da equipe formaram o F.C. Start, que participou de forma decisiva da resistência à invasão nazista ao vencer uma série de jogos contra a equipe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Ameaçados de morte em caso de vitória, os jogadores ucranianos deram uma demonstração de bravura e apoio à liberdade. Não apenas venceram como humilharam o time alemão. O ato de coragem ajudou a inflamar a resistência ao Nazismo, mas também teve consequências trágicas: muitos jogadores do F.C. Start foram presos, torturados e assassinados. Até hoje, aqueles atletas heroicos são homenageados com um monumento em frente ao estádio, onde se lê a seguinte frase: “Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista”.

Quando o FC Start encarou (e venceu) o Nazismo
Quando o FC Start encarou (e venceu) o Nazismo

5. Drogba, o pacificador da Costa do Marfim

Tudo que Didier Drogba fez pelo futebol parece pequeno diante de sua influência na história da Costa do Marfim. O país se arrastava em uma sanguinária guerra civil há três anos, quando, em 2005, após garantir a primeira participação da seleção em Copa do Mundo, Drogba fez um discurso marcante em que pedia perdão de todos os lados, gerando o primeiro cessar-fogo desde que o conflito havia começado. Em 2007, o jogador exigiu que uma partida contra Madagascar fosse realizada na cidade de Bouaké, capital da rebelião e sede das tropas rebeldes. Drogba foi recebido como herói na cidade e um tanque rebelde conduziu a seleção até o estádio, onde guerrilheiros e governistas assistiram ao jogo lado a lado. Poucos meses depois, um tratado de paz foi assinado, e até hoje Drogba é celebrado como o personagem que acabou com a guerra civil de seu país.

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