A vida é uma roda gigante. Que o diga o colombiano Carlos Bacca, atacante do Villarreal, da Espanha. Até 2007, ele ocupava a função de cobrador de ônibus no percurso entre a pequena Puerto Colômbia e Barranquilla.
Bacca precisava trabalhar arduamente para ajudar nos gastos domésticos. Além de cobrador, ele também pescava com o pai para incrementar o orçamento. Aos finais de semana, ganhava mais um troco jogando em campeonatos amadores.
Só que o talento daquele jovem parecia grande demais para a várzea. Aos 21 anos ele aceitou o convite do Atlético Junior para se dedicar exclusivamente ao futebol. Aos 22, estreava profissionalmente pelo clube de coração.
"A vida estava longe de ser fácil. Eu tive que trabalhar como cobrador, porque vim de uma família pobre e precisava ganhar dinheiro para ajudá-lo. As portas no futebol estiveram fechadas para mim durante algum tempo e, na minha idade, acima dos 20 anos, não era algo com o qual poderia contar. Mas, em 2009, eu retornei ao Júnior e, graças a Deus, eles ficaram comigo", disse Bacca em entrevista ao Marca, em 2013.
Rápido e com grande facilidade em marcar gols, Bacca logo despontou com a camisa alvirrubra. Em três anos no Júnior foram mais de 50 gols pela liga nacional. Em 2010, recebeu o primeiro chamado para defender a seleção colombiana.
Bacca já era uma realidade quando foi contratado pelo Club Brugge. A estada na Bélgica durou pouco, uma temporada. Em 2013, "El Goleador" se apresentava ao Sevilla, onde tornou-se ídolo.
O Mundial do Brasil, em 2014, foi a sua primeira grande aparição para o mundo. Jogou poucos minutos na derrota por 2 x 1 ante os donos da casa, nas quartas de final.
Passado o torneio de seleções Bacca resolveu mudar de ares, indo para o Milan. O desempenho não ficou abaixo das expectativas, mas a vontade de brilhar novamente na Espanha falou mais alto em 2017, quando o atacante assinou com o Villarreal.
Na última segunda-feira, Bacca foi confirmado na lista da Colômbia que irá à Rússia. Mais uma vitória pessoal de um cara que há 11 anos sequer podia imaginar estar entre os 23 melhores jogadores do seu país.