Akin

As jams de Akin/Non Exist

© Alex Batista

Conversamos com o produtor sobre seu último EP, “Jams Vol. I”, lançado pelo selo Domina

Akin é uma figura chave da cena paulistana. Fundador da Metanol FM, coletivo e rádio online que completa nove anos em 2018, ele também é DJ, curador local do Red Bull Music Festival São Paulo, conselheiro do SP na Rua e gerente do S/A, espaço de convivência e plataforma de performance e experimentação audiovisual para artistas locais. Há anos ele está por dentro dos principais acontecimentos da cena noturna da cidade seguindo sua busca para encontrar novos caminhos para música eletrônica.
Recentemente ele lançou pela label Domina “Jams Vol. I”, seu primeiro EP em formato K7 através do seu projeto solo Akin/Non Exist. Esta é a primeira vez que ele compila seu trabalho autoral em formato de disco, físico e digital. Depois do bass, o produtor entrou numa onda mais lo-fi.
Com masterização de Bruno Palazzo e gravação de Savio de Queiroz, o disco de 10 faixas pode ser descrito como uma jornada lo-fi instintiva em campos experimentais, absorvendo elementos de house, electro, garage, techno e ambient music.
Os instrumentos utilizados em sua composição são os mesmos que Akin leva consigo em suas apresentações de Live PA: Akai MPC 1000, Roland TB-03 e pedais de efeito de guitarras. Produzido entre dezembro de 2017 e março de 2018, "Jams Vol. I" tem pouco mais de 40 minutos, reunindo músicas gravadas ao vivo em ensaios e sessões de home studio.
Batemos um papo com ele pra saber um pouco mais sobre o suas produções, a cena de São Paulo e os artistas que ele tem curtido ouvir nos últimos tempos. 
Me conta um pouco mais sobre como funciona seu processo de composição.
Meu processo acontece por impulso, guiado por uma idealização de onde eu gostaria de performar aquilo que estou produzindo. Geralmente começo e termino minhas músicas no mesmo setup que utilizarei para tocá-las ao vivo, atualmente uma Akai MPC 1000, uma Roland TB-03 e um série de pedais de efeito e distorção.
Não consigo passar tanto tempo em meu home estúdio, então busco energia nesta vontade constante de levar meu processo de composição para lugares além da minha zona de conforto. Pra mim não existe uma distinção clara entre meu momento de criação e a ocasião de apresentação. Tudo se baseia no propósito da performance, é daí que vem o nome deste disco. Minhas melhores produções surgiram de sessões ao vivo, uma busca por um som que aconteça.
Busco energia nesta vontade constante de levar meu processo de composição para lugares além da minha zona de conforto.Akin
Este EP tem sonoridades que passeiam pelo house, garage, acid, funk e techno. Quais foram tuas inspirações musicais para este trabalho?
Durante muito tempo tentei fazer minha música soar como algo pertencente a uma cena ou lugar. Ouço muita coisa e me sinto inspirado por uma infinidade de gêneros musicais, mas nunca funcionou comigo replicar algo que me inspira. Apesar do Jams ter uma inclinação pra pista de dança, no período em que o produzi tentei evitar ao máximo o contato com sonoridades semelhantes. Isto iria me travar em etapas de produção e eu não queria que o disco tivesse uma direção musical única. Meu maior estímulo na composição deste trabalho foram as trocas e vivências ao lado de amigos e pessoas que acompanharam meu processo de produção nos últimos meses. O mérito de reunir, organizar e compilar parte de minhas faixas em um formato físico atribuo ao Domina, selo que desde o início estimulou e acreditou no meu trabalho artístico.
A cena noturna e musical de São Paulo mudou completamente de uns anos pra cá, e você, sendo produtor de música e de festas, acompanhou tudo de perto. Como você vê a cena hoje em dia? O que acha que mais mudou de lá pra cá?
Apesar de todos os entraves em termos uma cena estabelecida e auto-suficiente por aqui, acho que estamos em um momento positivo. Os artistas, núcleos, coletivos, espaços autônomos e selos independentes ainda enfrentam uma grande dificuldade em viver de sua própria arte, mas independente disso, o nível de produção nacional aumentou consideravelmente, dos trabalhos autorais à curadoria e produção de eventos. É perceptível um senso comum de busca por uma profissionalização em um ambiente ainda amador em termos de paridade, estrutura e remuneração.
Do lado negativo, vejo que grande parte do cenário atual ainda esbarra em questões estruturais que minam sua evolução e crescimento, perpetuando uma falta de espaço e reconhecimento de mulheres, gays e negros como parte essencial na construção de uma cena eletrônica de maior relevância e representatividade.
Indique algumas músicas (ou artistas) que você tem escutado muito no momento e acredita que todo mundo deveria conhecer.