Fórmula 1
Alonso em Indianápolis! Veja outros nomes da F-1
Em má fase com a McLaren na Fórmula 1, o espanhol vai trocar Mônaco pelas 500 Milhas de Indianápolis
A McLaren pegou todo mundo de surpresa ao anunciar que Fernando Alonso vai “faltar” no GP de Mônaco de Fórmula 1 para disputar as 500 Milhas de Indianápolis. Porém, a troca é apenas de categoria. O espanhol vai defender a própria equipe, que volta às pistas da Indy depois de 38 anos.
Como acontece há muitos anos, as corridas de Mônaco e Indianápolis são disputadas no mesmo fim de semana. Em 2017, estão marcadas para o dia 28 de maio.
Porém, nem sempre foi assim. Embora tivesse um critério de pontuação diferente, as 500 Milhas já fizeram parte do calendário da Fórmula 1 durante onze temporadas, de 1950 a 1960.
Alonso (que já venceu duas vezes em Mônaco) vai pilotar nos Estados Unidos um carro que leva o nome da equipe McLaren, também equipado com motor Honda, mas preparado pela Andretti, de Michael Andretti, ex-piloto da McLaren (foi companheiro de Ayrton Senna). Confuso, né? Pois é, já já a gente entende melhor.
O chassi é um Dallara DW12.
O espanhol confessou que sempre quis participar das 500 Milhas e que assiste com frequência ao campeonato da Indy. Com o intuito de evitar qualquer boato, Alonso se antecipou e confirmou sua presença no GP do Canadá, a etapa seguinte ao GP de Mônaco.
Eu assisto muitas corridas da Indy pela TV e online. Vai ser um desafio, sei que preciso ter muita precisão para pilotar carros que andam a mais de 300 km/h.
A equipe McLaren venceu duas vezes as 500 Milhas como equipe: em 1974 e 1976, com Johnny Rutherford.
E em 1972, a Penske com chassi McLaren venceu a prova com Mark Donohue.
No ano passado, a tradicional prova das 500 Milhas completou sua 100ª edição e o vencedor foi Alexander Rossi, que será um dos adversários de Fernando Alonso no mês que vem (além de companheiro na estrutura da Andretti).
A notícia de que o piloto asturiano vai participar das 500 Milhas nos fez de lembrar casos semelhantes que aconteceram ao longo da história. Portanto, preparamos uma lista de algumas das histórias mais legais desse intercâmbio.
Alberto Ascari
Como estava indo muito bem na Europa, Enzo Ferrari forneceu um carro a Alberto Ascari para que ele disputasse as 500 Milhas de Indianápolis em 1952, o ano em que conquistou seu primeiro título na F-1 pela escuderia de Maranello. Porém, após 40 voltas o italiano teve de parar por problemas mecânicos.
Jim Clark
Nos anos 1960, construtores e pilotos da F-1 adoravam se aventurar em provas de resistência, F-2 e, vez ou outra, competições norte-americanas como as 500 Milhas de Indianápolis. Com a Lotus e Jim Clark não foi diferente. Clark marcou presença em muitas aventuras fora da F-1 ao lado de Colin Chapman, incluindo cinco inscrições na Indy 500, vencendo a edição de 1965, mesmo ano em que conquistou seu segundo título na Europa.
Jackie Stewart
Outra fera europeia a cruzar o Atlântico para correr foi Jackie Stewart. Ainda como promessa da BRM, o escocês participou de três etapas da USAC entre 1965 e 1966. Duas delas foram edições das 500 Milhas.
Graham Hill
Único detentor da Tríplice Coroa do automobilismo (título não oficial dado ao piloto que vence as 500 Milhas de Indianápolis, as 24 Horas de Le Mans e o GP de Mônaco de F-1), Graham Hill foi um pouco além de fazer só as 500 Milhas na USAC.
Assim como Stewart, o inglês defendeu a equipe do empresário John Mecom nas 200 Milhas de Fuji de 1966, terminando em quinto lugar. Em Indianápolis, fez três largadas (1966 a 1968), além de uma desconhecida tentativa frustrada de alinhar no grid da edição de 1963.
Jochen Rindt
O único campeão póstumo da F-1, Jochen Rindt tentou conquistar vitórias no templo dos ovais duas vezes. A primeira foi em 1967, quando competia pela Cooper e ingressou na Indy 500 através da AAR, a mesma escuderia de Dan Gurney.
Após um mês de muitos problemas mecânicos no chassi Eagle Mk2, o austríaco não passou da 32ª e penúltima posição no grid e abandonou a prova na 108ª volta devido a uma falha nas válvulas de admissão.
Na temporada seguinte, repetiu a dose ao representar o time oficial da Brabham: largou em 20º e sofreu uma quebra de pistão logo na quinta volta.
Bobby Unser
A história enfim se inverteu.
Neste caso estamos falando de um bicampeão da USAC que compareceu a etapas esporádicas da F1. Em 1968, logo no ano de seu primeiro título e da primeira de suas três coroas em Indianápolis, Bobby Unser fez um acordo para defender a BRM nos GPs da Itália e Estados Unidos.
No primeiro, mal teve oportunidade de conhecer o problemático P126 e acabou ficando de fora da prova. No segundo, arrumou um 19º lugar no grid de largada, mas viu o gostinho de participar de um GP pela primeira vez acabar logo na 11ª volta, junto com um estouro de motor.
Mario Andretti
Outro maluco que gostava de conciliar várias competições diferentes em uma mesma época era Mario Andretti. Campeão da F-1 em 1978, da USAC em 1965, 1966 e 1969, e da Indy (já devidamente renomeada) em 1984, o americano mais bem sucedido do automobilismo em termos mundiais disputou páreos simultâneos nas duas categorias em nada menos do que oito temporadas.
Emerson Fittipaldi
Um dos ícones da nossa história esportiva, Emerson Fittipaldi foi o primeiro brasileiro campeão mundial de Fórmula 1 e em outras categorias importantes do automobilismo internacional, como a Indy. Fittipaldi conquistou dois títulos na F-1, em 1972 e 1974, foi campeão na Fórmula Indy em 1989 e venceu duas vezes as 500 Milhas, em 1989 e 1993.
O brasileiro é o único piloto da história que tornou-se bicampeão de F-1 e das 500 Milhas.
Nelson Piquet
Nelson Piquet estreou na Fórmula 1 em 1978 pela equipe Ensign, McLaren e posteriormente pilotou para a Brabham. Piquet foi vice-campeão em 1980 e em 1981 faturou seu primeiro título. O segundo veio em 1983 e a terceira coroa em 1987, quando Piquet superou seu companheiro de equipe Nigel Mansell.
Piquet se aposentou no final de 1991 e em 1992 decidiu correr as 500 Milhas com um Lola-Buick da equipe Menards.
Porém, em um dos treinos, um furo no pneu fez o carro rodar a toda velocidade na curva 4 e bater contra o muro de proteção do circuito. Piquet sofreu traumatismo craniano, lesão torácica e fraturas múltiplas nas pernas e nos pés. Teve de fazer várias cirurgias de reconstrução dos membros inferiores, que deixaram sequelas que obrigariam o brasileiro a abandonar as categorias de monopostos.
Mas como todo piloto teimoso e corajoso, Piquet voltou a Indianápolis para a corrida de 1993, pela mesma equipe, só pra mostrar que estava vivo e encarar a curva 4 de frente de novo. Porém, foi obrigado a abandonar por problemas de motor.
Nigel Mansell
A história mais famosa certamente é a de Nigel Mansell. Campeão da Fórmula 1 em 1992 pela Williams, Mansell não teve o contrato renovado e acabou sem equipe para a temporada seguinte. Sem acordo com Frank Williams, começou a procurar outras opções.
A principal delas: assinar com a Newman-Haas, importante equipe da Indy.
Mansell assumiu a vaga de Michael Andretti, que curiosamente fez o caminho contrário: foi da Indy para a Fórmula 1 para ser companheiro de Ayrton Senna na McLaren. A mudança acabou dando força à categoria europeia, que temia a concorrência dos norte-americanos. Afinal, enquanto Mansell foi campeão, Andretti sofreu para se adaptar e deixou a F-1 antes do término da temporada.
Em 1993, o inglês venceu cinco provas e liderou grande parte das 500 Milhas de Indianápolis, prova em que chegou em terceiro lugar. No ano seguinte, Mansell não repetiu o sucesso e foi oitavo na temporada; curiosamente, ele venceu o GP da Austrália de F-1, já aos 41 anos (foi chamado para substituir Senna na Williams).
Rubens Barrichello
Recordista de corridas disputadas na Fórmula 1, Rubens Barrichello começou em 1993 com a equipe Jordan e encerrou sua carreira na Williams em 2011. No início de 2012, anunciou que estrearia na Fórmula Indy pela KV Racing. Fez apenas um campeonato, terminando em 12º (e nas 500 Milhas foi 11º).
Christian Fittipaldi
Com 43 GPs disputados na conta, Christian Fittipaldi correu na Fórmula 1 pelas equipes Minardi e Arrows, de 1992 a 1994. Quando desistiu da F-1, foi para os Estados Unidos, estreando na categoria em 1995 pela equipe Walker. Neste mesmo ano foi segundo colocado nas 500 Milhas, atrás de Jacques Villeneuve, recebendo o título de melhor estreante.
Jacques Villeneuve
Mais um caso inverso: Jacques Villeneuve faturou o título da Fórmula Indy em 1995, venceu as 500 Milhas no mesmo ano e em 1996 entrou na Fórmula 1.
Estreou na Williams já cravando uma pole-position e, em 1997, derrubou Michael Schumacher e conquistou seu primeiro e único título. Com isso, Villeneuve entrou para o seleto grupo de pilotos que encerraram suas carreiras com títulos na Fórmula Indy e na Fórmula 1.
O canadense também é sócio de mais um clube, o de cinco pilotos que possuem a coroa do Mundial de F-1 e das 500 Milhas, junto com Graham Hill, Jim Clark, Emerson Fittipaldi e Mario Andretti.
Alexander Rossi
E finalmente, o "companheiro de equipe" de Fernando Alonso no mês que vem. Norte-americano, Alexander Rossi foi piloto reserva da Caterham, depois da Marussia, que virou Manor. Em 2015, Rossi estreou oficialmente na Fórmula 1 no GP de Cingapura e participou de cinco etapas daquele ano.
Em 2016, assinou com a Andretti Autosport para correr na Indy, mas continuou como reserva da Manor na F-1. Quando Rio Haryanto deixou a equipe, Rossi foi cotado para assumir o lugar do indonésio, mas declinou devido ao seu contrato na IndyCar. Em sua primeira temporada na categoria norte-americana, ele venceu as 500 Milhas largando em 11º.
Outros pilotos que merecem menção por suas passagens pelas 500 Milhas de Indianápolis são os campeões mundiais de Fórmula 1 Denny Hulme e Jack Brabham. E a nossa torcida é pra que essa lista continue aumentando. Afinal de contas, nesse intercâmbio quem ganha é o fã das corridas.








