Uma cidade se conhece olhando para cima, nunca para baixo. O chão é quase sempre igual, mas é nas paredes dos edifícios, na copa das árvores, nas pontes e no céu que cada metrópole se diferencia.
São Paulo segue à risca essa ideia e mostra que não é feita apenas pelo cinza das avenidas, mas também por diversos achados que reúnem alguns dos principais ícones da arquitetura moderna brasileira. Pouco conhecidas, essas construções prometem mostrar outra cara de esse-pê durante esse rolê virtual. Vem com a gente!
Vila Mariana
Começando pela Vila Mariana, nosso passeio tem duas paradas de peso: a Casa Modernista da Rua Santa Cruz (Rua Santa Cruz, 325), projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik, em 1928; e a Igreja São Bonifácio, com sua fachada angular que chama a atenção de quem passa pela Rua Humberto I. O projeto da igreja data de 1965 e é assinado pelo arquiteto Hans Broos.
Jardins
Ninguém lembra muito de passear pelo Jardim Europa, mas esse bairro guarda diversas construções modernistas, como o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), um projeto de 1995, assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que fica na Av. Europa, 218. Outro ponto que merece uma passada é a residência de Castor Delgado Perez (Av. Nove de Julho, 5170), obra de 1959, do arquiteto Rino Levi.
Já que estamos nos Jardins, bora esticar o rolê até o Jardim América para olhar de perto o Clube Atlético Paulistano (Rua Honduras, 1400). O projeto foi feito à quatro mãos em uma colaboração entre os arquitetos Paulo Mendes da Rocha e João De Gennaro, em 1961.
Pinheiros
Saindo dos Jardins, partimos para Pinheiros (Rua Henrique Schaumann, 777), onde a Biblioteca Alceu Amoroso Lima nos recebe com toda sua graça modernista. O projeto do José Oswaldo Vilela data de 1979, mas continua surpreendendo com suas formas geométricas.
Centro
O Centro paulista não é apenas cheio de gente, mas também repleto destes pequenos tesouros arquitetônicos que só quem anda pela cidade olhando para cima irá reconhecer. Que tal começar pela Galeria Metrópole (Av. São Luís, 187)? Idealizada em 1964 pelos arquitetos Salvador Candia e Gian Carlo Gasperini, continua sendo uma construção bastante atual.
Mais conhecida de quem não dispensa o transporte público, a Estação São Bentodo metrô (Largo de São Bento, 109) foi erguida em 1975, pelo arquiteto Marcello Fragell. E, após a requalificação do Vale do Anhangabaú, ele também pode ser considerado uma obra modernista estampando a paulicéia desde 1981, graças a uma união entre os arquitetos Jorge Wilheim, Rosa Kliass e Jamil Kfouri.
Campo Belo
Pra finalizar esse rolê, a gente dá um giro no Campo Belo, onde é impossível não sonhar com uma casa igual à da artista Tomie Ohtake. Localizada na Rua Antônio de Macedo Soares, 1800, a obra é de Ruy Ohtake e data de 1970 - veja as fotos da construção aqui.
Provando que arquiteto que se preze tem uma casa que merece entrar nessa lista, a segunda residência de Vilanova Artigas figura como uma das paradas obrigatórias para se explorar o modernismo arquitetônico paulista no Campo Belo. Construída em 1959, ela fica na Rua Barão de Jaceguaí, 1151 e não poderia ser mais maravilhosa.