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As 20 melhores músicas do Radiohead

Uma listinha enquanto o nono álbum do Radiohead não chega
Escrito por Yu-Cheng Lin
9 min de leituraPublished on
Radiohead

Radiohead

© David Wolff-Patrick/Getty Images

Tá chegando a hora. Pode ser hoje mesmo ou daqui uma ou duas semanas, o nono álbum do Radiohead vem aí!
Depois de todo o mistério, de todo o joguinho de marketing, eles soltaram ontem uma música nova, “Burn The Witch”, que deve estar no novo álbum.
Boa, né? Bom, pelo menos por aqui ela gerou uma ansiedade gigante. Tanto que fomos revistar todos os motivos pelos quais amamos essa banda. E não tem jeito melhor de fazer isso do que com uma boa lista, certo?
Lidar com o Radiohead não é moleza. São mais de 20 anos de história e uma discografia ampla e diversa. Mas encaramos o desafio criando um conceito claro do que é o “melhor”: um mix de favoritas dos fãs e favoritas da crítica combinadas com o meu gosto pessoal e as minhas próprias escolhas, afinal, a lista é minha.
Outra regra era ter pelo menos uma música de cada álbum na seleção e respeitar a importância musical e cultural das músicas. Tudo isso não deixou o trabalho mais fácil, mas aí estão as 20 melhores músicas do Radiohead. Concorda ou não?

20. "Creep"

Vamos começar essa lista com a música que deu início a carreira do Radiohead. Colocar a “Anna Júlia” dos caras aqui não é uma piada, acredite. Sim, a música foi feita do jeitinho que o começo dos anos 90 pedia, mas hoje é fácil perceber que os ruídos da guitarra de Jonny Greenwood antes do refrão, o vocal de Thom na ponte (“She run, run, run, run") e a letra sobre alienação dão todos os sinais de que o Radiohead iria avançar na experimentação musical. Não falei que é a “Anna Júlia” deles?

19. "True Love Waits"

“True Love Waits” nunca teve uma versão de estúdio lançada, mas é está no hall dos clássicos do Radioheas. Isso diz muito sobre seus fãs e sobre eles mesmo. Além dessa curiosidade, temos aqui um dos momentos mais frágeis, do ponto de vista lírico, de Yorke. Faz todo sentindo que ele quase sempre leve ela ao vivo sozinho no violão. Quem sabe um dia eles não gravam ela de vez, né?

18. "Just"

Perto do que eles fizeram depois do “The Bends”, é fácil esquecer o quanto “Just” é bizarra com sua dinâmica estranha e cheia de mudanças. E ainda tem o solo de guitarra do Jonny Greenwood que estraçalha qualquer convenção. O clipe é ótimo, já viu?

17. "Fake Plastic Trees"

Essa todo mundo conhece, até quem nunca ouviu ela. Sabe o motivo? Porque “Fake Plastic Trees” é a música bombástica, emocional e vendável que todas as cópias baratas do Radiohead tentaram recriar por mais de uma década. Obviamente, ninguém chegou perto do resultado único de “Fake Plastic Trees”, nem mesmo o Radiohead, que optou por se afastar cada vez mais de um som açucarado. Quer dizer, é sempre bom lembrar que a letra dessa balada não é nada doce.

16. "There There"

Curioso que o Radiohead encontre um “groove” tão particular em “There There”, uma faixa que homenageia ritmicamente o Can. Guiada pela batida nos tons e um riff crocante de guitarra, é uma das faixas mais discretas de "Hail to the Thief” e entrega um dos melhores versos que Thom já fez: "Just 'cause you feel it, doesn't mean it's there”.

15. The Tourist

Você não vai encontrar “The Tourist” em muitas listas desse tipo, afinal ela não é muito "celebrada" e “importante” quanto tantas outras faixas. Mas ela está aqui por ser uma linda música em slow-motion onde Yorke clama por desaceleração: “Hey man, slow down, slow down, idiot, slow down”. Um gesto poético em um mundo cada vez mais hiperativo. A cada minuto essa música fica mais relevante. Ah, bom lembrar que essa é do Jonny Greenwood.

14. "Lotus Flower"

"Hotline Bling".... Prefiro "Lotus Flower" e a dancinha do Thom. Mas diferente do Drake, de olho no poder dos memes, a intenção aqui passava longe de uma mera jogada para conseguir um hit, vai. “Lotus Flower” nem foi single. Se bem que acabou indo para as paradas, conseguiu indicações ao Grammy e virou uma queridinha dos fãs. Pesa o fato de que ela tem um dos refrões dos mais bonitos e está justamente um disco pouco inspirado nesse quesito.

13. "Exit Music (For a Film)"

Se você quer mostra para alguém a versatilidade da voz de Thom Yorke, não tem música melhor que “Exit Music (For a Film). Na faixa, que apareceu originalmente em um versão diferente nos créditos de “Romeu + Julieta” em 1996 - Thom vai do seu tom habitual até a ponte, onde sua voz lentamente sobe alguns tons para o catártico climax da música. Música apropriada para uma tragédia.

12. "Pyramid Song"

É a faixa mais emocional, no sentindo convencional da palavra, das sessões do "Kid A"/"Amnesiac”. "Pyramid Song" também foi o primeiro single do Radiohead desde o OK Computer ("Kid A" não teve singles). Levada no piano, é uma canção sem lar: era tocada antes do "Kid A", mas não entrou no disco e acabou jogada no "Amnesiac". Sem falar no seu tempo musical pouco convencional que produz a sensação de deslocamento e desenraizamento. É o Radiohead arrebatador como nunca.

11. "Treefingers"

A insistência da mídia com a falta de guitarras em "Kid A" sempre foi meio exagerada. Em "Treefingers ", por exemplo, a notória faixa instrumental do disco, Yorke usa como sample um loop de guitarra de Ed O'Brien. Mesmo que os desmamados do rock alternativo tenham seus problemas para sacar o vocabulário musical usado ali, a faixa continua sendo uma das mais ousadas do Radiohead. Não foi feita só pra ouvir, é pra sentir o som dela.

10. "I Will"

Conhecida por aparecer pela primeira vez no doc. "Meeting People Is Easy", esta é uma pequena e sombria faixa gravada de um jeito enxuto em "Hail to the Thief”. Em qualquer uma das versões, mostra a maestria incrível de Yorke em trabalhar a harmonia e melodia.

9. "Talk Show Host"

Outra faixa que envolve o filme “Romeu + Julieta”, embora também tenha sido lançada como B-side no single de “Street Spirit”. Ou seja, conquistou os fãs pouco antes do lançamento de "OK Computer". Mesmo já com 20 anos de idade, é impressionante como a sonoridade dela continua nova. É uma música que não faria feio se estivesse no “The King Of Limbs”, de 2011.

8. "Bloom"

O Radiohead tem um certo talento para escolher a primeira faixa de seus discos. Pense em “You”, em “Planet Telex”, em “Airbag” e em "Everything In Its Right Place". Mas com a levada hipnótica, "Bloom" dá um tom para "The King of Limbs" que acaba não sendo acompanhado pelo resto do disco. Destaque para a linha de baixo expecional de Colin Greenwood aqui, repara só.

7. "Pearly*"

Outro b-side incrível que ganhou moral especialmente pelas versões ao vivo, onde fica mais poderosa ainda. A conclusão brutal da música é precedida por um único momento de alívio: um falseto de Yorke sob a distorção das guitarras, um som limpo em uma música barulhenta.

6. "How to Disappear Completely"

Essa talvez seja a música mais acessível do "Kid A” e tem um grande significado para a banda. Para Yorke, profudamente pessoal, já que a letra vem em parte de um conselho que Michael Stipe lhe deu durante a turnê do "OK Computer" para lidar com o estresse da fama ("Eu não estou aqui / Isso não está acontecendo"). Para Jonny Greenwood, o arranjo de cordas, que o levou direto para as trilhas sonoras de diretores como Lynne Ramsay e Paul Thomas Anderson. Falei de como "How to Disappear Completely" é impressionante?

5. "Street Spirit (Fade Out)"

Linda e sombria de uma maneira quase opressiva, “Street Spirit” encerra muito bem a evolução da banda registrada em “The Bends”. É aqui que o Radiohead entra de vez na turma de artistas que merecem uma atenção especial. É um reset que dá espaço para o tremor que "OK Computer" causaria no mundo da música.

4. "Kid A"

Igual “The Tourist”, “Kid A” não é uma grande favorita dos fãs, mas é a primeira faixa deles que demarca claramente um novo jeito de lidar com os vocais. Se uma das missões de Yorke era destruir a persona criada em "OK Computer", meus parabéns. Fora o lance do Ondes Martenoti, do improviso. Temos aqui um dos momentos mais experimentais do Radiohead. É louco pensar que o John Mayer tenha feito uma versão pra ela.

3. "Nude"

“Nude” é uma música que alguns sortudos tiveram a chance de ouvir ainda na turnê do “Ok Computer”. No fim das contas, ela chegou até aparecer no documentário “Meeting People Is Easy”. Dez anos depois, finalmente surgiu oficialmente em “In Rainbows”, com um toque diferente, com mais groove. Quer sacar o poder dela? Escuta essa versão só com voz e violão...

2. "Paranoid Android"

Nada em “Paranoid Android” - o primeiro single de “OK Computer” - é fácil: profusão de acordes, diferentes partes, narrativa pouco clara, melodias estranhas. Fora que ela é enorme. Mas por conta de tudo isso, é uma das melhores músicas do Radiohead. “Paranoid Android” destruiu as expectativas dos fãs mais ocasionais com o grupo. Forte para a época, segue forte até hoje.

1. "Idioteque"

De algum jeito, o Radiohead transformou um pequeno sample de uma música experimental do compositor Paul Lansky em sua melhor música. A faixa, levada por um violento beat eletrônico, usa imagens de uma trágica mudança climática para falar do fim dos tempos. O medo, nojo, ganância e confusão de tal futuro se misturam com todo o ruído musical sem a menor cerimônia. "Idioteque” mostra, não diz. É uma das mais urgentes canções do fim do segundo milênio.

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