Surf

Conheça Avalanche, uma das maiores ondas do Brasil

© @gh.Images
Este pico monstro no Espírito Santo vai deixar você de boca aberta
Escrito por Maíra PabstPublicado em
*Atualizado em maio de 2020
Imagine só uma avalanche. Uma queda rápida e repentina de grandes massas de neve montanha abaixo. Pois é isso que se vê no Espírito Santo, no local batizado pelo fenômeno, só que em vez de neve, água. Uma montanha de água despencando sobre uma rasa bancada no meio do oceano, um pico que faz jus ao nome.
A cinco quilômetros da Praia da Costa de Vila Velha fica o afloramento de terra onde quebra a Avalanche, onda que foi apontada como a maior onda do Brasil depois da expedição de Lucas Medeiros e dos irmãos Ian e Caio Vaz, em 2019. Foi Ian, que hoje é também designer, quem encarou a mais monstruosa delas, com 5 a 6 metros de altura. Caio auxiliou pilotando o jet ski de resgate.
Conhecida pelos pescadores locais como Baixo do Pacotes, a laje faz parte de um arquipélago de três ilhas mais a bancada que seria uma quarta ilha submersa, segundo eles. "Imagine que no entorno a profundidade é de mais de mil metros, e de repente ela cai para quatro metros", explica Lucas Medeiros. A mudança de profundidade faz com que grandes ondulações de sudeste/leste quebrem na bancada de forma violenta.
"Eu e o Ian nunca tínhamos surfado lá. A onda costuma ser curta e grossa, mas domingo, de tão grande que estava, algumas ondas quebravam atrás da laje e rolava o tubo na segunda seção. Estava incrível", conta Caio.
Junto com a equipe NXF Bodyboarders, dos caras que desbravaram o pico inicialmente e que sempre estão por lá colocando para baixo, os surfistas planejaram a expedição ao ver os gráficos das previsões, mas quando chegaram lá viram que estava realmente grande, maior do que imaginaram. "Essa foi a oitava vez que surfei ali", diz o local Lucas, "Mas nunca vi nada parecido com o que estava rolando naquele dia", fala.
"Quando cheguei para surfar lá, achei que seria muito parecido com a Laje de Ipanema, por ser uma onda de pico, curta e grossa. Mas logo na minha primeira onda vi que o buraco era bem mais embaixo", conta Caio Vaz, "A onda rola um tubasso na primeira seção, muito grosseiro, e depois algumas fecham bizarramente, que foi o que rolou na minha primeira onda."
Na ocasião, Ian Vaz pegou uma onda que já é apontada como a maior já surfada no Brasil. "Toda a vez que vejo a foto da onda que surfei, acho bizarro. Quando voltei para o Rio, acordei no dia seguinte e tive que olhar o instagram de novo para ter certeza que não tinha sido sonho", contou Ian. "Com certeza nunca tinha pensado que surfaria uma onda dessas no Brasil, quando estávamos lá, antes de entrar assistimos várias ondas, mas como não tinha ninguém surfando, não tínhamos referência do real tamanho. Fiquei muito feliz de ter conseguido surfar essa onda e pelo que ela se transformou."
Com certeza é uma das maiores ondas do Brasil ou, talvez, a mais sinistra. É difícil fazer a medição correta. Principalmente porque ela não tem um formato simples. Mas onda do Ian foi rara, ele está de parabéns!
Carlos Burle
Com a bancada rasa, coberta por cracas afiadas e com a 'Avalanche' vindo sobre a sua cabeça, a vaca ali pode ser bem sinistra. "Todos nós tomamos caldos bem duradouros, porque a bancada é rasa e depois fica muito fundo, então você pode demorar bastante a subir", explicou Caio.
Que o diga Lucas Medeiros que tomou a vaca da vida e quase ficou duas ondas embaixo. "Entrou uma onda enorme, e eu pedi para o Ian me puxar. Mas as condições estavam bem extremas, a bancada estava bem seca e formou aquele tubo enorme. Minha prancha acabou entrando com o bico na parede e eu voei lá de cima. Sem dúvidas, foi a vaca da minha vida. Fui sugado pela onda e arremessado na bancada. Eu estava com bastante colete, mas mesmo assim demorei muito a subir. E quando subi, só tive tempo de respirar e tomar outra onda enorme na cabeça. Ainda bem que o Ian conseguiu me resgatar antes da terceira", contou.
Enquanto uns debatem sobre o tamanho da onda, Caio afirma: "Com certeza a onda mais pesada que eu já surfei no Brasil. Há alguns anos venho explorando lajes por aqui e nunca vi uma quebrando com o tamanho e intensidade desse dia que pegamos na Avalanche."
O tamanho e as condições dessa sessão de surfe em 2019 foi surpresa para toda a comunidade do esporte. Vários sites internacionais postaram as imagens desse dia épico no Espírito Santo. Mas para Caio, muita coisa está por vir. "Acho que o pico tem potencial de quebrar melhor do que esse dia. Pegamos altas ondas, mas o surf durou pouco. Logo a maré encheu e a onda começou a ficar muito insurfável". Será que é possível vermos uma Avalanche ainda mais furiosa? Só o tempo dirá.
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