MTB
Bike Frankenstein: cargueira funcional e estilosa
Na série sobre bicicletas customizadas e com personalidade, conheça a versão de carga da B&C Cycles
Na série de reportagens “Bike Frankenstein” apresentamos modelos de bicicletas customizadas feitas no Brasil que destacam-se pelo design ou funcionalidade. O objetivo é revelar modelos estilosos e criativos, com isso, buscamos inspiração no romance literário "Victor Frankenstein", criado em 1818 sobre um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório.
No caso da Bornia & Cox Cycles o "laboratório" cria belas obras cicláveis. Pedro Bornia e Tom Cox são dois amigos e sócios que constatemente inventam coisas. A recente criação é uma cargueira, uma bike com chassi alongado concebida para carregar grandes volumes.
“Acredito que começamos a fazer este tipo de modelo “Long Tail” (traseira longa) – ludicamente chamada nas internas de “Carga Nela” – por causa de um pedido de um cliente que precisava transportar outras bikes, por que ele trabalha com reformas de quadros e não tem carro. Ou seja, era uma “long tail” com suporte para carregar duas bikes, as rodas e espaço para alforges de bagageiros nas laterais,” conta Pedro Bornia, que cuida da parte da solda na pequena fábrica e oficina de bikes da “B & C Cycles” situado no Alto de Pinheiros, na zona oeste da cidade de São Paulo.
O primeiro projeto foi realmente uma experimentação.
“O primeiro projeto foi realmente uma experimentação. a gente pegou alguma informação na internet e usou nosso gabarito para fazer o maior modelo possível. Nós não ficamos 100% satisfeitos com o resultado, mas depois de um ano que esse cliente estava usando a bike, chamamos ele aqui e fizemos outro quadro para ele utilizando um gabarito para long tail, criando uma bike cargo de verdade,” acrescenta Tom Cox, sócio-fundador da marca há dois anos .
Cauda Longa
A bicicleta cargueira feita por Bornia & Cox caracteriza-se pelo quadro com uma parte traseira bastante alongada – long tail. Em comparação com um modelo convencional, o triângulo traseiro da cargueira é do dobro do tamanho de uma bicicleta comum.
“A cargueira tem um chainstay (rabeira) com aproximadamente 90 centímetros de comprimento, para poder acomodar uma carga de 80 a 90 quilos, enquanto uma bike normal tem em média 45cm,” acrescenta Pedro.
Utilitária
Sem nome definido, já que batismo é geralmente feito pelo próprio cliente, essa cargueira em destaque é a número #4 nesse estilo produzido pela dupla de artesões da bicicleta.
“A característica desse projeto específico foi encomendado para o cliente carregar qualquer tipo de coisa dentro dos 80 quilos de capacidade máxima. Ele quer carregar pessoas, alforges, compra de supermercado, a ideia é suprir a demanda diária. É como se fosse uma pick-up utilitarian,” explica Pedro.
Existe no Mercado outros modelos de bikes cargueiras que utilizam a parte frontal para transporte de carga, mas o pessoal da B&C trilhou o caminho natural da “long tail”. “A partir do primeiro projeto de carregar bicicletas, estudamos as possibilidades e acreditamos que a melhor solução era utilizar a parte traseira. Com isso, fomos elaborando os projetos tornando-se um caminho natural do uso alongado do triângulo traseiro. Nunca foi uma decisão que “nós não vamos fazer uma cargueira utilizando a parte frontal.” Foi realmente uma necessidade e vem tendo uma boa aceitação. Já fizemos modelos com rodas aro 700, mas preferimos montar com rodas aro 26 polegadas, pois conseguimos deixar a bike mais baixa, graças ao centro de gravidade, com isso ela fica mais estável para pedalar. Outra característica é que optamos com fazer uma bicicleta mais convencional no modo de direção, com o controle do guidão direto sobre o movimento da roda, o que no caso de uma cargueira tipo Bullet (carga frontal) não é possível, pelo fato da roda dianteira ficar bem distante com uso de outro eixo,” comenta Tom.
Diferenciais
Quando pensamos nas bikes feitas para carregar coisas, o modelo mais visto por aí é das bicicletas com formato tradicional, tipo “Barra Forte” com roda aro 20’’ na dianteira e aro 26’’ na traseira, equipada com robustos bagageiros, usados comumente para carregar galoões de água e caixotes. No caso da Bornia & Cox, a “cargueira” diferencia-se pelo desenho do quadro alongado, como já citado, e seus componentes.
“Nossa cargueira é projetada para pedalar na cidade, ruas esburacadas, feita para subir e descer da calçada, mesmo que seja mais alta, passar uma lombada em que forme aquela gangorra,” descreve Pedro. “Outra vantagem é a pilotagem nessas condições. Ela diferencia-se pela dirigibilidade, não é uma bike muito ágil, mas ela é totalmente estável, principalmente com carga. Por isso usamos um pneu mais largo, tamanho 2.1 e até um pouco de cravo na roda 26’’ para evitar dar aquela batida no aro e furar o pneu. Com isso ela torna-se até mais versátil e o ciclista pode até andar com ela na terra que estará bem servido,” complementa Tom. “O bagageiro fica na parte da roda traseira, justamente para a bike não empinar. O ciclista fica projetado mais para frente.”
“A bike está montada com grupo Shimano Altus/ Acera com 27 velocidades e freios a disco hidráulicos. Mas as peças tudo depende do que o cliente deseja. Mas muitas vezes as sugestões parte de nós mesmo, pois analisamos o tipo de finalidade de uso e sugerimos as peças. Em São Paulo, por ser uma cidade de topografia acidentada, sempre sugerimos o uso de várias velocidades, até mesmo para a pessoa conseguir encarar uma ladeira com a bike equipada”, comenta.
Curiosidades
A cargueira em destaque utiliza uma corrente mais extensa e um tensionador da corrente. “Como a bike é muito longa, ela necessita de dois pacotes de corrente, o que deixa ela pesada, por isso temos que usar um tensionador de corrente, para manté-la sempre esticada e com funcionamento perfeito,” aponta Pedro.
A parte de bagageiro também é feita sob medida. “Cada projeto vamos aprendendo alguma coisa nova,” imenda Tom. “O cliente, às vezes, deseja instalar um tipo de cadeirinha ou alforje de determinada marca, e sempre fazemos aquilo para é pedido,” afirma Pedro.
“Uma facilidade que temos é ter uma oficina no mesmo local. Como já mexemos há muito tempo com bicicletas, antes de levar o modelo para pintura, sempre montamos a bike e testamos, fazendo os ajustes quando necessário,” diz Tom que depois de trabalhar por muitos anos na Caloi, abriu o negócio próprio fazendo serviço em mountain bikes de competição na garagem de casa.
A cargueira do Bornia & Cox foi montada com uma tubulação de aço liga 1020, sistema de iluminação acionado por dinâmo da Shimano Alfine, cavalete de sustenção e guidão levemente curvado para trás.
Passo a passo
Bornia & Cox customiza quase todo tipo de bicicleta, um processo que leva em media de cinco semanas.
“Sempre fazemos uma entrevista com o cliente. Às vezes, a pessoa já tem uma ideia do que ela quer, em outras situações, durante a conversa, fazemos as sugestões com base no nosso conhecimento. Depois disso, fazemos um bike fit para saber as medidas do quadro, montamos a lista de peças que o cliente deseja, que vai depender muito do próprio orçamento que ele dispõe, e por fim, falamos sobre os detalhes do acabamento, escolha das cores e/ou qualquer outro detalhe que a pessoa possa querer, como o tipo sanguínio, um desenho, nome do filho etc.”
Os construtores fazem diversos modelos de bikes. Como a cargueira é um modelo especial, ela ultrapassa o prazo de produção normal. Ela levou em torno de seis semanas para ser feita, com custo aproximado de 2.800 reais (quadro e garfo). A bike completa soma cerca de cinco mil reais.
Mas os modelos mais comercilizados são as bikes fixas e single speed (monomarcha). Para ter uma referência, são quadros a partir de 900 reais (aço nacional) e dois mil reais em cromo-molibidênio (importado).
“A nossa divulgação sempre foi no boca a boca, com objetivo de dar conta da demanda. Temos um prazo de 5 semanas para entrega de cada bicicleta. Fazemos duas bikes por semana. Nosso processo sempre vai ser artesanal, mas estamos passando um processo de reformulação para expander nossa produção sem perder a característica da bike feita à mão.”
Outros projetos
“A cada novo projeto são novos desafios. Numa entrevista, depois de determinar o tipo de bicicleta, fazemos perguntas para saber se a pessoa deseja uma bike prezando o conforto ou performance. Ou seja, não existe uma geometria pré-definida para um tipo de modelo, customizamos tudo conforme à pessoa quer,” explica Tom.
“Todos os projetos são especiais e dá muito orgulho de ver cada uma de nossas bikes na rua. É muito foda poder viver fabricando bicicletas, de verdade. A gente curte muito o que a gente faz. Gosto de todas as bikes, Mas para destacar um modelo teve a “Camelo Alado” foi um projeto que tivemos liberdade de orçamento e usamos peças sofisticadas,” completa Tom.
“Gosto muito de um projeto que fizemos para uma garota, uma mountain bike touring. Tem outra muito bacana, uma speed tamanho 46, com triplo triângulo, que foi batizada de “Macaca”…” destaca Pedro, que contabilizou ter construído cerca de 130-160 bikes até hoje.
Ficou interessado?Saiba mais no site: http://borniaecox.com Fone: 11 98803-8716






