Henrique Avancini venceu o XCC em Lenzerheide, Suíça
© Bartek Wolinski / Red Bull Content Pool
MTB

Superação e regularidade: o 2021 de Henrique Avancini

Brasileiro conta detalhes de um ano cheio de desafios
Escrito por Marcelo Laguna
6 min de leituraPublicado em
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Henrique Avancini

Número 1 do mundo no MTB cross country

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2 Temporadas · 15 episódios
Um ano de superação e regularidade. Assim pode ser definida a temporada internacional do brasileiro Henrique Avancini, principal nome do País no ciclismo mountain bike. Como em uma montanha-russa, ele viveu uma série de altos e baixos em 2021, ano em que precisou até fazer uma pausa estratégica para retomar o rumo de sua preparação após alguns resultados ruins, mas por fim foi recompensando com a certeza que ainda tem muito a brilhar pelas pistas da modalidade.
“Depois de uma temporada tão difícil, termino o ano sabendo que ainda sou um cara capaz de vencer qualquer evento de MTB no mundo e vencer etapas da Copa do Mundo. A temporada se encerrou com esta sensação positiva para mim”, afirmou Avancini.
Veja o que o biker brasileiro tem a dizer em um balanço de sua temporada em 2021.

Começo complicado

Terminei 2020 vencendo a Copa do Mundo, liderando o ranking mundial e esperava manter o nível em 2021. Mas o primeiro grande desafio para mim foi que o calendário se normalizou em comparação a 2020 no mundo todo, porém a situação no Brasil seguiu muito atrasada. Geralmente começo a competir em fevereiro, faço dois trainning camps no exterior até chegar à primeira competição, mas este ano não consegui. Comecei só em abril e já estava bastante desgastado mentalmente, com alguns atritos com meu time até chegar à primeira etapa da Copa do Mundo, em Albstadt (ALE).
Henrique Avancini depois do XCO em XCO em Nove Mesto na Morave
Henrique Avancini depois do XCO em XCO em Nove Mesto na Morave
Lá fiz uma prova razoável, terminando em 7º lugar no geral, mas sabia que estavam faltando alguns elementos para ter uma temporada sólida. Porém, na etapa seguinte, em Nove Mesto na Morave (TCH), uma pista em que normalmente eu ando muito bem e onde venci no ano passado, eu tive meu pior desempenho no XCO desde 2017 [terminei em 21º lugar no geral da etapa]. Me incomodei bastante e depois desta etapa, tivemos algumas reuniões e decidimos corrigir alguns passos. Voltei ao Brasil, descansei alguns dias e comecei a refazer uma preparação para temporada. Foi basicamente uma nova pré-temporada, num ano de muita expectativa.

Decepção em Tóquio

Em junho e julho, fiquei isolado em Petrópolis e senti que fiz um trabalho muito bom. Acredito que cheguei ao melhor nível físico da minha carreira. Mas, nos Jogos de Tóquio, meu desempenho foi abaixo do esperado. Sabia que seria um risco, mas fui com a certeza e tranquilidade de que fiz o melhor trabalho. O que me deixou frustrado é que, analisando meus últimos anos, foi uma performance abaixo do que eu vinha mostrando ser capaz de entregar.
Acredito que a frustração esportiva não é algo para se jogar fora. Eu me cobro muito, mas é normal não alcançar um objetivo, ainda mais com o alto nível que estava na Olimpíada. A quantidade de atletas com chance de ganhar uma medalha nunca foi tão grande no mountain bike. Mas isso não significa que, pelo fato de eu não terminar bem na prova, vou ficar superfeliz.

Pódio no Mundial

Henrique Avancini em ação no Campeonato Mundial em Val di Sole, Itália
Henrique Avancini em ação no Campeonato Mundial em Val di Sole, Itália
Havia uma expectativa de poder disputar o título mundial no XCC em Val di Sole (ITA), porque sou o segundo atleta que mais venceu nesta modalidade e com mais pódios em Copas do Mundo, atrás somente do Mathieu Van der Poel. Como ele não estaria na prova por causa de problemas físicos, tinha esta expectativa, só que eu ainda estava tentando resgatar o meu melhor.
O objetivo era voltar a competir, voltar a ser combativo dentro da pista. Foi um título que escapou. Fiz 99% da prova muito bem em todos os aspectos, mas acabei perdendo na última curva, por causa de uma manobra que não deu certo. No final, foi o que eu poderia ter entregado naquele momento, não foi algo que me frustrou.

A volta da confiança

Na semana após o Mundial, fui para a etapa de Lanzherheide (SUI) com uma outra mentalidade, mas confiante. Foi a primeira prova no ano onde eu competi me sentindo como eu mesmo. Ganhar o XCC foi extremamente importante, foi minha quinta vitória em Copas do Mundo e talvez a mais simbólica emocionalmente falando. Fiquei extremamente feliz.
Minha postura nesta prova me deixou muito feliz, minha vitória não aconteceu por acaso. Fui construindo volta a volta e estava nítido que eu tinha tudo para ganhar. Aí, no domingo, fui para o XCO com uma cabeça diferente. Faltou um pouco na parte técnica, um pequeno problema na bike que me deu um grande desgaste físico, mas vi que estava perto dos caras. Fiquei fora do pódio, mas a 37 segundos da vitória.

Despedida em alto estilo

Para a etapa de Snowshoe (EUA), fui almejando a vitória que eu não tinha no cross country. No XCC, controlei a maior parte da prova e sabia que iria brigar pela vitória. Fiz uma prova prudente, controlada e terminei na segunda colocação atrás do Koretzky, que conquistou a primeira vitória dele nesta modalidade em Copas do Mundo e assegurou o título da temporada.
Avancini cruzou a linha de chegada com o pneu da frente no aro
Avancini cruzou a linha de chegada com o pneu da frente no aro
No domingo, no cross country, larguei buscando a vitória, toda a minha estratégia foi voltada para isso. Só que sofri uma queda no pior momento da prova e me deu o primeiro grande desgaste físico. Ainda assim, consegui me reconectar com o grupo. E na parte final da prova, onde eu me senti melhor, tive um pneu furado, foi uma sessão horrível.
É a parte do drama, é o que me faz amar tanto este esporte, a imprevisibilidade que a gente tem no MTB. Por isso, essa corrida me machucou muito no coração porque era uma vitória que eu desejava absurdamente. E como eu não sou um cara que gosta de desistir de nada, fui até o final, chegando só no aro. Isso nunca tinha acontecido comigo. Tomei alguns sustos, mas foi muito instinto. Enfim, queria terminar a prova e mantive o ritmo. Mas foi um caminho longo até a chegada (risos).

O que esperar para 2022

Depois de Tóquio, eu já comecei a reajustar muita coisa na minha carreira. Por tudo o que construí, pela minha idade, pelo potencial que ainda tenho, preciso ter as coisas alinhadas para atender as expectativas externas e as minhas também. Quero seguir competindo entre os tops da minha modalidade.
Assim, além de retomar a boa sensação dentro da pista, comecei a reajustar algumas coisas na minha carreira e isso tem me animado. Meu grande objetivo em 2022 é retomar o caminho que venho percorrendo de crescimento e conquistar resultados mais expressivos.
+ Neste episódio da série Until 18: O Momento da Decisão, Henrique Avancini conta como decidiu ser atleta e largar a faculdade de direito.
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