Chegou a hora: a última dança do Henrique Avancini
Henrique Avancini se despede das pistas no Brasil Ride, na Bahia
© Bartek Wolinski / Red Bull Content Pool
Snowshoe vai ser sua despedida da Copa do Mundo. Como você se sente em relação ao legado que está deixando, principalmente no Brasil?
Snowshoe é um evento especial pra mim. Comecei a competir fora do país nos Estados Unidos, em 2006, e fazer minha última prova internacional lá tem esse valor simbólico. Além disso, Snowshoe é um local onde sempre recebi muito apoio do público americano e da comunidade latino-americana, principalmente brasileira. Tive algumas performances excelentes lá, muito próximo da vitória em algumas ocasiões, mas não ganhei. Deixo o cenário internacional como atleta sabendo que contribuí bastante pra ampliação dos horizontes. É uma visão que o meu desempenho e o efeito da minha carreira trouxeram para a própria UCI [União Ciclística Internacional] em relação ao mountain bike. Fui o primeiro latino-americano a ser campeão mundial, a vencer uma Copa do Mundo, a ser número um do ranking mundial. Esses feitos demonstraram o quanto a comunidade, não só brasileira, mas a latino-americana como um todo, tem engajamento com esse esporte. Isso é algo de valor que eu deixo após a minha jornada.
Com MTB Festival e Brasil Ride separadas por uma semana, você chega pras duas provas com qual expectativa de resultado?
Procurei fazer a melhor preparação possível. Então, realmente levei o meu treinamento com o máximo de seriedade, como se fosse uma grande prova estratégica para mim. Chego nesta reta final em boa forma. Sobre expectativa de resultado, é algo difícil de projetar, porque a situação envolve emoções diferentes e novas. Pode ser que isso se torne algo positivo para ter uma performance melhor ou às vezes depende muito de cada situação. O que eu quero é viver a plenitude do momento, acho que é algo que resume toda a minha jornada. Quero curtir mesmo o momento como atleta profissional, fazendo da forma como sempre gostei de fazer, competindo com seriedade, empenho, mas também quero aproveitar as emoções das pessoas à minha volta o máximo possível, acho que isso é o lado humano do esporte, de ser profundo, tocar as pessoas.
Já parou pra pensar o que vai refletir quando descer da bike pela última vez como um atleta profissional do ciclismo?
As grandes emoções no esporte não são coisas planejadas. Então, espero vivenciar a intensidade deste momento, da forma como o momento vier. Enfim, depois a gente olha pra trás e vê como foi a história, mas eu não quero projetar em como deve ser o fim da minha carreira. Acho que ela foi magnífica, pelos seus altos e baixos, pela minha história, pela mensagem que eu pude compartilhar e agora estou curtindo esse último capítulo e é a única coisa que eu me permito estar concentrado agora.
7 min
Henrique Avancini
Henrique Avancini escolheu a bike e deixou o diploma de advogado de lado.