Catatau, massagista do Santa Cruz
© Rodrigo Baltar / Santa Cruz FC
Futebol

Conheça Catatau, o massagista mais empolgado do Brasil

Famoso pelas corridas na beira do campo, massagista do Santa Cruz é admirado até pelos torcedores rivais
Escrito por Ricardo Gomes
5 min de leituraPublished on
Ser uma estrela no futebol é pra poucos. Quem dá autógrafos, recebe aplausos e tira fotos com torcedores são os jogadores. Vez ou outra, vá lá, os técnicos. Quem trabalha fora dos holofotes nunca é lembrado. A não ser que seu nome seja Fernando José Mendes, ou apenas Catatau.
O massagista do Santa Cruz é uma celebridade no Recife. Distribuir autógrafos e posar para selfies com fãs é atividade comum para esse figura de 54 anos. E a razão para todo esse sucesso não tem necessariamente a ver com o seu ofício.
Funcionário do Santinha desde 1998, Catatau aparece quase sempre na hora de uma substituição. Ele é o cara responsável por chamar os jogadores que estão em aquecimento. Só que a maneira como ele faz isso é que o tornou um mito.
Catatau sai em disparada para acionar os atletas, atravessando toda a área técnica em alta velocidade. Cena essa que se repete desde o início dos anos 2000, e que já virou marca registrada nos jogos do Santa.
Quando dispara, Catatau só tem um foco: a área de aquecimento

Quando dispara, Catatau só tem um foco: a área de aquecimento

© Rodrigo Baltar / Santa Cruz FC

"Precisava achar um jeito de incentivar o jogador, fazer com que ele encarasse aquele jogo como uma decisão. Engraçado é que quando eu saio correndo, os jogadores ficam na expectativa para saber quem eu vou chamar", disse Catatau em um bate-papo com o redbull.com. "Corro desde moleque. No colégio até ganhei alguns troféus, mas nunca pensei em ser atleta. Hoje em dia faço minha corrida no Arruda."
Nessa brincadeira, Catatau já até mudou involuntariamente a decisão do treinador. "Certa vez o técnico disse 'Morais', e eu apenas fui. Só que o elenco do Santa Cruz tinha dois Morais. O certo era o Danny, mas eu chamei outro Morais, que entrou e fez o gol. Meu erro mudou o jogo", contou, entre risos, o massagista, que não se preocupa muito com os obstáculos quando arranca do banco de reservas. "Teve uma vez que derrubei um monte de gente, repórter, câmera, PM. Eu foco apenas no caminho que tenho que fazer. E olha que ainda avisei para saírem da frente."

"Não durmo, só descanso"

Além da função que ocupa no Santa Cruz, seu time de coração, Catatau é também enfermeiro do Hospital Maria Lucinda, que fica no bairro de Parnamirim, região central de Recife. Ele não tem tempo nem de mudar a chavinha de um trabalho para o outro. É do Santa Cruz pra casa, para por, no máximo, três, quatro horas, e de lá parte para o hospital, onde passa a madrugada. Dormir não é pra Catatau. "Não durmo, só descanso. Paro um pouco em casa, repouso, e já volto pro trabalho. Faço tudo isso com prazer. Nunca reclamei dessa rotina que levo."

Catatau da massa

Se tem uma coisa que une as torcidas de Santa Cruz, Sport e Náutico é Catatau. O massagista é tão bem quisto na cidade que é parado na rua por torcedores dos outros dois clubes grandes da região. "Comigo não tem essa de rivalidade. Torcedores do Náutico e do Sport vêm me cumprimentar. O importante é fazer o bem. Eu faço o bem, e é por isso que os torcedores dos outros times gostam de mim."
Idolatria que virou funk. A dupla Shevchenko e Elloco lançou este ano a música "Passinho do Catatal" (sim, com 'L'), cujo refrão diz "Quando o treinador chamar, ele obedece, dá um pique, um tapa nas costas e fala aquece". Uma pérola do cancioneiro popular. Clique aqui e ouça!

Na boa e na ruim

Catatau já viu, ouviu e viveu de tudo um pouco no clube. Os acessos à elite em 2005 e 2015 e a conquista da Copa do Nordeste em 2016 estão entre as maiores alegrias. Por outro lado, a queda para a Série D, em 2008, abateu como nunca antes.
Mas foi neste contexto que Catatau descobriu que o Santa Cruz tinha uma torcida diferente. "Apesar da má fase, a torcida não abandonou o time. Chegou a colocar 60 mil no Arruda. Nosso menor público na Série D era de 25, 30 mil. Não tem pra Flamengo, Corinthians, Inter, Cruzeiro... a torcida do Santinha não tem igual no mundo."

Grafite: amigo e ídolo

Atualmente comentarista do canal SporTV, Grafite teve duas boas passagens pelo Santa Cruz, marcando 47 gols e levantando duas taças. Catatau é um dos muitos fãs que o ex-atacante deixou no clube. "O Grafite é um cara muito simples, ajuda todo mundo, sem exceção. Ele costumava trazer chuteiras para os jogadores das categorias de base. Respeito muito o Grafite. Foi um grande amigo que fiz aqui."
Grafite fez 47 gols em duas passagens pelo Santa Cruz

Grafite fez 47 gols em duas passagens pelo Santa Cruz

© Antonio Melcop

Grafite, aliás, é parte do time que Catatau considera como um dos melhores que viu no seu Santinha. "Aquele time de 2015, que caiu para a Série B, era muito bom. Tinha Grafite, Keno, Léo Moura e mais um monte de gente boa. Foi uma pena não ter ficado na Série A."
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