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Celeste: jogo desafiador ou bela lição de vida?

© Matt Makes Games / Studio Mini Boss
Escrito por Jeancarlos Mota
Ajude Madeline a chegar ao topo da montanha Celeste em uma bela e desafiadora aventura que ainda lida com um temas delicados, como depressão e doenças mentais.
Vamos responder de forma simples à pergunta feita no título: Celeste é um jogo desafiador (bastante em alguns momentos) e também uma belíssima lição de vida. Lançado na última quinta-feira (25), o game foi desenvolvido pela Matt Makes Games Inc. e o brasileiríssimo Studio Mini Boss, mesma turma que nos trouxe o divertido Towerfall (e sua expansão, Towerfall Ascension).
Vamos mostrar porque Celeste é uma aventura obrigatória para qualquer fã de títulos plataforma, além de ser uma bela abordagem a temas delicados, como depressão e ansiedade.

Por que escalar a montanha Celeste?

Há uma montanha que batiza o jogo e escalá-la é o objetivo inicial. Ajude a jovem Madeline a sobreviver em sua jornada rumo ao topo da montanha, enquanto ela enfrenta seus demônios interiores. Para tanto, no melhor estilo plataforma 2D, será necessário utilizar dos talentos de escalada de Madeline – como salto, dashes aéreos e escalada – para superar os diversos desafios propostos por cada estágio de escalada da montanha.
Porém, o que inicialmente aparenta ser uma simples aventura, com comandos bem simples e o uso de poucos botões, que mistura os elementos de jogos do gênero com quebra-cabeças engenhosos, evolui na medida em que você supera cada desafio. Mesmo que as mecânicas do controle sejam praticamente as mesmas por quase todo seu decorrer, os estágios e desafios transformam-se de tal forma que algo a mais sempre será exigido do jogador. Você precisa pensar cada vez mais rápido para escapar das diversas armadilhas, como também será necessário ser ágil e provar que seus reflexos estão em dia.
Qualquer passo em falso pode ser fatal
Qualquer passo em falso pode ser fatal
E não se preocupe em falhar às vezes: você vai (e muito!). E está tudo bem.

Celeste = Desafio

Tela do video game, Celeste
Boa sorte – pois você vai precisar dela em Celeste
Você já deve imaginar que escalar uma montanha não é uma tarefa nada fácil, correto? Pois bem, Celeste reproduz muito bem a dificuldade dessa árdua tarefa em sua experiência de jogo. Isso deve-se à forma com que curva de dificuldade evolui, na medida em que você avança em sua escalada. Seus reflexos e destreza serão testados e (a depender do seu desempenho) sua paciência também. Tanto que o jogo tem um divertido contador de mortes, para registrar quantas vezes você errou até passar de cada estágio. E não estranhe se os números passarem das centenas de vezes… por estágio.
Porém, isso é sinônimo de frustração. Há uma bem trabalhada sensação de recompensa a cada desafio superado (paramos para celebrar em alguns momentos, como se tivéssemos terminados o jogo… mas ainda era apenas o terceiro ou quarto estágio), e isso serve como um motivador para partir para o próximo desafio. Sempre nos perguntávamos qual seria o próximo momento que em a mente seria testada com mais afinco. Isso casa perfeitamente com o enredo, pois em diversos pontos os demais personagens (e até a própria Madeline) perguntam e insistem para saber por que a jovem quer tanto escalar a montanha, mesmo com todos os perigos e dificuldades apresentadas, o que revela mais um ponto brilhante do jogo.

Uma bela mensagem

Celeste traz beleza ao abordar temas delicados, como depressão e ansiedade. A jornada de Madeline mostra exemplos de como doenças mentais afetam o mundo de quem as sofre, e quão desafiador é – não apenas enfrentar tais problemas – admitir, lidar ou até conversar sobre esses assuntos.
É notável como cada etapa influencia na discussão do tema e deixa a batalha com seus demônios interiores intensa. Cada fase superada no jogo revela mais detalhes sobre Madalene e sua jornada para conhecer seu "eu" interior – personificado por seu alter-ego, Badline. Não vamos entrar em mais detalhes, para evitar qualquer spoiler maior, contudo basta dizer que essa discussão é retratada de forma muito bem amarada. Você fica triste nos momentos em que ela está numa pior, na batalha contra os sentimentos que a afligem, ao mesmo tempo em que há uma sensação de felicidade ao superar uma nova dificuldade. É impossível não se envolver com a saga da jovem alpinista e sua escalada pela superação, além da forma lúdica com que a obra aborda assuntos tão delicados, e que precisam cada vez mais de diálogo e compreensão.
A batalha de Madeline não é nada fácil
A batalha de Madeline não é nada fácil
E as cerejas do bolo vêm no formato de personagens pra lá de carismáticos, em harmonia com os lindos gráficos pixelados e uma combinação de efeitos sonoros nostálgicos e trilha sonora que merecem ser aplaudidos de pé. O trabalho artístico de Celeste certamente agradará fãs mais antigos e novos de games do gênero, e por diversas vezes nos pegamos parados para simplesmente admirar a obra, seja pela quantidade de detalhes desenhados na tela, a qualidade das animações ou por uma das músicas que tocava naquele instante (ou pela soma de todos esses elementos).

Replay e extras

O difícil não é encontrar as fitas, mas superá-las.
O difícil não é encontrar as fitas, mas superá-las.
Celeste é uma aventura que pode render ainda mais diversão, àqueles que estiverem dispostos a encarrar novos desafios. Elementos para retornar à montanha não vão faltar. Que tal coletar todos os morangos espalhados em cada estágio? Ou passar de fases morrendo bem menos? Para fãs de speedrun, recordes já existem por toda a web.
Porém, se tudo o que falamos até então não for tão desafiador, saiba que os morangos não são os únicos colecionáveis ou segredos do jogo. Ao explorar paredes rachadas e cantos dos estágios, você pode encontrar passagens secretas. Em uma delas, há até um PC com a versão original do jogo – que pode ser jogada pela internet, via browser –, criada em apenas quatro dias para o videogame virtual PICO-8, com desafios únicos.
Além disso, existem oito fitas cassete Lado B a serem coletadas. É aqui que o verdadeiro desafio mora: cada uma delas traz uma versão alternativa das fases, com músicas remixadas e uma vontade de gritar. Afinal, seja lá qual era a mecânica apresentada em cada fase, você enfrentará a versão mais complicada possível dela aqui. É um desafio para poucos, todavia vale a pena ao menos experimentar.
Celeste está disponível para praticamente todas as plataformas atuais – PC e Mac (via Steam), Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One. Essa matéria foi feita com uma cópia digital para Switch gentilmente cedida pelo Matt Makes Games Inc. e Studio Mini Boss.
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