"A técnica de Romário era algo extraordinário. Ele marcava gols de todas as maneiras possíveis". Essa frase foi dita por ninguém menos que Johan Cruyff, mas pode ser fielmente reproduzida por qualquer fã de futebol que tenha acompanhado Romário em sua plenitude.
Um desses milhares de devotos do "Baixinho" é o economista Júlio César Cardoso (@juliosheed), criador do "Ensina, Romário", perfil que compara gols incrivelmente perdidos com o raro talento de Romário em convertê-los. Torcedor do Vasco, ele passou boa parte dos seus 33 anos de vida comemorando os gols do eterno camisa 11.
O apreço era tanto que, mesmo sem estar em campo, o atacante frequentemente virava pauta das discussões de Júlio com seus amigos durante jogos de futebol. Bastava um gol desperdiçado para Romário vir rapidamente à tona.
"Sempre fui muito fã do Romário. Quando ia a botecos com meus amigos para assistir a um jogo e algum jogador perdia um gol que não se perde, comentava: 'Pô, um gol desse o Romário não perde'. Era pura força de expressão. Alguns eventos serviram de gatilho para dar início ao projeto (Ensina, Romário), como o famoso gol perdido pelo Diego Souza contra o Corinthians (nas quartas de final da Libertadores de 2012). Ele tinha mil maneiras de definir: poderia ter driblado o goleiro, tocado por cobertura. Brinquei com o pessoal que esse gol o Romário faria de 300 jeitos diferentes e que daria até pra criar um site comparando os gols que os jogadores de hoje em dia perdem e que o Romário teria feito. Falei de bobeira, mas um amigo gostou da ideia e sugeriu. Como eu tenho em casa os arquivos do DVD do Romário com os seus mais de mil gols, comecei a fazer essas comparações em 2014", explicou Júlio.
Em quatro anos de bons serviços prestados, o "Ensina, Romário" não perdoou ninguém. O "pente fino" pega de craques do mais alto quilate até jogadores bem menos badalados. "Perdeu, está lá! É raro, mas existem alguns fãs de estrelas contemporâneas, como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar Jr, que reclamam, não entendem a brincadeira. Mas, repito, é raro."
Febre nas redes sociais, o "Ensina, Romário" fisgou até mesmo o grande pivô da existência desse perfil. "Encontrei o Romário em um evento em Florianópolis em 2014. Na hora em que fui tirar uma foto com ele me anunciei como o criador da página. Ele riu, agradeceu e me deu um abraço", lembrou Júlio, que garantiu que o ídolo vez ou outra curte as suas postagens.
Pelo menos por enquanto, a ideia começa e para em Romário. Júlio não estima ampliar o conceito e distribuí-lo para goleiros ou zagueiros famosos, por exemplo.