Red Bull BC One Camp Brazil 2022
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Dança

Maia: 'Meu sonho é ver mais igualdade no breaking'

A campeã nacional do Red Bull BC One 2022 fala sobre vida e carreira
Escrito por Evandro Pimentel
5 min de leituraPublicado em
O ano era 2018, e o Red Bull BC One Brazil realizava pela primeira vez uma disputa feminina. Entre as participantes da Final Nacional estava Júlia Maia Macedo, que competia com o nome de B-Girl Maia. Não foi longe, saiu da disputa logo na primeira batalha. Em 2021, lá estava ela de volta, mas desta vez só parou nas semifinais. Ela poderia ir mais longe?
A resposta foi dada no dia 31 de julho de 2022. Maia, 28 anos, chegou ao topo e ficou com o troféu da Final Nacional. Vai viajar para Nova York e disputar a Last Chance Cypher, torneio que decide as vagas derradeiras para a Final Mundial do Red Bull BC One, marcada para 12 de novembro.
B-Girl Maia e seu troféu de campeã do Red Bull BC One Brazil 2022
B-Girl Maia e seu troféu de campeã do Red Bull BC One Brazil 2022
"Este ano pude ver o público chegando e, quando estava tudo pronto, parecia um oceano de gente, foi muito bonito de ver", diz a B-Girl, que levou o troféu na frente de 2,5 mil pessoas, no encerramento do último dia do Red Bull BC One Camp. "Pra mim foi um ano histórico, pessoas muito importantes da nossa cultura estavam lá, teve muita troca, aprendizados e batalhas inesquecíveis, tudo isso fez uma grande diferença", lembra.

Como você entrou no breaking e o que mudou depois disso?

B-Girl Maia: O breaking já estava presente na vida de alguns amigos meus e em alguns espaços que eu frequentava, mas acho que me encantei mesmo depois de assistir a uma batalha na minha cidade, quando vi pela primeira vez uma dupla de B-Girls muito boas batalhando de igual pra igual com os B-Boys. Pouco tempo depois conheci o B-Boy Katatal, que foi quem realmente me ajudou a aprender nesse início.

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B-Girl Maia
O breaking te desafia a se conhecer e a olhar pra tudo o que te faz ser quem você é.
B-Girl Maia

Quais dificuldades você enfrentou pra ser B-Girl profissional?

B-Girl Maia: Acho que a maior delas é se manter dançando, sem estrutura, com poucas oportunidades de trabalho, poucas perspectivas e, principalmente, poucas mulheres na cena, porque um espaço majoritariamente dominado por homens é muitas vezes um espaço superdesconfortável.

E quais foram suas maiores conquistas?

B-Girl Maia: A possibilidade de viajar pra fora do meu estado e do meu país, conhecer culturas diferentes, me conhecer, ser reconhecida pela minha dança, compartilhar com mestres e mestras da cultura e poder inspirar outras mulheres. Também pude construir o meu próprio espaço de treino, fazer parte da primeira seleção de breaking do Brasil, ganhar a primeira batalha de B-Girls da Dinamarca. E agora ganhar o Red Bull BC One Brazil nesse ano tão especial e com tanta gente!

+ Reveja abaixo a Final Nacional do Red Bull BC One Brazil 2022.

Como é a sua rotina hoje e como a dança se encaixa nela?

B-Girl Maia: A dança faz parte 24 horas da minha vida, porque eu acredito que tudo que eu danço é tudo o que eu sou. Assim, tudo pode ser inspiração e tudo pode virar dança. Nos últimos meses tenho conseguido me dedicar mais ao breaking. Eu e meu companheiro Allef construímos juntos um espaço de treino em frente de casa, a céu aberto, e ali treinamos quase todos os dias. Além disso, quatro vezes na semana faço um fortalecimento pro corpo.

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B-Girl Maia e B-Boy Allef

Como você se prepara para participar de uma batalha?

B-Girl Maia: Sinto que ainda não sei exatamente a melhor forma de me preparar. Acredito que estou exatamente nesse momento de testar algumas coisas. Nessa última batalha, por exemplo, prestei atenção ao que eu iria comer antes do evento e também busquei não deixar o corpo ficar esquentando e esfriando entre uma batalha e outra. Saía da batalha e já colocava o casaco e só tirava na hora de entrar no palco. Mentalmente, eu estava pensando muito no presente das coisas, em fazer o meu melhor a cada batalha sem imaginar o que aconteceria se eu ganhasse ou perdesse. Isso me ajudou a controlar a ansiedade.

Qual foi um episódio com as batalhas que marcou a sua vida?

B-Girl Maia: Nas três vezes que participei do Red Bull BC One Brazil me marcou o camarim das B-Girls. Faz uma enorme diferença em como tudo vai acontecer, a maneira com que as B-Girls se fortalecem ali antes de entrarem no palco é algo que me marcou pra vida. Ali estamos compartilhando um momento único para todas nós, afinal a categoria B-Girl é nova e uma conquista pra cena do mundo todo. Então o fato de estarmos juntas ali é algo que só nós sentimos e entendemos.

+ A série Rise of the B-Girls mostra como minas do mundo todo estão se empoderando e recriando a cultura breaking. Assista ao primeiro episódio.

10 min

B-Girl Nadia

Integrante da crew Da Funky Style, Nadia já fez ginastica artística e esqui, mas foi no breaking que encontrou sua paixão.

português +3

Como você avalia a cena breaking brasileira hoje?

B-Girl Maia: Está com muita força no Brasil e acredito que o fato de o breaking ser agora uma modalidade olímpica tem dado uma visibilidade ao movimento muito importante.

Quais seus maiores sonhos?

B-Girl Maia: Conquistar esse título [do Red Bull BC One] já até fazia parte deles. Daqui pra frente, quero ganhar mais experiência, principalmente no cenário internacional, e conseguir trabalhar mais com o breaking, como competidora e artista. Acho que meu maior sonho é viver o momento em que o breaking será um movimento mais igualitário e colorido, onde B-Boys e B-Girls existam numa mesma quantidade, recebendo a mesma premiação e em que pessoas LGBTQIAPN+ da nossa cultura possam estar seguras pra assumir sua sexualidade sem nenhum problema.

B-Girl Maia em acão durante a Final Nacional do Red Bull BC One Brazil 2022
B-Girl Maia em acão durante a Final Nacional do Red Bull BC One Brazil 2022
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