B-Boy Pelezinho
© Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
Dança

Se o breaking tem nobreza, Pelezinho é o rei

A trajetória do cara que saiu do interior para virar um dos melhores do mundo
Escrito por Evandro Pimentel
4 min de leituraUpdated on
Quando ainda era um moleque crescendo em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, Alex José Gomes Eduardo impressionava por causa das habilidades no futebol. Não foi por acaso que lhe deram o apelido de Pelezinho. O tempo passou e não foram os gramados que ganharam um craque. Foi a dança. Se o breaking tem sua nobreza, Pelezinho é o rei.
O ano era 1995 e o breaking ainda não era muito conhecido no Brasil, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo. Conhecer alguém que dançava era uma das únicas maneiras de entrar em contato com essa arte. "Vi um amigo fazendo uma performance na cidade e logo depois ele se apresentou na minha escola", lembra Pelezinho. "Como ele sabia que eu fazia capoeira, me falou que eu poderia treinar com eles porque conseguiria pegar os movimentos com facilidade."
Desde então, Pelezinho não largou mais a dança. Mesmo diante das dificuldades, a paixão pelo breaking sempre falou mais alto. "Nos taxavam de maloqueiros, a gente dançava na praça e às vezes a polícia não entendia nada, dava geral na gente", diz o B-Boy que, mesmo quando começou a se profissionalizar, ainda precisou dar seus pulos para continuar na carreira de dançarino.
+ Conheça abaixo a história do Red Bull BC One neste episódio da série ABC do... (se preferir, ative as legendas).

26 min

ABC do... Red Bull BC One

Das origens aos dias de hoje, conheça a trajetória do evento que é um marco na história do breaking.

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"Quando comecei a viajar para competir pelo Brasil, as complicações não pararam. Teve uma vez que eu eu fui para um evento em Curitiba só com a passagem de ida, não tinha dinheiro nem pra comer", conta Pelezinho. "Mas a vontade de viajar era tão grande que fui assim mesmo, e superei tudo isso no dia a dia, com a minha força de vontade de buscar o melhor pra mim."
O esforço foi compensado e Pelezinho começou a fazer nome na cena breaking. Trabalhou com grandes músicos, enquanto ganhava campeonatos pelo Brasil. "Os momentos mais marcantes da minha vida dentro do breaking foram os trabalhos que fiz com artistas", afirma o B-Boy. "Depois de ter participado de videoclipes, ter feito o 'Acústico MTV' do Marcelo D2 e ter trabalhado com o Charlie Brown Jr., fui convidado em 2005 pra minha primeira competição internacional, o Red Bull BC One", lembra.
De repente, todos os holofotes estavam naquele moleque bom de bola, que não era mais moleque, não jogava mais bola, mas era o primeiro brasileiro a participar da competição que em poucos anos se firmaria como a maior de breaking do planeta. Pelezinho agarrou firme a chance e teve seu talento reconhecido internacionalmente. Hoje, viaja o mundo como membro da Red Bull BC OneAll Stars, equipe internacional composta por artistas e dançarinos que representam os melhores da cena.
B-Boy Pelezinho em Esmirna, na Turquia (2018)

B-Boy Pelezinho em Esmirna, na Turquia (2018)

© Mahmut Cinci / Red Bull Content Pool

"Viajei para países incríveis, pra Índia, Paquistão, Gana, Costa do Marfim...", conta Pelezinho. "Nesses lugares, conheci culturas e pessoas diferentes, e esse foi um dos maiores acontecimentos da minha vida em mais de 20 anos de dança." Hoje, Pelezinho é um dos maiores dançarinos de breaking do mundo. Seu estilo único, que mistura elementos da capoeira e samba – dança que sempre fez parte da rotina de sua família –, o mantém no time de frente da dança mundial, contribuindo para o crescimento da cena no Brasil.
Se hoje Pelezinho inspira toda uma nova geração de breakers, ele também teve em quem se espelhar. "O B-Boy Remind é o cara que eu tenho como maior inspiração", dá a letra. "Ele me fez entender que cada um pode ter seu estilo próprio e suas movimentações próprias." A trajetória sólida de Pelezinho no breaking fez com que ele se tornasse referência para jovens dançarinos que, assim como ele, enfrentam dificuldades para se destacarem na dança. "Até hoje não é fácil, a gente tem que sempre estar pulando obstáculos para continuar fazendo o que ama."
B-Boy Pelezinho

B-Boy Pelezinho

© GG-one Bérgamo

Red Bull BC One 2024

Mais um capítulo da história do breaking nacional será escrito em 7 de dezembro de 2024, dia que a cidade do Rio de Janeiro recebe a Final Mundial do Red Bull BC One 2024 — se você quiser colar, os ingressos já estão à venda 🔥.
A primeira passagem do campeonato pelo Brasil para uma final global foi em 2006, em São Paulo, e em 2012, na capital carioca, que recebe pela segunda vez a etapa decisiva do evento, celebrando o breaking e os 20 anos de história do campeonato.
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Red Bull BC One World Final

O B-Boy Menno e a B-Girl India foram os grandes vencedores da Final Mundial do Red Bull BC One 2024 no Rio de Janeiro!

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O beabá de algumas modalidades e competições mais difíceis do mundo. Da compreensão dos jargões ao conhecimento das regras, esta série é um intensivão perfeito para começar um novo hobby.

2 Temporadas · 15 episódios