Pedro Scooby

Como escolher as medidas da prancha certa para você?

© Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool

O famoso shaper Ricardo Martins dá dicas de como escolher as especificações da prancha certa para quem está começando a surfar

Se você está começando a surfar já deve ter sonhado em mandar fazer a prancha ideal para você. E se você já surfa faz tempo, já deve ter mandado fazer uma prancha e talvez tenha até errado nas medidas. 
A verdade é que a arte de fazer pranchas exige que o profissional do shape saiba muito bem o que o surfista daquela ocasião precisa e também que este, por sua vez, confie nas dicas do shaper. 
Não adianta você simplesmente pegar as medidas da prancha do Adriano de Souza e mandar fazer uma igual para você. Você não tem o mesmo peso, não tem a mesma altura, e nem as mesmas habilidades que ele para que uma prancha como a dele se comporte da mesma maneira. 
Por isso, encomendar uma prancha nova pode parecer uma tarefa fácil e que só depende de dinheiro. Mas não é bem assim. Então veja as dicas que o shaper do Pedro Scooby, Ricardo Martins, deu! Se liga!
Ricardo, quais as dicas você daria para quem vai comprar sua primeira prancha?
Para quem está começando, é sempre importante considerar uma prancha com mais área, tamanho e volume. Uma dica legal é sempre pensar que se tem mais de 20 quilos do que seu peso normal, porque isso dá uma margem de segurança para o surfista ter mais estabilidade e fazer um surfe mais tranquilo no início.

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Quais são os principais erros ao escolher uma prancha?
Um dos principais erros é achar que se está num nível mais avançado do que se está e partir para a escolha de uma prancha muito voltada para performance e velocidade, quando na realidade, se está num estágio em que ainda seria mais importante se preocupar com a remada, estabilidade, segurança.
Pedro Scooby
Pedro Scooby
Quais os pedidos que você mais recebe na hora de produzir uma prancha?
Normalmente, as pranchas que me pedem são mais voltadas para performance. Estou sempre buscando alternativas caso a caso. E isso vem através do conhecimento do surfista, do nosso. Tentamos fazer sempre com que a prancha esteja de acordo com o estágio que ele está no momento
A maioria dos pedidos que recebemos são praticamente impossíveis de se fazer (risos)! Ainda mais hoje em dia, com a internet e com a quantidade de informação que se tem. A pessoa antes de chegar na gente, já pesquisou muito, e infelizmente, algumas vezes as informações estão erradas, ou não se encaixam bem para ela. E aí, a gente no papel de consultor, especialista, tem que conversar e adequar esses desejos com as necessidades e a funcionalidade da prancha
Como é o Scooby como cliente? O que ele costuma exigir?
O Scooby já tem uma relação de bastante tempo comigo, de mais de dez anos. Então, já chegamos em certos modelos que são bem funcionais. Então, vamos mudando de acordo com as características de época, de situação, da viagem, de ondas diferentes. E isso vai criando necessidades específicas que mudam de acordo com o que eu faço para ele. Mas estamos sempre buscando a evolução, principalmente para ondas de beach break, que aí a performance está sempre tendo que estar um pulo acima.
Quais pranchas mais te marcaram no seu trabalho? E quanto tempo você demorou para fazê-las?
Tem algumas pranchas que vão se tornando emblemáticas, principalmente porque elas dão origem a outras pranchas. Por exemplo, tem um modelo que eu desenvolvi para o Scooby, que foi o bolachinha. Ela é uma prancha que a gente começou com ele, testando, fazendo algumas mudanças e depois se transformou em um campeão de vendas. E isso não se deu pelo marketing, pela figura dele, mas por ter se transformado em um modelo muito funcional para as ondas daqui do Brasil. Então, acabou virando uma referência.
Outra prancha que ficou marcada foi uma bem grande, que ele surfou de tow-in, lá em Nazaré. Essas pranchas acabam sendo um desafio, porque a gente não tem muitas condições de testar antes. Então, para você chegar em uma prancha que seja de fato funcional para aquela condição de onda, é muito difícil.
Você acha que uma prancha legal, com um desenho que seja a cara do surfista, influencia o surfe?
A arte cria uma identidade única para a prancha, é uma maneira até do dono participar, sentir que é algo de fato dele, exclusivo. É bem legal quando o cliente exerce essa criatividade.