Foi nos anos 90 que o Brasil passou por um dos momentos mais criativos de sua música independente. Importado dos Estados Unidos, onde as minas do punk rock já desafiavam a desigualdade de gênero desde o início da década, o movimento Riot Grrrl desembarcou por aqui em 1995, com o surgimento da banda paulista Dominatrix. A partir daí, diversos outros grupos de essência punk e feminista apareceram. Neles, eram as garotas que faziam tudo na unha e entre si, organizando shows e eventos por conta própria.
A cena Riot Grrrl acaba de ganhar um registro audiovisual, o documentário "Faça Você Mesma", que resgata histórias de bandas da época por meio de conversas com integrantes, fãs e imagens de arquivo. Com previsão de estreia para dezembro de 2018, o filme está com financiamento coletivo aberto no Catarse e surge na tentativa de mostrar como o movimento apareceu e o legado que ele deixou para a cena atual.
"A ideia do documentário vem permeando minha vida por um bom tempo", conta a diretora Leticia Marques. "Lembro de escrever um rascunho do que poderia ser o projeto depois que li o livro " Riot Grrrl Revolution Style Now" anos atrás." O projeto foi deixado de lado até que a produtora Patricia Saltara pediu algumas imagens de arquivo de um show da época para Letícia. "Daí juntamos todo o material que poderia existir para começar a fazer o filme."
O documentário é uma livre interpretação a partir do que Leticia e Patricia viram e viveram dentro da cena e traz materiais de arquivos e outros registros que a dupla conseguiu. TPM, Hitch Lizard, The Biggs, The Hats, Hidra, The Dealers e Comma estão entre as bandas que têm um pouco da trajetória e legado mostrados no filme.
"A ideia do movimento Riot Grrrl é forte e foi importante para mim", conta Leticia. "Teve a ver com a formação da minha identidade, me reconhecendo, me trazendo de volta a um senso de mim mesma. A mensagem que fica quando isso acontece é “você pode fazer qualquer coisa”, e isso impulsionou muitas garotas a começarem suas bandas, a escrever, a fazer arte, a fazer filmes e a ser quem elas eram. Acho que o movimento pode ser lembrado como um legado que ainda faz história."

