Everton Ribeiro
© Alexandre Vidal / Flamengo
Futebol

8 jogadores que mudaram de posição e deram muito certo

Estes caras brilharam muito depois de um deslocamento de poucos metros em campo
Escrito por Ricardo Gomes
5 min de leituraPublished on
Alguns metros podem parecer uma distância pequena. Mas essa diferença, pra frente ou pra trás, podem fazer toda a diferença na carreira de um jogador de futebol. Já pensou que o centroavante que resolve os problemas do seu time toda quarta e domingo um dia pode ter sido um zagueiro botinudo?
Pensando nisso, montamos essa seleção especial de jogadores que mudaram de posição em campo e decolaram de vez. Palmas para os técnicos que tiveram estas brilhantes ideias.

Cafu

Antes: atacante | Depois: lateral
Quando despontou no São Paulo, no início dos anos 90, Cafu era ponta-direita. Ele inclusive vestiu a camisa 11 na final do Mundial Interclubes de 1992. No Palmeiras, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, foi recuado, embora passasse boa parte do jogo no campo de ataque. A mudança para a lateral direita aconteceu na seleção, com Parreira. Em 97, Cafu foi pra Roma e se beneficiou do esquema com três zagueiros para atuar mais à frente, como ala. Mas na seleção disputou os Mundiais de 1998, 2002 e 2006 como titular da lateral, e assim se consagrou como um dos melhores do mundo.

Júnior

Antes: lateral | Depois: meia
A técnica refinada de Júnior permitiu que ele migrasse da lateral esquerda pra meia sem maiores percalços. Em 84, aos 30 anos, mudou-se para o Torino como lateral esquerdo, posição em que havia feito história por Flamengo e seleção, mas pediu para ser deslocado para a faixa central. Jogou muito, tanto que ajudou o clube grená de Turim a chegar ao vice-campeonato italiano. A mudança em campo foi estratégica, já que Júnior pretendia esticar a carreira até os 40 anos. E assim foi feito. Em 92, já aos 38, conduziu o Flamengo ao título brasileiro com a camisa 5.

Everton Ribeiro

Antes: lateral | Depois: meia
Se hoje Everton Ribeiro garante vitórias dando passes açucarados para Gabigol, Bruno Henrique e companhia, num passado nem tão distante ele tinha de conter as investidas de atacantes e laterais. Vindo das categorias de base do Corinthians, jogou as primeiras temporadas da carreira como lateral esquerdo. Pouco aproveitado no Timão, ele foi para o São Caetano e redescobriu seu futebol. Primeiro, atuou como meia aberto pelo esquerda. Só que em 2011, no Coritiba, viveu boa fase como armador central, atrás dos atacantes. Everton nunca mais voltou para a lateral e tornou-se um dos meias mais valorizados do futebol brasileiro.

Bale

Antes: lateral | Depois: atacante
Assim como Cafu, Bale era daqueles laterais que estavam sempre com o tanque cheio. E foi essa vitalidade que fez o Tottenham tirar o galês do Southampton em 2007. Em poucos meses em Londres, Bale começou a mostrar seus dotes ofensivos. Os gols surgiam naturalmente. Aliás, tem um jogo de Bale, contra a Inter de Milão, em 2010, que o revelou para o mundo. Foram três gols, um deles passando por jogadores rivais como se fossem cones. Em 2012, passou a atuar como ponta-direita, emulando a "jogadinha Robben": corte pro meio e chute. No Real Madrid, Bale jogou até como centroavante.

Elias

Antes: atacante | Depois: meia
Elias tem mais de 100 gols na carreira. Um número e tanto para um volante

Elias tem mais de 100 gols na carreira. Um número e tanto para um volante

© Bruno Cantini / Atlético-MG

Na base do Palmeiras, Elias jogou por oito anos como segundo atacante. E assim foi também no seu início de trajetória no futebol profissional, com as camisas de Náutico e Juventus. Até que em 2007 Freddy Rincón, então técnico do São Bento, o escalou como volante. Escolha certeira. No ano seguinte, Elias se destacaria pela Ponte Preta e conseguiria um contrato com o Corinthians. A vocação para o ataque é um dos pontos altos do jogo de Elias, que fez fama saindo da meia e aparecendo entre os atacantes para finalizar. Em 14 anos de carreira são mais de 100 gols. Nada mal para um volante.

Rincón

Antes: Meia l Depois: Volante
Bem antes de reinventar Elias, Rincón se reinventou. Quando pintou no Santa Fé, em 1986, Rincón era meia-atacante, camisa 10. Com passadas largas e boa técnica, enfileirava gols no Campeonato Colombiano. No Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo, levantou Brasileiro e Paulista como armador. E assim foi na Europa. Mas em 97, no Corinthians, reencontrou o treinador e passou a jogar como volante. Como primeiro ou segundo homem do meio de campo, Rincón foi espetacular em seus anos no Timão, conquistando os Brasileiros de 98 e 99 e o Mundial de 2000, esses dois últimos como capitão.

Mascherano

Antes: meia | Depois: zagueiro
De todos os citados nesta lista, Mascherano é provavelmente o único que mudou de posição por circunstância. Volante de pegada, mas também com boa saída de bola, a carreira de Masche mudou de rumo quando o Barcelona o tirou do Liverpool. Na temporada 2010-2011, dois zagueiros se machucaram e Guardiola enxergou em Mascherano uma boa alternativa para o setor. Com Puyol frequentemente lesionado, Mascherano foi ganhando espaço e em 2011 virou parceiro de Piqué na zaga culé. Com os dois afinados na retaguarda, o Barça ganhou duas Champions e três ligas espanholas.

Zé Roberto

Antes: lateral | Depois: meia
Quem viu Zé Roberto em ação a partir dos anos de futebol alemão, talvez nem imagine que nos primórdios de carreira ele foi lateral esquerdo. Jogando assim, aliás, ele ganhou a disputa por uma vaga entre os 23 de Zagallo no Mundial de 98. Ainda na Portuguesa, onde surgiu, Zé fez a transição para a meia. Passou por Real Madrid e Flamengo sem muito brilho até chegar ao Bayer Leverkusen, clube em que se firmou de vez como volante/armador. No Mundial de 2006, o camisa 11 acabou eleito para o time do torneio como segundo volante. O curioso nessa longa caminhada é que, no Palmeiras, já com 40 anos, Zé voltou a atuar como lateral.
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