'Sentimos falta': brasileiros contam como é jogar sem torcida no estádio

© Miguel Ruiz / FC Barcelona
Escrito por Ricardo GomesPublicado em
Ligas europeias têm se virado para manter um pouco da atmosfera real
O futebol voltou em algumas partes do mundo, mas voltou mais silencioso. Apesar de esforços das ligas para tentar "normalizar" os jogos com sons artificiais de torcida ou torcedores de papelão, a ausência de gritos vindos das arquibancadas deixa um vazio irreparável ao longo dos 90 minutos. E para os jogadores, como é viver essa situação?

Pressão pra quem?

Presença constante na seleção brasileira e titular do Everton, Richarlison acha que essa nova condição ajuda os times visitantes. "Em termos de tática e técnica, pouca coisa muda. O que pode acontecer é os times visitantes se sentirem mais à vontade de jogar fora, porque não vão sofrer com a pressão da torcida", diz o atacante, que sente falta do apoio dos torcedores. "A nossa torcida faz bastante barulho, canta o tempo todo, e isso é um combustível para os jogadores. Sentimos falta deles."
Richarlison está no Everton desde julho de 2018
Richarlison está no Everton desde julho de 2018
Na Espanha, a liga decidiu colocar os sons de torcida do game Fifa para agitar as partidas. Recém-contratado pelo Valladolid, o volante Matheus Fernandes explica que o foco no que tem que fazer em campo cria uma barreira contra fatores externos. "Na minha estreia no Campeonato Espanhol, fui pro campo pro aquecimento e ouvi o som artificial. Achei estranho. Mas quando o jogo começa, fico tão concentrado que não ouço mais nada que vem de fora."
Assim como Matheus, o atacante Victor Sá, do Wolfsburg, é outro que torce para a bola começar a rolar logo. "Os estádios na Alemanha estão sempre cheios. É diferente ver essa situação. Na hora do gol a gente fica meio assim, não tem pra onde correr. [A ausência de torcida] interfere um pouco na motivação pré-jogo, de ter algo externo para te deixar 100% ligado. Mas quando o árbitro apita, eu só penso em ajudar meus companheiros e ganhar."

Cada um no seu círculo

E teve brasileiro já comemorando título nessa retomada do futebol. O zagueiro André Ramalho, do Red Bull Salzburg, levantou a taça da Copa da Áustria após goleada por 5 a 0 sobre o Austria Lustenau. Foi a primeira decisão disputada na Europa após a parada.
A curiosidade nessa conquista foi a comemoração dos jogadores dos Bullen. Nada de aproximação: atletas e comissão técnica ficaram separados por círculos desenhados em um palco improvisado no gramado.
Cada um no seu círculo: nada de abraços na comemoração do Red Bull Salzburg
Cada um no seu círculo: nada de abraços na comemoração do Red Bull Salzburg
Embora a falta de plateia incomode, André vê um ponto positivo em meio a esse vazio. "É claro que eu prefiro jogar com torcida, mas sem os gritos da arquibancada a gente consegue se comunicar melhor com os colegas de time. Ouço as orientações do treinador e, de onde estou, passo instruções aos meias e atacantes com mais clareza."
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