Dani Olmo, meia espanhol do RB Leipzig
© Divulgação / RB Leipzig

Dani Olmo: de quase anônimo a titular da Espanha em dois anos

Cria da base do Barcelona, meia do RB Leipzig virou ídolo
Escrito por Brian Homewood, com adaptação de Ricardo Gomes
7 min de leituraPublicado em
Até 2019, Dani Olmo talvez passasse despercebido por qualquer rua da Espanha. Hoje, porém, o meia é um dos filhos mais ilustres de Terrassa, cidade catalã onde nasceu, e tratado como uma das grandes joias da poderosa seleção do país.
Pra vingar na bola, Dani escolheu um caminho difícil. Promessa da base do Barcelona, ele escolheu jogar na Croácia aos 16 anos. Em 2020, foi contratado pelo RB Leipzig e sua vida mudou. No intervalo de apenas um ano, foi de desconhecido por boa parte da torcida que acompanha futebol a titular de uma Eurocopa e medalhista olímpico. Nascido em 1998, Olmo tem história que dá inveja em muito veterano.
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Futebol é coisa de família

Olmo vem de uma família de jogadores de futebol. Seu pai, Miquel, jogou como atacante na segunda divisão espanhola. Seu irmão mais velho, Carlos, é zagueiro. Desde muito pequeno, Olmo teve a bola como fiel companheira.
Certa vez, durante um treino pelo infantil do Barça, Olmo, de tão concentrado que estava na atividade, quase não notou a presença de um tal Lionel Messi para uma foto de recordação. "Guardo todas as bolas que tive quando pequeno. Lembro de uma foto que tirei com o Messi segurando uma bola. Ela está guardada até hoje. Eu nem queria tirar a foto, porque queria voltar a jogar. São memórias que vou levar pro resto da vida", conta o hoje camisa 25 do RB Leipzig.
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Croácia, a grande decisão

Os primeiros passos no futebol foram nas categorias de base do Espanyol, mas não demorou para Olmo mudar de lado e ir treinar em La Masia, a famosa academia do Barcelona.
Aos 16 anos e com o contrato com o Barça chegando ao fim, ele tomou a decisão de largar uma das maiores potências do futebol mundial para se juntar ao Dinamo Zagreb, da Croácia. A escolha, apesar de alternativa, tinha fundamento.
"Nenhum outro clube me ofereceu um projeto esportivo como o do Dinamo: a possibilidade de, com 16 anos, poder jogar profissionalmente, treinando com jogadores mais experientes e com bagagem internacional. Decidi ir para a Croácia para continuar me desenvolvendo e não me arrependo. Hoje sou o jogador que sou por causa do tempo que passei lá."
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Entendendo a nova casa

Apesar da pouca idade, Olmo não se intimidou. Ele aprendeu o idioma local e até os cânticos da torcida do Dinamo. A experiência na Croácia mexeu tanto com o jogador que ele passou a destinar parte do seu salário para ajudar causas sociais, especialmente em projetos que trabalham em comunidades afetadas pelas guerras territoriais nos Balcãs.
"Tenho memórias maravilhosas da Croácia. Lembro da minha primeira partida pelo time profissional, um jogo na cidade de Vulkovar em memória a todos que morreram na guerra. Me senti muito integrado ao país. Aprendi o idioma e isso fez com que eu me relacionasse melhor com os croatas. Houve um carinho muito especial não só com a torcida do Dinamo, como também com o público em geral. Digo que a Croácia é a minha segunda casa e voltarei sempre que puder."
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Ganhando cancha

Olmo fez sua estreia oficial pelo time principal do Dinamo de Zagreb em fevereiro de 2015, aos 17 anos, contra o NK Lokomotiva. O primeiro gol saiu apenas na temporada 2016-2017, mas foi o seu segundo gol, no clássico contra o Hajduk Split, que o catapultou à condição de ídolo do clube.
"É um dérbi muito quente. Tem fogos de artifício e pirotecnia por toda parte. Alguns torcedores nem ligam para a campanha na liga, só querem que você ganhe do maior rival. Nesse clássico, marquei o gol da vitória por 2 a 1. Percebi a importância desse gol quando vi meus companheiros pulando do banco de reservas."
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A estreia na Liga dos Campeões

Na temporada 2019-2020, já consolidado como figura-chave do Dinamo Zagreb, Olmo realizou o sonho de dez entre dez jogadores de futebol: disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões. A estreia não poderia ter sido melhor: goleada em casa sobre a Atalanta por 4 a 0.
"Existem momentos que são divisores, marcam o antes e o depois. Não acho que o Dinamo Zagreb tenha feito algo parecido em sua história como esse 4 a 0."
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A Espanha chama

Três meses depois dessa goleada, Olmo recebeu sua primeira chamada para a seleção principal da Espanha. "O treinador do Dinamo juntou todos os jogadores ao final do treino e disse: 'Temos mais um jogador no elenco convocado para a seleção do seu país. Dani foi o escolhido'. Eu não esperava por isso, fiquei em choque. Estava tão concentrado no treinamento que nem lembrava que naquele dia haveria uma convocação da seleção. A alegria foi imensa."
A estreia aconteceu contra Malta, em Cádis, em partida válida pelas eliminatórias para a Euro 2020. Olmo entrou no segundo tempo no lugar de Morata e guardou o seu na goleada espanhola por 7 a 0.
"Ouvir o hino nacional com a equipe principal da Espanha em um estádio como o Nuevo Mirandilla, onde os torcedores do Cádiz vivem pelo time, foi indescritível. Minha família inteira estava lá, incluindo os meus avós, que são de Cádis."
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O "sim" para o RB Leipzig

Em janeiro de 2020, Olmo assinou com o RB Leipzig. "A despedida do Dinamo foi dura. Eu sabia que deixaria pra trás muitos companheiros, jogadores e corpo técnico, pessoas que me ajudaram muito."
Na Alemanha, Olmo teve que se adaptar rapidamente ao estilo enérgico e rigoroso de Julian Nagelsmann, então técnico do RB Leipzig. "No início não foi fácil e em alguns jogos eu não participei, então, continuei treinando até receber uma chance. O Julian me incentivou muito. Com ele, acho que melhorei no jogo sob pressão e no posicionamento entre as linhas."
Dani Olmo chegou ao RB Leipzig em 2020
Dani Olmo chegou ao RB Leipzig em 2020
Foi um grande salto [ir para o RB Leipzig], mas eu estava certo do que queria
Dani Olmo
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Um novo meia para a Fúria

O ano de 2021 foi o de afirmação de Olmo com a camisa da Espanha. Convocado para a Euro, ele ajudou a levar a Espanha até as semifinais, quando caiu nos pênaltis para a Itália. Olmo deu três assistências em cinco jogos, incluindo duas nas oitavas de final contra a Croácia depois de sair do banco. O espírito de grupo da seleção espanhola foi um dos pontos que mais animaram o meia.
"Não construímos essa equipe somente durante a Euro 2020, mas também ao longo das eliminatórias. Foi feito um documentário para a Amazon cujo nome é 'A Força do Grupo', e acho que não existe um título melhor para definir o nosso elenco. Tivemos que superar muitas adversidades para chegar onde chegamos. Estamos orgulhosos do nosso desempenho e sabemos que podemos fazer mais, muito mais."
Olmo não teve descanso depois da Euro. Ele se juntou ao time sub-23 da Espanha que foi para os Jogos e saiu de Tóquio com a medalha de prata - perdeu a final para o Brasil por 2 a 1, com Olmo atuando os 90 minutos regulamentares, mais a prorrogação. No jogo que valeu a classificação espanhola para o Mundial, contra a Suécia, Olmo iniciou entre os titulares de Luis Enrique. Tá com pouca moral o rapaz?
Faltou combinar com o Brasil. Espanha de Olmo ficou com a prata no Japão 🥈
Faltou combinar com o Brasil. Espanha de Olmo ficou com a prata no Japão 🥈
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Pronto para os próximos desafios

Olmo é completamente apaixonado por futebol e tudo o que o envolve. Nem mesmo a pressão e as instruções táticas tiram o seu prazer no jogo.
"Você tem que aprender a conviver com a pressão. Se tem confiança em si mesmo, consegue minimizar a pressão. Ainda tenho muitas coisas para alcançar, mas posso dizer que tenho muito orgulho que já vivi."
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