Os mascotes Toro Loko e Massa Bruta na arquibancada do Nabizão
© Ari Ferreira / Red Bull Bragantino

O dia em que o Bragantino passou por cima do Flamengo

Titulares naquele 16 de outubro de 1993, Claudinho e Charles falam sobre a partida
Escrito por Ricardo Gomes
3 min de leituraUpdated on
Em 1993, o Flamengo era um dos melhores times do Brasil. Não apenas por ter sido campeão brasileiro no ano anterior, mas por ter feito uma promissora renovação de elenco. Jovens talentosos, como Marcelinho Carioca e Paulo Nunes, se misturavam com veteranos bons de bola, como Casagrande e Renato Gaúcho. Mas nada disso adiantou para superar o Red Bull Bragantino, uma equipe bem mais modesta, liderada por Claudinho Batista.
Voltemos para 16 de outubro de 93. Segunda rodada do returno do Campeonato Brasileiro. No Nabi Abi Chedid (que então se chamava Marcelo Stéfani), o Bragantino recebia o Flamengo para o segundo encontro entre as equipes naquele torneio - o primeiro acabou empatado por 1 a 1, no Maracanã. Para o time paulista, valia um respiro na tabela após uma vitória em oito jogos. O Rubro-Negro, por sua vez, chegava com moral em alta, como vice-líder do Grupo A.
Escalado para o lugar do suspenso João Santos, Claudinho Batista, atacante emprestado pela Ponte Preta, deu início a uma das vitórias mais inesquecíveis da história do Massa Bruta. Aos 7 minutos, ele fez de cabeça o primeiro gol.
Mesmo com um time mais técnico, o Fla pouco assustava. Os espaços na defesa carioca foram surgindo e o Braga aproveitou. E foi empilhando gols. Aos 28, Claudinho marcou outro, completando chute rasteiro de Alberto. O jogo esquentou e em cinco minutos três atletas foram expulsos: Junior Cesare, do Braga, e Marquinhos e Marcelinho, do Fla. Com o cronômetro batendo os 43 minutos, o Braga aumentou, com Silvio, pegando rebote de Gilmar Rinaldi. O Flamengo estava praticamente nocauteado antes do intervalo.
"Houve um menosprezo por parte do Flamengo. Por terem um time com mais craques e serem os campeões brasileiros, eles acharam que venceriam quando quisessem. Mas o Bragantino também era um time forte. A gente se fechou para vencer aquele jogo. Com 3 a 0 no placar, os jogadores do Flamengo já discutiam entre eles", lembra Claudinho.
Na volta do intervalo, o campeão brasileiro deu sinais de vida, com um belo gol de Renato Gaúcho. Mas a reação parou por aí. Silvio marcou o quarto, aos 12 minutos, e Claudinho fechou a contagem, aos 27. "Simplesmente atropelamos. Não deixamos eles respirarem", diz Claudinho, que com três gols virava ídolo instantâneo da torcida bragantina.
Deu dó do Flamengo
Claudinho Batista
A vitória por 5 a 1 foi emblemática para o Bragantino naquele Brasileiro e na história do clube, mas não foi suficiente para levar o time à segunda fase (os pontos corridos só começariam dez anos depois). O Flamengo juntou os cacos, engatou uma sequência positiva e avançou, mas acabou na lanterna do seu grupo na fase seguinte e fechou em oitavo lugar a competição, vencida pelo Palmeiras.
"Nosso time era forte e muito entrosado, mas nada deu certo naquele dia. Levamos um 'sacode' merecido", lembra Charles Guerreiro, titular na zaga do Flamengo naquela partida.
Jornal de Bragança no dia seguinte da goleada

Jornal de Bragança no dia seguinte da goleada

© Reprodução

Depois do Brasileiro, Claudinho voltou para a Ponte e mais tarde foi contratado pelo Paraná, onde sagrou-se pentacampeão estadual. "Fiz muitos gols no Paraná, mas as pessoas lembram de mim pelos três gols contra o Flamengo. Foi disparado o melhor jogo da minha carreira", conta o ex-atacante, hoje com 53 anos e instrutor de uma escolinha de futebol em Piracicaba, interior de São Paulo.
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