Eles não marcam nem evitam gols, não apitam e nem mexem com o regulamento dos campeonatos, não definem esquemas táticos ou escalações, mas são indispensáveis para a dinâmica do jogo. Já pensou em como seria o futebol se não existissem os gandulas?
Todo time profissional que esteja disputando uma liga importante tem a sua equipe de gandulas. Não há uma regra que defina a quantidade necessária de colaboradores por jogo, mas, em média, trabalham de seis a oito pessoas. E gandula é cargo de confiança.
Nelson Miranda, 62 anos, é um desses casos de alta fidelidade a um clube. Ele tem mais de três décadas de Red Bull Bragantino e hoje chefia o time de gandulas em jogos no Nabi Abi Chedid.
"Eu torcia para outro time, mas depois de tanto tempo aqui, o Braga acabou virando a minha vida. Estou aposentado e venho ao Nabizão sempre que tem jogo", diz Nelson.
O trabalho de gandula tem dois pilares básicos: buscar a bola que se perdeu na linha de fundo e devolvê-la aos jogadores. Mas não é só isso. É preciso seguir algumas regrinhas para tudo funcionar dentro dos conformes ao longo dos 90 minutos.
"Normalmente chegamos no estádio uma hora antes do jogo. Conversamos e definimos algumas coisas pra não dar nada errado. Pelo menos no Red Bull Bragantino, não retardamos jogo, mesmo quando o placar está a nosso favor, e não devolvemos bola 'quadrada' ao adversário. Para evitar problemas, nas cobranças de lateral e escanteio, ficamos a um metro do jogador e colocamos a bola no chão. A gente não quer atrapalhar. Quem ganha o jogo são os atletas", conta Nelson.
Com tanto tempo à beira do gramado, Nelson colecionou boas histórias, e não apenas como gandula. "Estava ajudando a equipe médica e certa vez o Lincom [ex-atacante do Red Bull Bragantino], pediu atendimento. Tínhamos uma tábua de madeira, bem frágil, e o Lincom tem quase 2 metros, é um cara forte. Acomodamos ele com dificuldade e na saída do campo a maca quebrou ao meio. Outra história com maca envolve o Dener [atacante morto em 1994]. Ele estava lesionado e fomos buscá-lo. Só que ele passou o trajeto todo xingando a mim e ao meu colega. Perto da linha de fundo jogamos a maca no chão com Dener e tudo."
"Patrimônio" do Braga, Nelson entrega muito mais do que disposição para fazer seu trabalho vingar. "Faço isso por amor ao futebol. A vida de gandula tem suas dificuldades, mas a gente também curte."
+ Assista abaixo ao episódio da série Fanáticos Pro sobre o torcedor do Boca Juniors que só vê seu time infiltrado nas torcidas rivais.
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O torcedor infiltrado
A série Fanáticos Pro conta a história dos torcedores mais apaixonados da América Latina. Neste episódio, um torcedor se infiltra na torcida rival para conseguir acompanhar o Boca pela Argentina.
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