Lucas Evangelista rodou muito. Agora, quer criar raízes
Meia jogou em quatro ligas europeias antes de chegar ao Red Bull Bragantino
Às vezes, é preciso parar. E foi o que Lucas Evangelista fez. Depois de rodar muito pelo futebol europeu, o meia escolheu o Red Bull Bragantino pra fazer algo ainda inédito na carreira: criar raízes. Revelado pelo São Paulo, Lucas não tinha nem 30 partidas como profissional quando assinou com a Udinese. Era 2014 e ele tinha apenas 19 anos. Pouco aproveitado na Itália, jogou ainda por Panathinaikos, Vitória de Guimarães, Nantes e Estoril.
"Nenhum jogador tem em mente rodar tanto, por tantos clubes. A gente quer ter um vínculo, jogar por anos em um único lugar. Vim pro Red Bull Bragantino pra isso. Me sinto à vontade neste clube desde o meu primeiro dia de trabalho", conta Lucas, que chegou ao clube em 2020, emprestado pelo Nantes.
O estágio fora do Brasil deu a Lucas algo valioso: a competitividade. "Na Europa, o nível é muito alto, então se você não competir, fica pra trás, não joga. Aprendi nesses anos lá que é preciso ser competitivo, trabalhar duro e elevar o seu jogo a cada dia. O [técnico Mauricio] Barbieri nos cobra isso."
A temporada de Lucas é de retomada de espaço no Braga. Ele sofreu uma lesão em agosto de 2021 e voltou em setembro para as semifinais da Copa Sul-Americana, contra o Libertad. A alegria, no entanto, durou pouco. Com dores, o meia regressou ao departamento médico e de lá só saiu de vez em fevereiro, durante o Paulistão.
"Prefiro não projetar onde podemos chegar nesta temporada. É um passo de cada vez. Esperávamos avançar na Libertadores e na Copa do Brasil, mas agora temos só o Brasileiro pela frente e é nele que vamos focar. O time está se encaixando e temos tempo pra melhorar nossa posição na tabela", explica.
Na França
Foram apenas 19 jogos com a camisa do Nantes, tempo suficiente pra Lucas medir forças com o estrelado PSG. O meia foi titular e jogou 60 minutos na derrota por 3 a 0 no Parque dos Príncipes, em abril de 2019, pela Copa da França.
"Infelizmente o Neymar não jogou aquela partida. Queria ter trocado camisa com ele. Em compensação, enfrentei o Mbappé. Ele é muito acima da média. Mas eu fiquei surpreso mesmo com o Verratti. Ele 'esconde' a bola, faz coisas que a gente não está acostumado a ver em um volante. Tem que bater palmas pra ele", lembra.
Pra Lucas, a passagem pela França o ajudou a se condicionar melhor fisicamente. "Se na Itália aprimorei bastante a minha mentalidade defensiva, na França, tive que cuidar mais do meu corpo. A Ligue 1 é um campeonato de muita força, que exige muito da parte física."
Gol que valeu contrato
Lucas Evangelista não tem tantos gols pelo Red Bull Bragantino, mas um deles entrou pra história. Na Sul-Americana de 2021, o Massa Bruta pegou o Tolima fora de casa na rodada final da fase de grupos e só uma vitória classificava a equipe.
O placar apontava 1 a 1 até os 35 minutos do segundo tempo, quando Lucas pegou uma sobra da defesa e, de fora da área, encheu o pé esquerdo, no ângulo do goleiro. O gol não só botou o Braga nas oitavas como praticamente garantiu um novo contrato do jogador com o clube.
"Eu tinha feito um golaço pelo Estoril contra o Sporting, mas esse contra o Tolima foi o mais bonito e mais importante da minha carreira. Na hora, não tínhamos noção de que esse gol nos classificaria. Além disso, ele me ajudou muito a ficar no Braga, já que eu tinha contrato de empréstimo", finaliza o meia, que assinou seu contrato definitivo em junho de 2021. Para, enfim, criar raízes.
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