A carreira como jogador de futebol não vingou, mas Jack insistiu. Ele queria, de um jeito ou de outro, trabalhar com o esporte que mais ama. E conseguiu. Hoje, aos 42 anos, ele não calça chuteiras, mas as têm sempre às mãos como roupeiro do Red Bull Bragantino.
Nascido no Ceará, Jack, apelido de Manuel Jackson de Souza, foi pra São Paulo aos 13 anos tentar a sorte na vida. Depois de quebrar a cara em várias peneiras, passou a trabalhar com vendas. Seu irmão mais velho, Manu, já trabalhava como roupeiro e deu um empurrãozinho pro Jack entrar pro futebol profissional.
"Meu irmão cuidava da rouparia do Grêmio Prudente e em 2005 eu fui trabalhar com ele. Não tinha ideia do que um roupeiro fazia. No máximo eu dobrava as roupas de casa", brinca Jack.
A história de Jack com o Braga é cheia de idas e vindas. Em 2011, ele chegou ao Red Bull Brasil. Por lá, ficou alguns meses até aceitar uma proposta do Guaratinguetá. Retornou ao Red Bull em 2014, mas, em 2016, foi para o Figueirense, convidado pelo irmão. A ida para o Braga rolou em 2018. "Moro em Cotia [na Grande São Paulo] e levo 2 horas pra ir pro clube e mais 2 horas para voltar pra casa. Mas isso eu tiro de letra. Amo o que faço e amo este clube", diz.
Os roupeiros não estão acostumados com o brilho dos holofotes, mas sem eles, o trabalho dos jogadores em campo fica incompleto. Afinal, pra mandar bem com a bola nos pés, é preciso estar o mais confortável possível.
"A gente deixa a roupa dobradinha pros jogadores, laceamos a chuteira, cortamos meias, fazemos tudo do jeito que o jogador pede. Roupeiro trabalha bastante, é um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair do clube. Precisa ter muita organização, pontualidade e agilidade", explica Jack.
Uma outra função dos roupeiros, não remunerada, é a de psicólogo nas horas vagas. "Muitas vezes um jogador está cabisbaixo e a gente senta com ele para dar um conselho, dar moral. Com os mais novos, isso é até comum. Se você tem liberdade com o atleta, não tem problema aconselhar. Eu escuto muita coisa no vestiário", conta (mas não contou nada do que ouve pra gente, poxa).
Com tanto tempo de futebol, Jack já viu craques e bagres de tudo quanto é tipo. Os mais talentosos ele aponta rápido. "Gostava muito do Carlos Alberto, que jogou no Fluminense, no Vasco, Corinthians e vários outros times. Trabalhamos juntos no Figueirense e ele era fera. O Claudinho é outro cara de quem eu sou fã. E além de craque, é da resenha, muito humilde", finaliza.
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