Time do Bragantino perfilado para a final do Brasileiro de 1991
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Os 30 anos do histórico vice brasileiro do Bragantino

Final contra o São Paulo consolidou o Massa Bruta no cenário brasileiro
Escrito por Ricardo Gomes
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O fim dos anos 80 e início dos anos 90 marcou aquilo que pode ser chamado de era de ouro do Bragantino. Tudo começou com o título da segunda divisão do Campeonato Brasileiro, em 1989. No ano seguinte, foi campeão paulista. E foi 30 anos atrás que o Braga virou força no cenário nacional. No dia 9 de junho de 1991, ficou com o vice-campeonato brasileiro, em uma final contra o São Paulo.
O Braga entrou naquele Brasileiro já consolidado como sensação do futebol nacional. Portanto, uma boa campanha no campeonato só surpreenderia os desavisados. A base do time jogava junta há pelo menos dois anos. A grande mudança para 91 estava no comando: Carlos Alberto Parreira assumiu no lugar de Vanderlei Luxemburgo, que treinou a equipe nos títulos da Série B do Brasileiro de 89 e do estadual de 90.
Nos anos de Luxa, o Braga jogava mais ofensivamente. Parreira, um técnico mais conservador na montagem de suas equipes, tratou de ajustar a defesa, mas manteve o ímpeto ofensivo, especialmente pela direita, com Gil Baiano, àquela altura um lateral da seleção .
Parreira estava trabalhando no Oriente Médio antes de chegar ao Bragantino
Parreira estava trabalhando no Oriente Médio antes de chegar ao Bragantino
"O Parreira complementou o trabalho do Luxemburgo. Muita gente dizia que ele era retranqueiro, mas a gente jogava pra frente. Nossa marcação era forte, mas dificilmente saíamos de campo sem marcar gol", lembra Marcelo Martelotte, goleiro do Braga em 1991.
Depois daquela campanha [na primeira fase], passamos a acreditar no título
Júnior, zagueiro do Bragantino em 1991
De fato, ofensividade foi o que não faltou ao Braga de Parreira. A equipe terminou o Brasileiro com o melhor ataque da competição, com 29 gols. Na primeira fase, teve vitórias marcantes contra o Cruzeiro (3 a 1) e o Palmeiras (2 a 0), fora de casa. Ao fim de 19 jogos, com apenas duas derrotas, o time tinha os mesmos 26 pontos do São Paulo. Só ficou em segundo por ter duas vitórias a menos que o Tricolor.
"Nosso time era muito forte. Jogávamos do mesmo jeito dentro e fora de casa", diz Júnior, zagueiro daquele time. "Depois daquela campanha, passamos a acreditar no título. Estávamos prontos", completa.
Para chegar ao título, o próximo obstáculo seria a semifinal contra o Fluminense. O jogo de ida, no Maracanã com 74.781 torcedores, foi o mais simbólico do Braga no campeonato. Franklin, ex-Flu, fez o gol da vitória aos 43 do segundo tempo. "Assim como o Franklin, eu também sai da base do Flu. Teve um gostinho especial vencê-los", lembra Silvio, artilheiro do Braga no Brasileiro, com nove gols, um deles uma pintura contra o Athletico Paranaense (veja abaixo a partir de 1min40s).
Na volta, no Nabi Abi Chedid, Franklin marcou novamente, Ézio empatou e o 1 a 1 levou o Braga à decisão do Brasileiro, a primeira em sua história. Do outro lado, o São Paulo superou o Atlético-MG com dois empates - se classificou por ter a melhor campanha na primeira fase.
Por ter feito campanha melhor que o rival, somando a primeira fase e semifinais, o Braga jogava por uma vitória na ida, no Morumbi, para levantar a taça. Mas o São Paulo venceu por 1 a 0, gol de Mário Tilico. A vantagem passou a ser do Tricolor, que jogaria por empate na volta.
O jogo no Nabizão foi truncado, tenso, sem grandes chances para os dois lados. Comandado por Raí, Cafu, Leonardo e Müller, o São Paulo jogou com o regulamento embaixo do braço e segurou o empate por 0 a 0. E o Braga foi vice-campeão. Mauro Silva foi eleito Bola de Ouro, prêmio que então era entregue pela revista "Placar", como melhor jogador e compôs a seleção do campeonato ao lado de três jogadores do Bragantino: Martelotte, Gil Baiano e Mazinho.
Bragantino: João Santos na final de 1991 contra o São Paulo
Bragantino: João Santos na final de 1991 contra o São Paulo
"O Telê [Santana, técnico do São Paulo] fechou a nossa melhor saída, que era com o Gil Baiano. Ficamos com poucas opções de ataque, e isso facilitou a vida do São Paulo. Apesar do vice, a gente entrou para a história. Jogamos de igual pra igual com todas as equipes", recorda Junior.

E se...

Naquele tempo, apenas os campeões do Brasileiro e da Copa do Brasil disputavam a Libertadores. São Paulo e Criciúma foram os representantes do país em 1992. O Tricolor avançou à final, bateu o Newell's Old Boys e abraçou a primeira de suas três Libertadores. Meses depois, no Japão, ganhou do Barcelona por 2 a 1 e foi campeão mundial.
Mas, e se fórmula de classificação à Libertadores em 91 fosse mais próxima ao que temos hoje em dia, e o Braga, na condição de vice-campeão, também garantisse um lugar na competição? Para os ex-jogadores do Massa Bruta, não há muita margem para discussão: a equipe faria história no continente.
"Tenho certeza que seríamos um dos favoritos ao título. Aquele Bragantino era uma das poucas equipes que batia de frente com o São Paulo. Isso sem falar que, pelas campanhas que fizemos nos Brasileiros seguintes, jogaríamos a Libertadores outras vezes", acredita Martelotte. "Acho que faríamos outra final com o São Paulo. Se estivéssemos na Libertadores, o projeto em 92 seria mantido e não perderíamos jogadores como Mauro Silva e Mazinho", diz Silvio.
Apesar da enorme expectativa criada para o restante da temporada 91, o Bragantino ficou devendo bom futebol. Sem Mauro Silva e Mazinho, que se transferiram para La Coruña e Bayern de Munique, respectivamente, o Braga patinou no Paulista, ficando fora da zona de classificação para a segunda fase. Em outubro, Parreira arrumou as malas e retornou à seleção brasileira - já havia tido uma passagem relâmpago como treinador em 1983 - para, três anos depois, vencer o Mundial nos Estados Unidos.
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