'Me chamaram de louco quando fui pro Red Bull Salzburg', diz Alan, ex-Flu

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Brasileiro é o segundo maior artilheiro da história do clube
Escrito por Ricardo GomesPublicado em
A lista de brasileiros que jogaram pelos times Red Bull no exterior é extensa, mas Alan Carvalho é especial. Ele é o único que conseguiu superar a marca de 50 gols e carregar a idolatria de uma torcida. E segue sendo amado mesmo cinco anos depois de ter ido embora.
Cria do Fluminense e com passagens pelas seleções brasileiras de base, Alan foi marcante no Red Bull Salzburg. Em cinco temporadas, conquistou quatro títulos (duas liga austríacas e duas Copas da Áustria) e marcou 93 gols, o que faz do atacante o segundo maior artilheiro do clube em todo os tempos.
Alan apareceu em 2009, quando desandou a fazer gols pelo Flu. Contrariando as expectativas de que seu destino certo era um grande centro da Europa, preferiu um destino menos óbvio. Em 2010, fechou com o Salzburg, que à época tinha apenas cinco anos.
Alan comemorando gol: imagem que o torcedor do Salzburg se acostumou a ver
Alan comemorando gol: imagem que o torcedor do Salzburg se acostumou a ver
"Muita gente me chamou de maluco quando aceitei a oferta do Red Bull Salzburg, até porque tinha um clube francês interessado, mas segui meu coração. Foi uma das melhores escolhas que fiz na vida. País ótimo, clube com estrutura de primeira. Lá, cresci como homem e atleta", diz Alan, que hoje defende o chinês Guangzhou Evergrande.
O início na Áustria foi bom. Na primeira temporada, marcou dez gols. E nem era titular absoluto. Mas Alan demoraria um pouco a ganhar de vez os torcedores dos Touros.
"Nos primeiros meses tive muita dificuldade. O primeiro treinador que peguei insistia em me colocar na ponta e eu não consegui me adaptar. Entrou um outro treinador que gostava do meu futebol e quando o centroavante titular ficou fora, fui escalado para jogar como 9, do jeito que eu gosto. Fiz três gols em um só jogo e virei o dono da posição.
Tudo corria bem, mas ainda havia mais uma prova no caminho. Alan sofreu uma lesão grave e ficou parado mais de um ano. Mas não era o fim. "Voltei bem e não saí mais do time", lembra o centroavante brasileiro.
A partir de 2012, Alan passou a formar imparável dupla de ataque com o espanhol Jonathan Soriano. Juntos, fizeram quase 300 gols em três anos. Soriano, aliás, é o maior artilheiro da história do Salzburg, com 172 gols. "Tecnicamente, [Soriano] foi o melhor com quem eu já joguei. Ele não era tão veloz, mas pensava dez vezes mais rápido que a maioria. Era um jogador muito inteligente", diz Alan.
Alan e Soriano, a dupla que você respeita
Alan e Soriano, a dupla que você respeita
A parceria se desfez em janeiro de 2015, quando Alan, que era naquele momento artilheiro da Liga Europa, com oito gols, foi pro Guangzhou Evergrande, da China. Chegava ao fim o conto de fadas com o Red Bull Salzburg.
"As coisas aconteceram de forma meio inesperada na minha vida. Quando fui para a Áustria, muita gente achou que eu não vingaria. Fui lá e fiz história. O Salzburg me deu a oportunidade de ser o jogador que sou hoje", define o atacante.

'O Mané era bom, mas tinha gente melhor'

O que não faltou para Alan no Red Bull Salzburg foi gente de qualidade pra dialogar dentro de campo. Entre 2012 e 2014, o brasileiro atuou com Sadio Mané, hoje ídolo do Liverpool e um dos melhores jogadores do mundo.
Kampl (à esquerda) e Mané ao lado de Alan. Trio deixou saudades em Salzburg
Kampl (à esquerda) e Mané ao lado de Alan. Trio deixou saudades em Salzburg
No Salzburg, Mané já desequilibrava as defesas com sua velocidade e dribles imprevisíveis, mas, segundo Alan, ele não era tecnicamente o jogador mais bem dotado daquele elenco. "O Mané era acima da média, muito bom, mas o Kevin Kampl [atualmente no RB Leipzig] era melhor. Além de ter sido um irmão para mim nesse período de Áustria."

Reforço para a China

A boa fase na China fez Alan rever alguns projetos de carreira. O atacante apressou seu processo de naturalização e está apto a jogar pela seleção chinesa. Agora, a ex-promessa do Flu vislumbra a possibilidade de ser o primeiro brasileiro a disputar um Mundial pela China. "Fui liberado pela Fifa e já posso ser chamado. Quero brigar pelo meu espaço e, quem sabe, disputar o Mundial de 2022", diz.
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