6 técnicos que não deveriam ter repetido a dose

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Voltar ao clube ou à seleção em que se fez história não é garantia de sucesso
Escrito por Ricardo GomesPublicado em
Aquele ditado diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Sabe-se lá se isso é verdade (depois a gente procura no Google), mas na vida dos técnicos de futebol, isso é quase uma verdade absoluta: voltar a um clube ou seleção onde já teve sucesso não significa uma segunda onda de conquistas.
Após uma pesquisa, aqui está uma lista de seis treinadores que provavelmente se arrependem de ter repetido a dose - ou pelo menos que não conseguiram chegar nem perto do sucesso que já haviam conseguido.

Felipão na seleção brasileira

Luiz Felipe Scolari
Luiz Felipe Scolari
Felipão teve dificuldades no início da caminhada como técnico da seleção. Foi eliminado por Honduras na Copa América de 2001, passou raspando pelas eliminatórias para 2002 e o futebol do time não convencia. No Mundial da Coreia do Sul e do Japão, porém, o treinador montou um esquema com três zagueiros, liberou Cafu e Roberto Carlos e deixou Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo com a única função de infernizar defesas adversárias. E assim o penta aconteceu.
Logo após a consagração, Felipão foi para a seleção portuguesa - e teve sucesso, diga-se. Depois, rodou por Chelsea, Bunyodkor (!), do Uzbequistão, Palmeiras e, em 2013, voltou à seleção no lugar do recém-demitido Mano Menezes. Penou para vencer nos primeiros amistosos, mas foi bem na Copa das Confederações, voando na final contra a Espanha: 3 a 0. Hexa? Não, a campanha no Mundial foi péssima e terminou com ele, o inesquecível 7 a 1.

Louis Van Gaal no Barcelona

Louis Van Gaal
Louis Van Gaal
O holandês já havia feito barba, cabelo e bigode pelo Ajax nos anos 90, quando resolveu tentar a sorte em um Barcelona que se reconstruía após a saída de Ronaldo. Foram dois títulos da liga espanhola e uma Copa do Rei, mas a coisa começou a azedar quando o holandês entrou em rota de choque com o craque do time.
Rivaldo havia acabado de ganhar o prêmio de melhor do mundo e não aceitava mais jogar de ponta esquerda, onde Van Gaal o fixou, e sim de camisa 10, logo atrás dos atacantes. O técnico não curtiu a ideia e, como forma de castigo à rebeldia do brasileiro, começou a sacá-lo do time titular para dar lugar ao finlandês Litmanen. Na queda de braço, deu Rivaldo. Van Gaal deixou o Barça em 2000, mas retornou em 2002 para uma curta empreitada de 5 meses. O treinador deixou o posto em janeiro de 2003, com a equipe na 12ª colocação do Campeonato Espanhol.

Alfio Basile na seleção argentina

Alfio Basile
Alfio Basile
Pegar a seleção argentina vice-campeã mundial em 90 com Maradona e Caniggia, além de Batistuta e Simenone despontando não deve ser dos trabalhos mais complexos para um técnico. E de fato não foi para Alfio Basile. Vindo de boas campanhas pelo Racing, ele dominou o continente no início dos anos 90, com o bi da Copa América (1991 e 1992) e a conquista da primeira edição da Copa das Confederações, em 92. No Mundial dos EUA, em 94, a Argentina entrou na disputa com o rótulo de favorita, mas parou nas oitavas diante da surpreendente Romênia. A eliminação causou a demissão do técnico.
Passado o Mundial de 2006, a federação argentina achou prudente recontratar Basile. Afinal, o último título da seleção principal havia sido sob o comando justamente de Coco, como é chamado. Rodeado por astros como Messi, Riquelme, Aguero e Verón, Basile pouco produziu nesse retorno. Penou nas eliminatórias para o Mundial de 2010 e ainda levou um 3 a 0 do Brasil na final da Copa América de 2007. Desgastado, pediu as contas em 2008.

Marcello Lippi na seleção italiana

Marcello Lippi
Marcello Lippi
Lippi pedia passagem para assumir a seleção italiana desde os anos 90, quando ganhou tudo com a Juventus. A chance de treinar a Azzurra, no entanto, só chegou em 2004. Com Del Piero, Totti, Cannavaro e Buffon em grande forma, conquistou o tetra no Mundial de 2006, na Alemanha.
Deixou o posto em seguida e tirou uma temporada sabática. Enquanto isso, seu sucessor, Roberto Donadoni, acumulava fracassos. A queda precoce na Euro de 2008 foi a gota d'água para a federação italiana, que demitiu Donadoni e promoveu o retorno de Lippi. A caminhada rumo ao Mundial de 2010 aconteceu sem sustos, mas a participação da então campeã foi desastrosa. Em um grupo com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia, a Itália ficou em último lugar, com dois empates e uma derrota. Foi a pior campanha de uma equipe que defendia o título. E é claro que Lippi não suportou o vexame e saiu sem deixar saudades.

Dunga na seleção brasileira

Dunga
Dunga
Ninguém entendeu muito bem quando a CBF contratou Dunga para comandar a seleção após a Copa de 2006, mas o ex-volante sem qualquer experiência prévia como treinador venceu a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009. Nas Eliminatórias, foi impecável, com vitórias marcantes contra Argentina e Uruguai fora de casa.
O Mundial da África do Sul seria o carimbo de aprovação de Dunga como técnico. A trajetória no Mundial não foi ruim, mas o Brasil caiu nas quartas, contra a Holanda, depois de dominar os 45 primeiros minutos de jogo. Demitido, Dunga ainda tentou a sorte no Inter, clube que defendeu como jogador. Mas não durou muito tempo. Foi aí que a CBF ousou novamente, apostando as fichas no ex-volante após o vexame do 7 a 1. Com duas eliminações constrangedoras nas Copas América de 2015 e 2016, Dunga foi mandado embora.

Cuca no Palmeiras

Cuca
Cuca
Cuca chegou chegando ao Palmeiras em 2016, prometendo que ganharia o Campeonato Brasileiro. Dito e feito. O Verdão ficou com o título nacional e encerrou uma fila de 22 anos na competição.
Alegando questões pessoais, o técnico deixou o cargo logo após a conquista. Para o seu lugar, o Palmeiras contratou Eduardo Baptista, que disputou o Paulistão e caiu antes mesmo do Brasileiro. Era a deixa para o retorno de Cuca, que aceitou o convite e reassumiu o time cinco meses após ir embora. Dessa vez sem promessa de título, Cuca tropeçou nas primeiras rodadas do Brasileiro e amargou uma eliminação nas oitavas da Libertadores para o Barcelona de Guayaquil. Internamente, entrou em atrito com Felipe Melo, que tinha o apoio de boa parte da torcida. Em outubro, foi mandado embora.
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