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Os 10 melhores jogos indie da década

© Matt Makes Games
Estes games foram o que de melhor foi produzido nos anos 2010
Escrito por Ben Sillis e Jamie Hunt-Stevenson, com adaptação de Jeancarlos MotaPublicado em
Os desenvolvedores independentes foram responsáveis por algumas das experiências de jogo mais memoráveis nos últimos dez anos. E não, não estamos falando apenas daquele ganso malandro. De escalada em montanhas ao cuidado de fazendas e testemunhar um verdadeiro pesadelo, fomos mimados com indies que vão do belo ao estranho. Aqui estão nossas escolhas dos melhores da década.

Inside (2016)

Playdead – PC, Mac, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS
Tela da parte submersa do jogo indie Inside
Encontre uma rota de fuga em Inside
Ninguém esperava que a Playdead voltasse ao mesmo poço para algum tipo de continuação semelhante ao sinistro jogo de plataforma Limbo, mas eles voltaram com um balde cheio de ouro mais uma vez. Inside começa de maneira semelhante, com um menino pequeno em um mundo sombrio e 2D. Porém, ele não está morto, pelo menos ainda: o que começa como uma fuga da prisão de uma fábrica autoritária orwelliana, como uma versão menos flatulenta da fábrica de empacotamento de carne do clássico game Abe's Oddysee, parte para algo bem mais sinistro, desde que evite acabar se afogando, ser baleado, despedaçado por cães ou usado em experimentos médicos.

Celeste (2018)

Matt Makes Games – PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Celeste, da estelar dev indie Matt Makes Games (que contratou artistas brasileiros para produção deste game), sofreu um pouco com o famoso destino de ser impressionante, mas difícil. Porém, você precisa saber que Celeste é um jogo incrivelmente bonito, comovente e divertido. E desde quando escalar uma montanha é algo fácil? Nele, seguimos a adolescente Madeleine enquanto tenta escalar a montanha titular, ao mesmo tempo em que luta com suas ansiedades tanto pela escalada em si quanto por uma natureza mais pessoal. À medida que essas ansiedades se exteriorizam em forças sobrenaturais, o jogador é incumbido de escalar níveis de dificuldade cada vez maiores, o que exige um nível de concentração e destreza capaz de testar as habilidades (e paciência) de qualquer um. A frustração é sempre compensada pela rigidez dos controles e velocidade com que você pode tentar novamente. Também garante que cada estágio conquistado seja incrivelmente gratificante. Ao abordar brilhantemente assuntos sensíveis de depressão, ansiedade e aceitar suas próprias inseguranças, Celeste mostra que uma reputação difícil não significa nada. É o coração pulsante que conta.

Journey (2012)

Thatgamecompany – PC, PS3, PS4, iOS
Para um jogo que dura apenas três horas do início ao fim, Journey deixou um legado duradouro nos jogos independentes. Além de iniciar acidentalmente um subgênero próspero de jogos suaves de quebra-cabeça, onde alguém de capa vermelha vaga um pouco por lindos ambientes, essa foi a grande resposta da Sony à florescente cena indie no Xbox Live no início dos anos 2010: seu exclusivo, feito por uma pequena equipe, que definiu o campo de batalha para a próxima década. Journey é uma delícia do começo ao misterioso fim. Tudo o que você pode fazer é pular, gritar e caminhar em direção ao topo da montanha à distância. Ao longo do caminho, outros jogadores na mesma jornada aparecerão, e podem ajudar você a seguir em frente. E por mais simples que tudo isso possa soar, certamente essa será um jornada inesquecível.

The Witness (2016)

Thekla – PC, Mac, PS4, Xbox One, iOS
Imagem do jogo indie The Witness
Pronto para alguns quebra-cabeças?
Poucos videogames exigem que você divida um bloco de anotações, principalmente um com papel milimétrico, contudo se quiser experimentar The Witness por si mesmo, precisará de um pouco disso ou de uma memória fotográfica. Você escolhe. Esta ilha misteriosa e abandonada está cheia de quebra-cabeças baseados em grade que começam simples, porém sem nem uma única pista escrita, escalam, iteram e evoluem até que você esteja procurando formas em cachoeiras e nuvens passageiras. Nunca brigamos tanto em um jogo, nem sentimos tanto orgulho em superar um quebra-cabeça em particular quanto em The Witness - aquele maldito pedaço de madeira no chão (aaaargh!). Um notável e digno seguimento do jogo igualmente intelectual Braid, de Jonathan Blow, e você deve curtir este aqui até o fim.

Stardew Valley (2016)

Sickhead Games – PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Às vezes, é mais sobre a jornada do que sobre o destino. Esse certamente é o caso de Stardew Valley, que é essencialmente uma jornada. Depois de uma fazenda ter sido entregue a você pelo seu avô moribundo, seu drone de escritório dirige-se a pastagens rurais para acordar cedo, plantar sementes, cuidar do solo e geralmente fazer coisas agrícolas. Parece legal? Só que é mesmo! Stardew Valley é enganosamente enorme em suas ambições - e exige que o jogador construa relacionamentos, lide com as realidades brutais da ganância corporativa e, é claro, garanta que sua fazenda seja proveitosa. Você pode explorar cavernas cheias de monstros, encantar ou negligenciar moradores da cidade, pescar e fazer muito mais. Tantos tesouros são cuidadosamente construídos, com a combinação certa de estratégia e crescimento, que mostram que esse é um jogo extremamente difícil de capturar. Stardew Valley, mais do que qualquer outro jogo, capta a importância da comunidade e o valor de fazer parte dela. Só não se esqueça de regar seus repolhos.

Owlboy (2016)

D-Pad Studios – PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Muito foi feito sobre o longo processo de desenvolvimento de Owlboy. Oito anos se passaram desde o financiamento até o lançamento, com a D-Pad Studios admitindo abertamente as dificuldades que enfrentaram para dar vida ao adorável híbrido aviário-humano. Porém, o jogo veio ao mercado e, como jogadores, podemos dizer que a espera foi absolutamente válida. Um impressionante jogo de plataforma 2D, rico em pixels, Owlboy voa onde muitos games tão aguardados despencam, e oferece uma experiência perfeitamente executada e com muito pouca gordura. Aqui temos a história de Otus (o titular Owlboy), que deve trabalhar com seu grupo de amigos para combater piratas espaciais e um misterioso conjunto de McGuffins que pode trazer o fim de seu mundo flutuante e deslumbrante. Seu enredo divertido é muito mais rico devido à ênfase na amizade e eventual aceitação, enquanto os adoráveis personagens, a escrita nítida e os belos visuais se somam a um jogo que mais do que ganha seu lugar nesta lista.

Katana Zero (2019)

Askiisoft – PC, Mac, Nintendo Switch
Vacilou, o samurai te cortou!
Vacilou, o samurai te cortou!
Uma coisa é você brincar de ninja e até fazer homenagens a jogos do gênero, como Ninja Gaiden e Shinobi. Outra é adotar uma estética retrô para tanto, algo que poderia sair pela culatra. Entretanto, Katana Zero e seu neon anos 80, pulsante trilha sonora e estilo de vídeo VHS é um exercício da perfeição retrô. Aqui temos um game incrível, com momentos duros como pedra e outros sutis como o céu azul (sem esquecer de momentos brutalmente violentos, dignos de filmes do Tarantino). Este indie maravilhoso coloca você no manto de um guerreiro sem nome, um assassino implacável traumatizado por um passado obscuro, aparentemente explorado por figuras sombrias e que precisa eliminar seus inimigos com apenas um golpe e que ainda conta com manipulação temporal - a missão deu errado? Volte no tempo e corrija-a, samurai. Se você gosta de ação e plataforma é impossível não amar este aqui.

Bastion (2011)

Supergiant Games – PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Tela do jogo indie Bastion
Navegue pelo devastado mundo de Caelondia
O RPG de ação isométrico da Supergiant Games chegou no início da década na Steam e põe você na pele de um herói sem palavras que luta por uma bela paisagem, na esperança de remontar o mundo quebrado de Caelondia. Bastion oferece combate divertido e rápido, um belo estilo de arte em que o mundo se reúne e desmorona em torno de você e uma vasta gama de armas, itens e personalização para fazer ele parecer variado, mesmo quando você está cortando vários inimigos pela enésima vez. O que diferencia este game de seus gêneros contemporâneos, no entanto, é a narração do jogo. É só quando você o joga percebe o quão pouco os jogos usaram o benefício da narração e nenhum tão bem quanto Bastion. Seu narrador onisciente costura as conexões da trama, ao oferecer rumores humorísticos em quase todas as suas ações. Simplificando, Bastion é brilhante.

RiME (2017)

Tequila Works – PC, PS4, Xbox One, Switch
RiME é bastante subestimado, vítima de alguns problemas técnicos que prejudicaram o desempenho do jogo, mas foi apenas um mau momento. O verdadeiro problema foi chegar ao mesmo tempo do superestimado The Last Guardian e compartilhar algumas semelhanças superficiais (um garoto preso em uma ilha com criaturas aladas fantásticas e quebra-cabeças para resolver). Dado o hype em torno do atraso massivo no exclusivo do PlayStation 4, RiME nunca teve chance. As pessoas queriam amar The Last Guardian e por isso ignoraram RiME. Isso é uma pena, já que este é um viciante game de plataforma de quebra-cabeças que se destaca por seu próprio mérito, e que lhe atinge com um absoluto soco sentimental de um final tão forte na sensação de que as lágrimas vão sair, quer você queira ou não. Alguma história melhor sobre a família já foi contada em um jogo? Duvidamos.

Cuphead (2017)

Studio MDHR – Xbox One, Nintendo Switch, PC
Tela de uma chefão em Cuphead
Fumar faz mal e Cuphead fará você odiar os cigarros e charutos
Nunca vimos nada como o Cuphead. Ok, isso pode não ser verdade, porque estilo de animação dele se parece muito com o da era de ouro dos anos 30 que o Studio MDHR quis reproduzir. O que está mais perto da verdade é que nunca jogamos nada como o Cuphead. Enquanto seu glorioso estilo artístico lhe absorve, o frenético estilo de plataforma de correr e disparar, passíveis de morte a cada piscada errada que você der (sim, Cuphead é ridiculamente desafiador) e batalhas de chefes infernais levam o jogo a uma nível próprio. Concordamos, às vezes dá vontade de tascar o controle na parede, mas raramente isso parece injusto e há muito pouco para corresponder à satisfação de conquistar um chefe particularmente mal-intencionado (estamos olhando para você, robô do Dr. Kahl), mesmo que morda o controle em frustração no processo. Cuphead é uma conquista verdadeiramente impressionante e, não, você provavelmente nunca jogou nada parecido.
Veja bastidores do game (se preferir, ative legendas em português).
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