Será que Death Stranding entrega o hype prometido?
© Kojima Productions
Gaming

Afinal, o que é Death Stranding?

O novo jogo de Hideo Kojima entrega o que promete? Veja em nossa review
Escrito por Jeancarlos Mota
7 min de leituraPublished on
Por quase três anos e meio esperamos pelo primeiro jogo da Kojima Productions, estúdio de um dos caras mais conhecidos do universo dos games. Hideo Kojima, é aquele que trouxe à luz obras como Metal Gear Solid e Zone of the Enders e prometeu uma experiência diferente daquilo que estamos acostumados a jogar em mundos abertos e, francamente, Death Stranding entrega exatamente isso.

Tá, mas o que é o Death Stranding?

Após nossas mais de 50 horas de jogo, conseguimos condensar como explicar o básico, sem spoilers, do que esperar. O mundo foi devastado por um fenômeno conhecido como Death Stranding, todas as redes de comunicação nos EUA foram destruídas e cada cidade restante foi isolada e os mundos dos vivos e dos mortos aparentemente foram mesclados. Assim, criaturas conhecidas como BTs, que atacam quem anda fora das cidades, perambulam em focos de chuva ácida, acabando com a vida de qualquer um que os toque. A única forma de interação com o mundo exterior acontece por meio de baús de entrega, levados por pessoas que se arriscam para carregar pacotes com provisões de uma cidade a outra.
Este diferente formato de "fim do mundo" nos coloca na pela de Sam Porter Bridges (Norman Reedus), um dos entregadores que acaba por construir uma senhora reputação por sempre conseguir entregar os pacotes de um ponto a outro, apesar dos perigos mortais. Além disso, Sam é um doom, pessoa com capacidade de sentir a presença dos BTs, mas ele não consegue enxergá-los. Sam é recrutado pela presidente americana para fazer uma viagem de costa a costa pelas cidades sobreviventes e conectá-las em uma única rede, para que se possa ter um país completo novamente.

Exploração e Conexão

Nunca foi tão complexo e rico explorar um mapa

Nunca foi tão complexo e rico explorar um mapa

© Kojima Productions

Além do roteiro inusitado, Death Stranding tem algo diferente do que estamos acostumados em jogos de mundo aberto. O objetivo é levar as encomendas até seu destino. Porém, é na exploração do percurso que a magia do jogo mostra seu diferencial. Os arredores contam com vastos detalhes, como o relevo dos locais explorados e seu impressionate nível de profundidade e dificuldade (visíveis com o botão R1). Após observar o terreno e até montar sua rota é preciso tomar cuidado, pois há desde pisos mais simples de andar ou correr até outros que necessitam de total cautela e equilíbrio (ajustáveis com L2 ou R2). Afinal, derrubar uma carga está fora de cogitação, pois pode tirar seus likes (pense como bônus de xp oriundos de redes sociais) como até acabar com uma missão.
O inventário recebe mudanças constantes com seu progresso. São cordas, ganchos para escaladas e escadas que podem ser utilizadas para subir ou descer em lugares mais altos ou até como ponte em riachos simples e não tão profundos. E os demais entregadores são na verdade outros jogadores conectados ao mesmo servidor que você e suas manifestações ficam presentes em seu mundo de jogo e vice-versa, como torres de observação construídas e emojis de incentivo ou alerta interativo. Neste ponto começamos a perceber que Death Stranding serve com um grande universo cooperativo, onde a conexão com as pessoas é o elemento mais importante.
A principal premissa é que as pessoas são isoladas e infelizes, e para serem verdadeiramente felizes é necessário se conectar com outras. Esse é o foco principal da narrativa, onde Sam se conecta com os demais a quem faz suas entregas e religa as cidades à rede da UCA (United Cities of America) para que possam se comunicar com entre si e compartilhar conhecimento. O próprio novo conceito de cidades (em vez de estados) como formadores do país mostra essa carência por união entre pessoas e a necessidade em fazer com que todos consigam se comunicar novamente. Tanto que é possível colaborar a qualquer momento, ao deixar itens que não sejam mais necessários disponíveis a outros jogadores, da mesma forma em que você não assume nenhum compromisso de repor algo que recolha dos estoques públicos.

Ameaças

Ameaças de todos os tipos não faltam em Death Stranding

Ameaças de todos os tipos não faltam em Death Stranding

© Kojima Productions

Mas nada como a ganância humana para estragar tudo. Em um mundo à beira do colapso, ainda existem elementos que conseguem fundar grupos para atormentar quem busca sobreviver e reunificar a todos. Os MULEs, por exemplo, querem tomar as cargas de qualquer um que cruze seu caminho, com seus acampamentos no meio do nada e sensores de avisos de carga. Da mesma forma que os Homo Demens visam dominar cidades inteiras para governar com a expansão de seus domínios, como uma espécie de império. Mesmo assim o jogo lhe incentiva a não matar humanos (por questões que não vamos explicar para evitar spoilers), onde é possível enfrentá-los com socos e pancadas, armas com balas de borracha ou munição letal.
E não podemos esquecer dos BTs. As formas espectrais presentes nas chuvas devem ser evitadas a todo o custo. Contudo, existem momentos em que sua única rota é através de um encontro inevitável pelas suas chuvas ácidas. É aí onde Sam utiliza do seu dom de percepção e do BB (Bridge Baby) para escapar das garras inimigas e poder visualizar a ameaça, mesmo que temporariamente. Esses fetos que ficam conectados ao entregador detectam a presença dos BTs e são de extrema importância. Com o passar do tempo percebemos como o nível de conexão entre Sam e BB é cada vez maior. Ainda assim, todo confronto contra um BT é perigoso, mesmo quando obtemos acesso a armas capazes de feri-los. Vale lembrar que todo chefão de Death Stranding se mostra criativo e está pronto para causar novos pesadelos àqueles que passarem por seu caminho.

A beleza na loucura de Stranding

Dá pra ficar admirando as paisagens de Death Stranding por horas

Dá pra ficar admirando as paisagens de Death Stranding por horas

© Kojima Productions

Death Stranding é um jogo absolutamente lindo. Seus efeitos sonoros são minuciosamente tão bem cuidados e aplicados com a mesma maestria de sua trilha sonora. Os belíssimos gráficos dos personagens e ambientes receberam um trabalho digno da obra, assim como sua fotografia, marcante e valorizada a cada nova localidade que descobrimos. As versões 3D dos personagens só perdem para qualidade de suas atuações, dignas dos astros de Hollywood presentes no game, como Margaret Qualley, Léa Seydoux, Troy Baker, Mads Mikkelsen e Tommie Earl Jenkins para citar alguns.
Porém, este não é um jogo fácil. Não estamos falando do nível de dificuldade, mas sim de níveis de compreensão ou paciência necessários para imergir no início aventura. Death Stranding não tem os mesmos patamares de ação de um mundo aberto que estamos acostumados e leva à sério a premissa de Kojima de ser algo fora do comum, diferente de outras experiências que já tivemos e que conecte pessoas. Sua grandeza está em sua loucura, em como as peças de um bagunçado quebra-cabeça são arrumadas à medida em que progredimos, em que conquistamos mais likes dos serviços prestados aos que estão desesperados por suprimentos ou equipamentos e têm medo demais de ir lá fora encarar o desconhecido.
Satisfação Bridges na entrega da sua encomenda ou seu dinheiro de volta!

Satisfação Bridges na entrega da sua encomenda ou seu dinheiro de volta!

© Kojima Productions

Death Stranding é tão complicado como os temas que aborda, como morte, vida, política, conexões e amizade, e que melhor experiência do que tentar compreender tais tópicos enquanto tentamos salvar o mundo. Se você busca uma experiência que não teve medo em arriscar, este é certamente um jogo para você. O jogo estará disponível para PlayStation 4 a partir do dia 8 de novembro e uma versão para PC é prevista para segundo semestre de 2020.
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