Mundial de League of Legends
© Stephanie Lindgren / Red Bull Content Pool
Esports

Esports no Brasil: isso já é muito maior do que você pensa

LoL, CS e Free Fire: a cena é enorme e vai crescer
Escrito por Pablo Miyazawa, especial para o RedBull.com
9 min de leituraPublished on
Lá em meados dos anos 2000, Counter-Strikedeu o pontapé inicial na cena competitiva de games no Brasil. Quase duas décadas depois, a ideia de ganhar a vida jogando videogames continua parecendo absurda pra muita gente. Como explicar pra essas pessoas torneios em estádios lotados, jogadores de Free Fire cultuados como "atletas de verdade" ou o investimento de grandes clubes como Flamengo e Corinthians? O esporte eletrônico, ou esport, está longe de ser moda passageira.
E se o público abraçou a causa há um bom tempo, empresas começaram a farejar oportunidades. Muitas empresas já enxergam o mundo do esport como o ambiente perfeito para se comunicarem com as novas gerações, por causa da rica convergência de tribos, classes sociais e interesses variados. Além disso, a diversidade de games populares de vários gêneros contribui para manter o ecossistema sempre renovado e interessante. Mas existem outros motivos para tanto sucesso.
Apesar de divergirem em alguns pontos, especialistas ouvidos pelo RedBull.com concordam: se o presente do esport no País já parece espetacular, o futuro pode ser ainda mais promissor. A seguir, veja cinco fatos que explicam e desmistificam esse universo tão peculiar quanto fascinante.

Não há game que melhor simbolize o esport (e isso é bom)

Esports

Esports

© InsomniaUK

Nos esportes reais, é o futebol quem manda. Mas nos esportes eletrônicos, por que não existe um jogo que representa a prática como um todo?

O Red Bull original

Red Bull Energy Drink

Red Bull Energy Drink
“Isso varia de país pra país. A Dinamarca é um celeiro de bons jogadores de estratégia, assim como a Coreia. Na Rússia, os jogos de tiro são fortes, assim como no Brasil. Mas se fosse escolher os dois que melhor representam o esport aqui, seriam Free Fire e League of Legends. O primeiro, por causa da população que atinge, muito maior que a de LoL. O segundo, porque está há anos construindo uma categoria esportiva. E vale dizer que ambos também são muito populares porque já passaram na TV.” Rodrigo Guerra, editor-chefe do ESPN Esports e The Enemy.
“Depende muito da história de cada pessoa e da região em que se vive. Para mim, que sou brasileiro, é o Counter-Strike, pois foi o jogo em que comecei a competir nas lan houses. E ao mesmo tempo em que o League of Legends foi o precursor da retomada dos esports, o Free Fire está com um número gigantesco de jogadores e espectadores. Em resumo, a resposta depende de para quem você fizer esta pergunta.” Yuri "Fly" Uchiyama, CEO da plataforma de esports Gamers Club.
“O game que melhor representa o esport é League of Legends. Além de ser gratuito, o que já pressupõe facilidade de acesso, é um jogo que nunca exigiu uma máquina poderosa. Esses são pontos da cartilha seguidos em diferentes níveis por outros títulos de sucesso, como Free Fire, PUBG Mobile e Fortnite. Eu diria que o ‘futebol dos esports’ ainda está para surgir, se é que isso é possível. O esporte eletrônico nasceu de forma tão fragmentada que dificilmente um único jogo vai representar todos eles." Claudio Prandoni, ex-editor-chefe no canal Loading.
“Apesar de LoL ser muito grande no Brasil, nada nos representa melhor do que os jogos de tiro. Até 2017, éramos ‘o país do CS’. Depois, vimos Rainbow Six crescer, com times brasileiros vencendo competições. E de dois anos para cá, é o Free Fire que faz os esports alcançarem as pessoas. Há quem ache que o jogo não é bom, que os gráficos são ruins. Enquanto isso, ele roda em todo tipo de celular, o que faz com que chegue a cada vez mais gente, principalmente das classes C e D.” Beatriz Coutinho, repórter do site MGG Brasil.

A busca pelo 'Pelé do esport' está apenas começando

Red Bull SoloQ: Londres

Red Bull SoloQ: Londres

© Mark Roe / Red Bull Content Pool

Jogadores de esports são mais famosos pelo que fazem na vida real do que pelas performances nos jogos. Mas isso está mudando.
“Pra quem acompanha o cenário de League of Legends, fica claro que o Faker [sul-coreano Lee Sang-hyeok] é muito superior a quase todos os jogadores que existem. Então se existe um Pelé no LoL, é o Faker. Já no Counter-Strike, diversos nomes poderiam concorrer a esse título. São vários os jogadores ‘fora da curva’, muito melhores do que os outros, mesmo dentro do cenário profissional.” Diego “Toboco” Pereira, apresentador e narrador de esports.
“No esport, leva-se muito em conta a personalidade do jogador junto com sua capacidade técnica. O Faker tem uma característica introspectiva. Se fosse indispensável que um pro-player também fosse midiático, ele não seria um ídolo. Nesse sentido, ele se parece com o Messi, um gênio do futebol, mas que pouco aparece na mídia. Sem dúvida, o fato de o jogador de esport se comunicar diretamente com os fãs facilita a formação de ídolos. Mas ídolos não nascem todos os dias, e é a raridade que torna eles tão fascinantes." Chandy Teixeira, jornalista da TV Globo e que cobre esport.
“As pessoas são fascinadas pela ideia de que existem seres com super-habilidades. O Pelé foi um fenômeno incrível porque conseguiu reconhecimento global quando o marketing engatinhava. Para engajar o público hoje, os esports utilizam os formatos de transmissões esportivas tradicionais, que são focadas nos detalhes das performances, em exaltar atletas com desempenhos acima da média, apresentar estatísticas… Tudo se encaixa na ideia de que, com o tempo a gente vá encontrar o tal 'Pelé dos esports'. Sergio Patrick, ex-chefe de Esportes da Rádio Bandeirantes.

Relação dos fãs de esports com jogadores é diferente

YoDa

YoDa

© Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

A facilidade de conexão e a identificação do público com os ídolos são benéficas para o ecossistema do game competitivo.
“O esporte eletrônico traz uma aproximação interessante com o ícone, seja o atleta ou o influenciador, porque existe a resposta direta. O cara está lá nas redes sociais, no mesmo lugar onde o fã está - algo bem diferente dos atletas de esportes tradicionais, que nem sempre estão nas redes sociais. Nos esports, pela proximidade entre os games e a tecnologia, essa comunicação é instantânea, portanto a relação de proximidade e o engajamento com o público são mais incentivados.” Barbara Gutierrez, colunista de esports no portal Terra GameON.
“Os pro-players são exaltados não só pelo que realizam dentro do jogo, mas pelo que fazem fora também. Um exemplo no Brasil é o brTT, que já foi seis vezes campeão do CBLoL: os fãs querem vestir as roupas da marca dele, saber quais artistas ele escuta, se está solteiro... Isso acontece porque ele sabe explorar a própria imagem, mas também porque teve uma história de inspiração para chegar lá, e isso comove e gera identificação.” Beatriz Coutinho, repórter do site MGG Brasil.
“Tornar os jogadores figuras mais próximas do público também é uma forma de ajudar [o sucesso dos esports], e é por isso que os times investem tanto em criação de conteúdo. A organização Loud tem a ‘Mansão Loud’, onde os membros fazem vídeos para se aproximar dos fãs. Isso não só gera engajamento, mas também origina novos torcedores, que vão se identificar e torcer pelo time mesmo sem entender direito o jogo.” Leticia Motta, comentarista do game Valorant na Riot Games.

As produtoras seguem buscando o esport perfeito

Free Fire

Free Fire

© Garena

As criadoras estão moldando lançamentos e estratégias de modo a agradar um novo público acostumado às filosofias do esporte eletrônico.
“A Garena continua focada em trazer experiências premium para o maior público possível e construir comunidades altamente engajadas e sociais em torno de nossos jogos. Estamos sempre atentos à nossa comunidade e ao feedback que nos enviam. Com isso em mente, desenvolvemos Free Fire - um battle royale jogável na maioria dos aparelhos celulares. Queremos que o jogo seja apreciado por pessoas em todos os lugares, portanto a acessibilidade e a facilidade de jogo são essenciais. Além do acesso, a construção de comunidades em todo o mundo, especialmente por meio de nossos eventos de esports, também é importante, pois reúne pessoas de todas as esferas que têm uma paixão comum." Garena, criadora do Free Fire, via comunicado.
“Como jogo, Call of Duty: Mobile está em constante crescimento. Nossas estatísticas, engajamento e resultados na área dos esportes eletrônicos continuam a crescer, e nossa equipe está sempre pensando em maneiras de melhorar a experiência do jogador, do espectador e do torcedor. Nós apenas arranhamos a superfície das possibilidades, e continuamos pensando em como ampliar as histórias, para permitir que os jogadores se conectem mais profundamente com os atletas. Para nós, o esport perfeito é aquele que nossa comunidade ama e com o qual está engajada.” Ranj Gogulapati, Diretora de Estratégia de Produto de Call of Duty: Mobile.

Os negócios só crescem

Red Bull Flick 2021

Red Bull Flick 2021

© Fabio Piva / Red Bull Content Pool

Com a crescente profissionalização dos esports, cada vez mais marcas querem se associar aos jogos para impactar o público engajado.
“A estrategia da Ubisoft em esports está relacionada ao game Rainbow Six, e cada vez mais empresas nos procuram, interessadas em ‘entrar’ nesse universo. Isso porque o ambiente do esporte tradicional é muito frio para marcas em geral, e os esports têm um approach mais cool e informal. Quando pensamos no cenário competitivo de jogos como mídia, a presença das marcas só vem para acrescentar. E uma vez que temos grandes empresas apoiando o cenário, conseguimos melhorar as premiações, a qualidade da transmissão, a estrutura… E o público entende isso bem.” Bruna Soares, Diretora de Novos Negócios da Ubisoft Brasil.
“O mercado de games é um nicho com muita oportunidade a ser explorada pelas marcas. É uma mudança de ares que ninguém enxergava. Hoje, eu não posso fazer um anúncio de outdoor em São Paulo por causa da Lei Cidade Limpa. Mas posso colocar um outdoor em GTA Online, porque não existem restrições nesse mundo virtual. Quando se olha para o mundo dos games do ponto de vista da monetização, percebe-se que ainda é uma terra sem lei. Esse é o atrativo dos esports: parou de haver um estranhamento do anunciante, e está virando uma commodity.” Tamires Possenato, Diretora de Mídia da agência Druid Creative.
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