Gaming13 min

Games roguelike: são adoráveis, mas dão uma raiva...

A irresistível atração em jogos como Dead Cells
Escrito por Jeancarlos MotaPublicado em
Boa parte da experiência de saborear um game vem da proposta e da busca para chegar até o fim. Mas você já ouviu falar de roguelike (e roguelite)? É aquele tipo de jogo em que, ao morrer, é preciso voltar ao início e fazer tudo de novo. A dificuldade, portanto, é um grande atrativo - e haja autocontrole para não jogar o joystick na parede.
O roguelike ("como o Rogue", em tradução livre) é originalmente baseado no jogo Rogue, programado em sistema baseado em Unix em 1980. Foi vagamente baseado no RPG de mesa Dungeons & Dragons, em que o jogador deve se aventurar em calabouços de vários níveis, lutar contra criaturas e adquirir equipamentos e tesouros para continuar. Se você gostava de pegar equipamentos épicos em games como Diablo 3, saiba que esse conceito nasceu com Rogue: a cada sessão do jogo era necessário identificar equipamentos e poções ou usá-los às cegas para saber os efeitos.
E pensar que os roguelikes começaram daqui, em Rogue
E pensar que os roguelikes começaram daqui, em Rogue
E assim como no D&D, a aventura volta à estaca zero se em caso de morte. Nos jogos atuais, isso caracteriza o permadeath: não é possível reviver e nem carregar o jogo de onde salvou. Se derrotado, prepare-se para começar tudo novamente. Isso faz com que cada vida do seu personagem seja saboreada ao máximo, a verdadeira antítese aos muitos checkpoints e barras de vida autorregenerativas dos games tradicionais. E não para por aí.

Geração proceduquê?

O mapa de Rogue Legacy é ótimo de explorar, mas nem pense em decorá-lo
O mapa de Rogue Legacy é ótimo de explorar, mas nem pense em decorá-lo
Outra característica marcante é a geração procedural, que nada mais é que um conjunto de algoritmos usados como uma ferramenta para criar grandes quantidades de conteúdo em arquivos de tamanhos mínimos. Isso acaba proporcionando experiências inovadoras em jogos, pois toda vez que o jogo é reiniciado, o mesmo mapa terá caminhos completamente diferentes para que você chegue aos seus objetivos. Então, nada de decoreba. É preciso ralar para encontrar itens, chefões e as próximas etapas do jogo.

A versão 'light'

Diversos jogos já beberam da fonte do roguelike, e pode-se dizer que a indústria independente foi uma das que mais soube aproveitar essa dádiva. Um dos responsáveis pela popularização do roguelike foi o indie de ação e aventura Spelunky (2008), em que o jogador controla um espeleologista (spelunky, em inglês, um estudioso de cavidades naturais) que explora uma série de cavernas enquanto conquista tesouros, salva pessoas e desvia de armadilhas e uma variedade de criaturas subterrâneas.
Este roguelike te fazer perder tudo (tudo mesmo) a cada morte. Porém, seu parente mais amigável, os roguelites, são mais amigáveis. Sempre permitem que alguma coisa de suas experiências anteriores facilite sua pós-morte. Estes são alguns dos mais famosos:
The Binding of Isaac (2011) ajudou a popularizar o subgênero. É um game de tiro misturado a uma mecânica roguelite em que, a cada morte, personagens surgem com características ou habilidades que facilitam o processo.
Em Rogue Legacy (2013), se seu personagem morrer, um parente mais forte (e com itens herdados do falecido anterior) tornará menos difícil a progressão do jogador na nova tentativa.
Em Hades (2020), Zagreus, filho do senhor das profundezas, quer escapar do reino do pai. A cada morte, você perde tudo, mas chaves encontradas liberam atualizações permanentes, construção de novos recursos de suporte para o submundo ou até novas armas.

Dead Cells

Dead Cells vai deixar suas células bem vivas! Basta não quebrar o controle
Dead Cells vai deixar suas células bem vivas! Basta não quebrar o controle
Dead Cells é um roguelike-metroidvania (os de plataforma que lembram Castlevania e Super Medroid) desenvolvido e publicado pela Motion Twin. Seu sucesso fez ele ser lançado para praticamente todas as plataformas em 2018. O jogador assume o papel de uma criatura parecida com um lodo que toma controle de um cadáver em uma masmorra, onde ele deve lutar para escapar de sua prisão.
A trilha sonora é um espetáculo à parte, tanto que posteriormente ganhou um vinil duplo para ser disponibilizado para venda aos fãs, além de estar disponível no Spotify.
Dead Cells começou como um jogo de estratégia online em que seus criadores perceberam que era, bem, chato! Isso aconteceu depois de levar uma versão demo do jogo para um evento. A partir daí, graças a um pitaco de uma empresa de games vizinha, eles perceberam que seu modo para um jogador era suficientemente bom e resolveram novamente largar tudo - mesmo com apenas mais 1 ano de verba para terminar o trabalho - para mudar seu foco. Era acertar ou criar o último jogo da empresa.
+ Assista abaixo ao episódio da série Levels que entra nos bastidores de Dead Cells.
Games · 13 min
A história por trás de Dead Cells
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