Lucas Chumbo, big rider cascudo de Saquarema

Lucas Chumbo, peso pesado do surf de ondas grandes

© Renan Vignoli

Conheça a história do surfista de ondas grandes que é hoje um dos melhores do país.

Muitos surfistas jovens, quando começam a encarar as competições, temem mares maiores. Na biografia do 11x campeão do mundo Kelly Slater, ele conta que na primeira vez que foi competir no Havaí ficou rezando para que o mar não subisse muito.
Mas no caso do carioca Lucas "Chumbo" Chianca o dilema sempre foi o contrário. Iniciando sua carreira de surfista profissional no circuito de acesso, o WQS, Lucas queria mais é que as ondas estivessem grandes. “Gosto de competir, mas na marola não rolava para mim”, conta Chumbinho que logo percebeu que a sua carreira não era ali, nas ondinhas do WQS. 
Depois de dedicar anos e anos no aperfeiçoamento e treinamento para o surf de ondas gigantes, hoje Chumbo é um dos maiores big riders do país. Em fevereiro deste ano, venceu o Nazaré Challenge, campeonato em que Carlos Burle se despedia das competições. 
Também conquistou o título da categoria principal no Big Wave Awards (maior premiação da modalidade), com a "Melhor Performance" da última temporada.
Mas o projeto de seu treinador, Carlos Burle, é ainda mais ambicioso. Burle quer ajudá-lo em sua caminhada para que ele se torne o melhor de todos os tempos. Por enquanto, eles seguem investindo no circuito mundial de ondas grandes, que é o grande objetivo do atleta: se tornar o próximo campeão mundial. A próxima etapa acontece em Mavericks, na Califórnia, e tem a janela de espera aberta a partir do dia 1º de outubro. 
Conheça melhor a história de Lucas Chumbo na entrevista abaixo: 
Como e quando você começou a pegar um mares maiores e decidiu embarcar na carreira de big rider?
Desde moleque, eu sempre gostei de surfar ondas grandes. Por exemplo, Saquarema, Havaí, Waimea e Pipe). Quando competi o WQS, não deu muito certo porque eu ficava nervoso quando o mar estava menor. Não me dava muito bem. Gosto de competir, mas na marola não rolava para mim. Então, decidi partir para o big surf, que é o que gosto e faço melhor. 
Lucas Chumbinho dropando uma morra em Nazaré
Lucas Chumbinho dropando uma morra em Nazaré
Como é encarar Nazaré ao lado do Burle?
É demais! O Burle conhece e entende muito sobre o pico, então ele me passou muito da experiência dele. É um treinamento muito bom. Surfar em Nazaré já é incrível. Com o Burle junto... Melhor ainda! É um mar com ondas muito grandes e pesadas. Há momento de ondas pequenas, mas o mar continua constante e clássico.
Como você vê Nazaré? Quais as peculiaridades dessa onda comparada com outros lugares que já surfou?
Nazaré é um dos lugares mais emocionantes de todos. A energia de lá é sensacional e tenho a sensação de estar muito protegido. Comparado com os outros picos que já surfei, Nazaré é o mais pesado de todos. (rsrsrs). É um bom preparo para o Havaí. Estou aqui faz 10 dias e surfando num mar de 6 à 8, 10 à 12 pés. A cada dia me surpreendo com caldos mais agressivos. Mas tem muita onda boa aqui!
Você disse que tomou a vaca da vida em Nazaré. Pode contar um pouco como foi?
Foi sinistro! Foi uma das sensações mais bizarras que já tive no surf. Senti-me muito preso embaixo d’água, não conseguia me mexer. Tinha acabado de surfar uma bomba, ai quando sai da onda e olhei para trás estava vindo a segunda da série. Ela explodiu na minha frente. Fiquei debaixo d’água por muito tempo. Tentava subir, mas era muita espuma. Foi tenso, me apavorei um pouco. Mas estava tudo sob controle.
O que chegou a pensar na hora que viu a bomba vindo para cima de você?
Na hora mesmo eu pensei ali embaixo: “essa é realmente bem grande” (rsrsrs). Mas tenho muita confiança em mim mesmo, no meu preparo e em Deus... Então fui para o caldo. Estava pronto para isso. Deu tudo certo. Mas, foi a pior vaca da minha vida. A onda era bem grande mesmo.
Chumbinho experimentando as esquerdas
Chumbinho experimentando as esquerdas
Qual o pico de ondas grandes que você mais gosta de surfar?
Gosto muito de Jaws. Também me amarro em Waimea, Nazaré. Na verdade, quando está rolando ondas grandes eu gosto do pico. Mas a que mais gosto é Jaws, onde posso tentar pegar tubo para esquerda e direita. Minha meta é me aperfeiçoar nesse lugar.
Falar sobre MEDO é sempre uma pergunta recorrente para bigriders, e cada um fala uma coisa sobre o MEDO. Como é o “MEDO” para você?
Acho que o medo é o limite. Se você tem medo, você sempre pode tentar. Mas ele é o limite também. Estar ali na espera da onda é saber também que você está correndo risco de levar uma bomba na cabeça. Então, você tem que ter cautela. Você pode até passar por cima do medo, mas ele é o real limite que você tem que ter.
Como você resumiria Lucas Chumbinho em poucas palavras.
Lucas Chumbinho é um atleta determinado, atirado e que sempre quer superar seus limites!
E as direitas...
E as direitas...