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Volta por cima: Pierre Gasly mostra como é que se faz

© Getty Images / Red Bull Content Pool
Em dia histórico, francês surpreende e vence pela primeira vez na Fórmula 1
Escrito por Gabriel CurtyPublicado em
Esta história começa em um momento triste: quando Pierre Gasly perdeu a vaga na Red Bull Racing no meio da temporada 2019 e sua carreira parecia encerrada. O francês decepcionou e saiu de um carro vitorioso para um de meio do grid da Fórmula 1, a então Toro Rosso. Mas esta história tem final feliz. A reação, que já vinha rolando com boas atuações desde o fim da temporada passada, chegou ao momento máximo com uma histórica vitória no GP da Itália.
Foi a primeira vitória da Scuderia AlphaTauri desde que a equipe recebeu este nome, mas a segunda se considerada sua antecessora, a Toro Rosso. Em 2008, também em Monza e pelas mãos do então jovem promissor Sebastian Vettel, a equipe venceu de forma tão dominante quanto improvável. Neste domingo, o roteiro foi diferente, mas o resultado foi a primeira vitória de um francês na F1 desde 1996.
Diferentemente daquela vitória de Vettel, Gasly é um jovem de 24 anos, mas já passou por muita coisa. Não é fácil explicar como um piloto passa 12 corridas em branco com a Red Bull Racing e, pela Scuderia AlphaTauri, consegue sua primeira vitória - foi o segundo pódio dele, já que foi segundo no GP do Brasil de 2019.
+ Assista abaixo à trajetória da Scuderia AlphaTauri desde a apresentação do primeiro carro até a estreia da equipe.
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Desde o rebaixamento - trocando de cockpit com Alexander Albon em 2019 - Gasly já fez mais do que muito piloto reconhecidamente talentoso na Fórmula 1. Além de desempenhos fora de série na Bélgica, na Áustria, na Inglaterra, no Japão e novamente na Bélgica este ano, foi ao pódio no Brasil, algo que alguns pilotos com dezenas ou mais de uma centena de GPs nas costas jamais fizeram. E, na Itália, foi além.
O triunfo coloca um ponto de exclamação na trajetória de Gasly e premia alguém que vinha, desde setembro de 2019, sendo consistentemente um dos melhores do grid. Além disso, da forma como aconteceu, dá o devido valor também a uma equipe que costuma fazer tudo certo e que aproveita as oportunidades que surgem como poucas. E, bem, ainda tem a Honda, que vence com seu motor na pista mais rápida do calendário. Que volta por cima!
Pierre Gasly celebra a vitória em Monza
Pierre Gasly celebra a vitória em Monza
Passei por muita coisa em 18 meses, sofri pra conseguir isso. Esse time fez muito por mim, me deu a primeira vitória
Pierre Gasly
“É um dia incrível. Faz muito tempo desde que tivemos um vencedor francês. Nunca esperei por isso, mas estou muito feliz”, disse Gasly, emocionado, lembrando da vitória de Olivier Panis no GP de Mônaco de 1996, a última de um francês.
Com safety-car, bandeira vermelha, pit-stop na hora certa, mas também uma largada de manual, um ritmo forte e uma tocada impecável que em momento algum permitiu que Carlos Sainz pegasse seu vácuo, Gasly chegou lá. E a entrevista, a celebração, o rádio com o time e o momento de reflexão no pódio depois da entrega dos troféus entram para a história.
Poucos pilotos no grid mereciam tanto um momento de redenção como o do Pierre na Itália. Por tudo que passou, pela forma que reagiu a um período tão adverso, por tanto talento que tem. Gasly lutou, sofreu, chorou e agora ri. E chora também, mas de emoção.
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