Descer ladeiras pelo mundo a mais de 100km/h. O veículo: um skate. Poucas pessoas arriscariam a aventura, uma delas é Douglas Rodrigues da Silva, ou melhor, Douglas Dalua, campeão mundial de skate downhill:
- Eu jogava muito futebol na infância. Então em uma partida, um cara me confundiu com alguém que tinha esse apelido (Dalua). Meus amigos que estavam comigo ouviram e passaram a me chamar assim.
Nascido em São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre, Dalua deu as primeiras embaladas no longboard aos 16 anos, quando utilizava o carrinho para ir trabalhar:
- Eu já pegava onda na época, então tinha alguma intimidade com o skate. Trabalhava como office-boy em um banco da capital e usava o long como meio de transporte. Além de ser uma opção barata, podia ir a vários lugares.
No mesmo ano, Douglas desceu a primeira ladeira com o longboard. A partir deste momento, teve a certeza que faria daquilo o seu futuro:
- Foi amor à primeira vista, uma sensação de liberdade e de prazer única. Vi que poderia viver fazendo o que eu gosto.
Dalua tornou-se o primeiro brasileiro a se profissionalizar na modalidade, em 1999. Com o passar dos anos, os bons resultados lhe renderam títulos e reconhecimento internacional. Em 2006, conquistou o campeonato brasileiro e também o sul-americano. Tudo isso em um esporte, até então, pouco popular no Brasil.
No ano seguinte foi a vez de colocar o seu nome no livro dos recordes, ao atingir 113km/h na ladeira de Teutônia, no Rio Grande do Sul. O feito foi oficializado três anos mais tarde, pelo Guinness Book.
Após passar por uma fase difícil enfrentado problemas de lesão, o atleta buscou a sua maior vitória no ano passado: o título mundial de downhill speed, em Kogelberg, África do Sul. A conquista fez de Dalua o primeiro sul-americano a alcançar o título máximo da modalidade:
- Sempre dei o meu melhor e tentei ser o mais profissional possível. Hoje sou um atleta realizado por ter conquistado tudo no esporte.
Aos 30 anos, casado e pai de Pietra, dois anos, hoje ele vive uma fase mais relax, desencanada dos campeonatos:
- Esse ano ainda pretendo disputar a etapa na África e Dubai. Mas estou focado mesmo em gravar alguns vídeos, trabalhar com mídia para os patrocinadores. Estou ligado 24 horas com skate. Se eu não estou andando, estou treinando, se não estou treinando, estou me programando para alguma viagem ou para a gravação de um vídeo. Além disso, quero usar o skate como ferramenta para divulgar o esporte.
Pentacampeão brasileiro e bi sul-americano, Douglas ganhou as telas dos cinemas neste ano. O documentário “Dalua Dowhill” conta a sua busca pelo título mundial em 2010 e 2011, até então inédito. O filme está entre os dez finalistas brasileiros do Prêmio Netflix. O mais votado entrará no catálogo internacional do canal.
- Se perguntar para alguém quem ganhou tal campeonato, poucos lembrarão. Já um vídeo fica rodando pela internet e atingindo diversas pessoas por muito tempo.
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