Games

Para que servem as associações de games no Brasil?

Entenda sobre as entidades que ajudam empresas no Brasil, tanto dentro quanto fora do país.
Escrito por Pedro Zambarda de Araújo
6 min de leituraPublished on
Acigames

Acigames

© Acigames

A cena brasileira de jogos digitais é composta por muitas empresas pequenas e médias em sua maioria. De acordo com a pesquisa GEDIGames, realizada pelo Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP com financiamento do BNDES, existem 133 companhias fazendo games nacionais no país. No entanto, se você perguntar para qualquer desenvolvedor, eles arriscam dizer que há pelo menos o dobro dessa quantidade de gente fazendo jogos no Brasil.
Muitos dos desenvolvedores fazem sozinhos os games ou contam com apenas um punhado de sócios para lançar seu primeiro joguinho. Com uma grande informalidade do setor, falta uma organização maior de suas empresas.
É neste contexto que surgem as associações especializadas em games no Brasil. Mas, afinal de contas, para que elas realmente servem?

A associação que surgiu do problema dos impostos

Moacyr Alves Jr. é o homem por trás da Acigames, a Associação Comercial, Industrial dos Jogos Eletrônicos do Brasil, que representa os varejistas no país. A instituição tomou forma a partir de 2010 com a manifestação de Moacyr chamada de Jogo Justo, que buscava abater os preços dos jogos no país com até mais de 70% do valor em impostos. Ele contou com o apoio do deputado do PTB Luís Carlos Busato. Mesmo assim, a iniciativa não progrediu da maneira esperada, nem com as tentativas de Moacyr Alves diretamente em Brasília.
A Acigames possui uma filial nos Estados Unidos (numa cidade com o curioso nome de Celebration) e outra na Itália (em Livorno), de acordo com seu criador e seus associados. “Nossa ideia inicialmente era trabalhar apenas com comércio de games, mas recebemos representantes das áreas de cultura e desenvolvimento. Acabamos de abrir uma terceira sede em Córdoba, na Argentina”, disse Moacyr Alves à reportagem. Mesmo com dados impressionantes, ele também afirmou que, além dele, só duas pessoas participam de forma mais atuante da entidade.
“No entanto, só neste fomos chamados para 14 palestras ao todo, sendo sete delas internacionais. Viajei para a Malásia e vamos montar um concurso de startups entre empresas brasileiras e argentinas”, completa o fundador.
Abragames

Abragames

© Abragames

A associação com pretensões nacionais – e internacionais

A Abragames, a Associação de Brasileira de Jogos Digitais, foi pioneira e surgiu dos esforços de executivos e empreendedores de São Paulo e Belo Horizonte em 2004, há 10 anos. Desde o começo, a instituição buscou atingir o Brasil todo, e até levar os desenvolvedores nacionais para fora dos limites do país.
“Muita gente trabalha pela Abragames diariamente, como o Carlos Estigarribia da Right Zero, que atua tanto em São Paulo quanto no Rio. Também temos o Sandro Manfredini da Aquiris no Rio Grande do Sul, além do Saulo Camarotti do Behold Studios em Brasília. Muitos deles estão nesta iniciativa sem ganhar um centavo e só ajudando a associação”, nos explicou Eliana Russi, executiva responsável pelos negócios internacionais da instituição.
Mas nem tudo é de graça e nem fruto da boa vontade dos desenvolvedores de games na Abragames. Os associados contribuem financeiramente pras atividades da instituição, que também ajuda startups e empresas afiliadas que não produzem jogos, mas contribuem com a cena brasileira de jogos digitais de alguma forma.
As pretensões nacionais da instituição se refletem em seus integrantes. “As associações servem para representar um determinado grupo de pessoas ou empresas, levando pleitos e necessidades a interlocutores do governo, corporativos e até eventualmente ao público final”, completou Eliana, representando os interesses mais diretos da Abragames em nosso mercado.
A associação não tem sede fora do Brasil, mas contribui pra projeção internacional dos jogos através do projeto Brazilian Game Developers. A iniciativa da Abragames abre acesso ao Centro de Negócios da Apex-Brasil. Esse tipo de parceria permite a promoção e a exportação da produção nacional, como foi o caso da visita de brasileiros ao Game Connection Europe, que ocorreu em Paris entre os dias 29 e 31 de outubro deste ano.
IGDA

IGDA

© IGDA

A associação internacional que veio ao Brasil

A International Game Developers Association (IGDA) surgiu em 1994, há 20 anos, como Computer Game Developers Association (CGDA), sem fins lucrativos. A instituição não ficou restrita aos Estados Unidos e começou a crescer no mundo todo, criando uma das uniões mais conhecidas de desenvolvedores em torno da criação de um jogo em um prazo curto de tempo: a Global Game Jam.
Com essa expansão para até 12 mil integrantes, a IGDA São Paulo foi criada em 2007 por Thiago Guarino e Rogério Gasi com apoio do Itaú Cultural. No entanto, desentendimentos deixaram a instituição dormente até 2012, quando voltou a ativa.
A IGDA reúne associados de outras instituições de games, como Luiz Ojima Sakuda na posição de vice-presidente, que colabora na Abragames, e Reinaldo Ramos como presidente, da QUByte Interactive.
ADJogosRS

ADJogosRS

© ADJogosRS

A associação que aposta no regional

Diferente das demais, a ADJogosRS, a Associação dos Desenvolvedores de Jogos Digitais do Rio Grande do Sul, aposta na expansão regional e está em atividade há apenas um ano, desde 2013. Com Ivan Sendin no posto de diretor-executivo e associados importantes, como a desenvolvedora Swordtales, dos pais de Toren, a entidade acredita no acompanhamento da cena local com o objetivo do crescimento nacional.
“Precisamos de associações que literalmente atuem como ‘grandes pais’ dos desenvolvedores, especialmente daqueles que não possuem uma estrutura sólida. Neste ano, cuidamos para que as empresas contassem com a melhor SBGames para apresentar seus trabalhos”, nos explicou Ivan. A ADJogosRS esteve diretamente ligada com a organização das premiações de games no XIII Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital, um evento tradicionalmente acadêmicos.
Graças à organização de Ivan Sendin, a SBGames se transformou em uma grande celebração da cena brasileira de jogos, com empresas como a gaúcha Aquiris Game Studio abrindo as portas de sua sede para receber executivos de outras companhias e startups. O evento acabou promovendo um debate maduro de como expandir na atual situação de crescimento da indústria brasileira de videogames.

E o que isso tudo significa?

Associações são entidades voltadas pra orientação, o financiamento e o empreendedorismo dentro e fora das empresas de jogos brasileiras. Geralmente essas instituições são formadas graças ao esforço conjunto das corporações ou de áreas segmentadas dentro do setor de videogames nacional. Por si só, elas são mais um reflexo claro do crescimento do mercado de desenvolvimento no Brasil nos últimos anos, e como esse cenário se desdobra na prática.
O grande objetivo desses órgãos é facilitar o trabalho entre as empresas, com ofertas de trabalho, emprego, comunicação e discussão dentro do campo profissional que as liga. Projetos em conjunto podem nascer graças ao esforço das associações setoriais de games. A maioria delas busca oportunidades fora do país, como é o caso da Abragames e da IGDA, mas apostas regionais como a da ADJogosRS pode agradar os pequenos desenvolvedores que ainda são maioria no Brasil.
Com maior envolvimento do público brasileiro e uma busca por investimentos cada vez mais substanciais neste mercado, não há dúvidas que as associações terão papeis fundamentais não só na construção, mas no direcionamento do futuro do jogos no Brasil.