Patrick Tambay remembering Senna and Villeneuve
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Fórmula 1

Patrick Tambay: lembrando de Senna e Villeneuve

Um dos pilotos mais simpáticos do grid recorda casos ao lado do cartunista Cirebox.
Escrito por Bruno Vicaria e Guillaume Navarro
4 min de leituraPublicado em
Patrick Tambay Ferrari 1982

Patrick Tambay

© DPPI

Patrick Tambay já tinha mais de 70 GPs e duas vitórias em seu nome quando o jovem Ayrton Senna da Silva chegou na F1.
O brasileiro foi largamente considerado no paddock da F1 como o novo Messias, não só por Tambay. O francês não era nenhum inocente - pilotou por McLaren, Ferrari e Renault -, trocando tinta com seu grande amigo Gilles Villeneuve. Mas, com uma humildade rara para pilotos de F1, Tambay reconheceu imediatamente que o brasileiro era de outra linhagem.
Ayrton Senna cartoon from cartoonist Cirebox.

Ayrton Senna

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A determinação de Senna em ser o melhor

"Ainda admiro Senna. Não só como piloto, mas como pessoa. Primeiro de tudo, pelas suas conquistas. Só que elas eram apenas parte do pacote. Ele ainda é lembrado pois as pessoas viram que ele era extraordinário. Claro que o fato de ter morrido em circunstâncias tão dramáticas só potencializou isso mais."
Ele ainda é lembrado pois as pessoas viram que ele era extraordinário.
"Vi logo de cara que ele era melhor que eu - mas não vi problemas. Foi o mesmo com Gilles [Villeneuve]. Sei que posso ter consciência da força das outras pessoas e não me abalar, mas estava claro. Sem contar que Ayrton queria ser o melhor de todos. Isso o definiu."
"Ele era muito sério quando o assunto era corrida. Ele foi muito disciplinado e esperava o mesmo dos outros. Mesmo quando ele estava descansando, seus instintos competitivos assumiam o lugar dele."
Patrick Tambay and Ayrton Senna cartoon

Tambay esquiando com Senna

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Corrida de Campeões - nos esquis

"Antes do GP da Áustria no velho A1 Ring, estávamos hospedados na cidade de Klagenfurt e no hotel tinha um lago. Com pouco tempo livre, os pilotos se juntaram para relaxar e Ayrton era largamente considerado um dos melhores no esqui aquático da F1 [ele passava dias fazendo isso em Angra], mas eu fui o campeão do Mediterrâneo, então ele tomou um belo pau.
Ele encontrou o mago dos esquis aquáticos!
"Quando foi a vez dele, ele se performou muito bem no slalom. Então, na minha vez, foi a hora de causar. Ele me jogou a corda enquanto eu ainda estava no pontão e eu acenei para o motorista, que partiu no barco. Eu pulei do pontão na água, fiz duas ou três curvas agressivas do meu catálogo e olhei para Ayrton. Deu para ver ele dizer: 'merda'. Ele encontrou o mago dos esquis aquáticos! Mas, na pista, ele era o chefe."

Relembrando o medo

"Em uma carreira que durou entre 1977 a 1986, Patrick Tambay viu seis pilotos perderem a vida. Na década anterior, aconteceu o dobro de fatalidades. Porém, duas décadas após a morte de Senna, nenhum outro piloto perdeu a vida."
"Apesar de sua morte, ele continua a inspirar pilotos como Lewis Hamilton, fã confesso de Senna, que admitiu que o risco de morrer vem junto com o piloto."
Todos queremos superar nossos meses.
"Era muito honesto, sincero e justo. E realista. Todos temos ciência disso e temos de superar esse medo. Alguns são melhores que outros nisso, apesar de que nos dias atuais há menos medo - só que o perigo permanece. Na minha época, a gente tinha que esconder isso da cabeça, mas sempre estava sempre lá. Tive minha cota de sustos."
Patrick acompanhou a exibição épica de Senna no GP de Mônaco de 1984 do conforto de uma cama de hospital após fraturar a perna em um acidente na largada. "Sempre existem elementos que fogem do seu controle, claro, mas talvez o fato de estar aqui hoje é o testemunho de que não fui louco o suficiente!"
Quando Jacques Villeneuve perdeu seu pai em 1982, ele não se rendeu aos medos do esporte. Com garra, foi campeão da F1 e da Indy 500. "São necessárias bolas para correr em um oval a 400 km/h."
Patrick Tambay remembering Senna and Villeneuve

Tambay lembra Senna e Villeneuve

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Anjos caídos

Como seria o mundo se essas duas lendas estivessem no meio de nós? "Muita diversão, com certeza!", ri Tambay. "Talvez nem tanto com Ayrton, pois ele sempre foi sério. Acho que ele se meteria na política brasileira ou seguiria com a Instituição, mas em um nível governamental - que faria uma enorme diferença para os jovens.Gilles poderia estar comandando uma equipe própria. Talvez este seja minha única frustração: não ter envelhecido ao lado deles."
Mas sempre há uma inspiração. Depois de Jacques Villeneuve e Bruno Senna, Patrick tem seu filho Adrien no DTM. "Ver meu filho vencer sua primeira corrida será o dia mais feliz de minha vida", diz um orgulhoso Patrick.
Para Patrick Tambay, o caminho que ele teve de navegar foi aquele que deposita seu apoio em um novo piloto da Audi ao invés de ver seu filho ser mais um "filho de piloto na F1. Sem esse fardo, a vida fica muito mais fácil.