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Pluvi.On: hackeando a chuva em outros cantos do mundo

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Desenvolvido na residência hacker do Red Bull Basement, o Pluvi.On foi convidado para iniciativa global da ONU que pretende gerar projetos mais inteligentes e sustentáveis
Escrito por Bruno FonsecaPublicado em
Tecnologia · 4 min
Red Bull Basement 2018
Há dois anos, os engenheiros Diogo Tolezano e Pedro Godoy criaram o Pluvi.On e deram início ao desenvolvimento e aprimoramento das estações meteorológicas que geram alertas antecipados em tempo real para a população em eventos climáticos extremos, como enchentes e deslizamentos.
Ano após ano, parece até filme da Sessão da Tarde, é chegar o período de chuvas, a população passa a ficar preocupada com as enchentes e os possíveis deslizamentos em áreas de risco.
O Pluvi.On foi desenvolvido na segunda edição da residência hacker do Red Bull Basement, em 2016. Dois anos depois, o projeto está em sua sétima versão, possui mais de 120 estações meteorológicas espalhadas pelo Brasil e, recentemente, foi um dos convidados a participar de uma iniciativa global da ONU.
Em Viena Áustria, Diogo Tolezano e Pedro Godoy foram convidados para apresentar o Pluvi.On ao mundo. Este convite se deu por causa do United Smart Cities - que conta com uma plataforma pioneira para trabalharem juntos em uma meta: gerar e realizar projetos urbanos mais inteligentes e sustentáveis.
Diogo Tolezano e Pedro Godoy
Diogo Tolezano e Pedro Godoy
Trocamos uma ideia com Diogo Tolezano sobre essa importante conquista e também sobre a evolução do Pluvi.On desde a residência hacker do Red Bull Basement até o momento atual. Se liga no papo:
RB: Como vocês lidaram com a noticia de que o Pluvi.On seria um dos projetos selecionados para fazer parte de um programa da Onu?
Foi uma grande surpresa para nós. Ficamos extremamente felizes que, em menos de 2 anos de Pluvi, já conseguimos atingir esse tipo de reconhecimento. Estar lá foi excelente para confirmarmos que o problema que o Pluvi.On ataca não é apenas local. O mundo todo é afetado por eventos climáticos extremos e recebemos vários feedbacks positivos de líderes de governo e investidores da Inglaterra, Itália, Portugal, Austrália, Alemanha, África do Sul, entre outros.
RB: O que vocês esperam do United Smart Cities? E como ele poderá ajudar no objetivo de alertar em tempo real sobre os riscos de enchentes e inundações hiperlocalmente?
O USC é um programa da ONU, capitaneado pela OiER ( Organization for International Economic Relations) que buscará padronizar alguns indicadores de cidades inteligentes para o mundo. A partir daí, cada cidade poderá ser avaliada e ter seus principais desafios identificados. Com os desafios em mãos, a cidade terá acesso à plataforma onde estarão soluções como o Pluvi.On. Acredito que, quando estivermos na plataforma, ajudará muito a ampliar a nossa atuação em cidades brasileiras e até em outros países, no futuro. Poderá ser uma excelente alavanca para conseguirmos instalar mais estações por aí e, com isso, ampliar nosso impacto pelo mundo.
RB: Desde a residência hacker no Red Bull Basament de 2016, até os dias atuais, quais foram as principais melhorias que o Pluvi.On recebeu?
Nós evoluímos principalmente na estruturação como negócio, pensando na sustentabilidade financeira e perpetuidade do impacto que podemos gerar. Estamos na 7ª versão de estação meteorológica, com mais sensores e mais conectada nos novos protocolos de internet das coisas. Fora isso, recebemos nosso primeiro investimento e começamos a atender clientes além das cidades, dos setores de Energia, Agricultura, Transportes e Engenharia. O grande objetivo e desafio é instalar o máximo de estações pelo país o mais rápido possível para começarmos a coletar os dados e refinar os alertas.
RB: Nesses dois anos, existe uma estimativa de quanto o Pluvi.On ajudou a população a se preparar para minimizar os riscos com as inundações urbanas?
Nosso trabalho passa por 3 etapas: 1) coleta de dados; 2) geração dos modelos preditivos; 3) envio dos alertas. Nós ainda estamos atuando na 1ª etapa e por isso dedicamos o maior esforço para o desenvolvimento da estação. Só conseguiremos ter alertas eficazes com uma quantidade massiva de dados pela cidade. Do contrário, a probabilidade de gerarmos caos com alertas indevidos aumenta consideravelmente. Ainda dedicaremos os próximos anos nessa coleta de dados e elaboração dos modelos até que tenhamos segurança de emitir os alertas corretamente para população. Mas isso não significa que o São Pedro vai ficar quietinho até lá...em breve teremos novidades.
RB: Estamos prestes a iniciar a quarta edição da residência hacker Red Bull Basement, na opinião de vocês, o que a residência hacker pode oferecer em termos de conhecimento e de aprimoramento de um projeto para quem se inscreveu e foi selecionado?
O Basement foi a origem de tudo para nós. Durante o programa tivemos mentorias de eletrônica, design, hardware e software que nos ajudaram a focar nossa ideia em um tema específico e, principalmente, a errar e melhorar rápido. Durante 2 meses passamos por várias versões de estação, até chegarmos na nossa versão Open Source, que até disponibilizamos no Instructables para que qualquer pessoa pudesse replicá-la. Definitivamente, proporcionaram que nós pudéssemos sair de apenas uma ideia, para um prótotipo bastante fiel que passou a ser reconhecido pelo mercado.

INSCREVA-SE!

As inscrições para a residência hacker do Red Bull Basement vão até 3 de junho. Portando, ainda dá tempo. Não fique de fora dessa! Inscreva seu projeto agora mesmo em: http://www.redbull.com.br/residenciahacker
O programa busca desenvolver projetos que façam uso da tecnologia para transformar a sociedade. A novidade para esta edição será o chamado aberto: após a seleção dos projetos, será aberta uma seleção para que outros colaboradores se inscrevam e colaborem para o desenvolvimento dos protótipos selecionados.
A residência acontecerá julho a setembro de 2018 dentro do Red Bull Station. Os residentes terão à disposição um makerspace com equipamentos para prototipagem dos projetos, que deverão ser apresentados ao final da residência, além de uma agenda paralela com palestras e workshops sobre diversos temas e um Festival de Tecnologia, que acontecerá em setembro. Quando prontos, os projetos desenvolvidos farão parte de uma plataforma compartilhada.