O alemão Bernd Mayländer é o piloto do safety car na Fórmula 1 desde 2000
© Mercedes-Benz
Fórmula 1

Quem é e o que faz o piloto do safety car na F-1?

O nome dele é Bernd Mayländer: mais um alemão na categoria
Escrito por Tiago Mendonça & Andrea Amadeo
5 min de leituraPublished on
O carro de segurança da temporada 2017 é uma Mercedes AMG GT-S

O safety car 2017: Mercedes AMG GT-S

© Bernd Mayländer

O safety car (ou carro de segurança) é acionado para entrar na pista durante uma corrida quando o diretor de prova quer reduzir a velocidade por medidas de segurança (na maioria das vezes, depois de um acidente ou porque a pista está muito molhada após uma chuva forte).
De acordo com o regulamento da Fórmula 1, o safety car entra no circuito “sempre que houver um perigo imediato, mas quando as condições não exijam a interrupção da prova”.
Desde 2000, quem está no comando do safety car é o alemão Bernd Mayländer, ex-piloto de carros de turismo bastante conceituado. Sua experiência em manter o ritmo durante o período de segurança é tão boa que os pneus e freios dos carros de F-1 não chegam a esfriar muito.
O alemão Bernd Mayländer é o piloto do safety car na Fórmula 1 desde 2000

Bernd Mayländer acelera o safety car desde 2000

© Mercedes-Benz

Mayländer começou sua carreira no kart no final dos anos 1980. Depois, migrou para a Fórmula Ford, Porsche Cup, FIA GT e por fim DTM. Ele diz que, ao contrário do que todos pensam, nunca sonhou em ser um piloto de Fórmula 1. O alemão conta que quando viu um carro de DTM, no ano de 1989, em Nürbürgring, soube na hora que era aquilo que queria fazer: corridas longas com carros de turismo ou esportivos. E conseguiu.
Hoje, com 45 anos e a bordo de um Mercedes AMG GTS, o alemão explica explica como funciona a "operação safety car" e qual o seu papel como piloto.
Mayländer e Whiting tomam decisões juntos

Mayländer e Whiting tomam decisões juntos

© Wikimedia Commons

Charlie Whiting (centro) e o controle de prova

Charlie Whiting (centro) e o controle de prova

© Autoweek

Antes da corrida, mais precisamente à 13h10, Charlie Whiting, o diretor de prova e chefe de Bernd, leva o safety car até o grid de largada e passa o volante para o piloto alemão. Mayländer verifica a câmera e o rádio mais uma vez para ter certeza que está atualizado em relação às condições climáticas – uma das coisas mais importantes na preparação do piloto para a corrida.
Às 13h55, faltando cinco minutos para a largada, o safety car deixa o grid e estaciona em sua primeira posição, até que os carros completem a primeira curva. Depois de um aviso do controle de prova, Bernd se dirige ao “estacionamento oficial” no pit lane e permanece ali até o final da corrida, acompanhando a prova através de um monitor instalado dentro do carro e ouvindo o rádio que está conectado a Charlie Whiting o tempo todo.
Se ele achar que um carro está parado em um local inadequado ou que uma zebra não está boa, o alemão reporta a Whiting e eles discutem sobre o que fazer.
Safety car alinhado para a largada em uma corrida de Fórmula 1

Safety car alinhado para a largada

© Abril

Agora, se alguma ocorrência surge (acidente, muita água na pista), Mayländer volta a conversar com o Whiting.
Se o diretor de prova decidir que o safety car deve entrar, as bandeiras amarelas começam a se agitar, o alemão entra em ação e só deixa a pista quando a situação estiver sob controle e Whiting julgar que a corrida pode continuar.
Sua permanência na pista é sempre uma incógnita.
Já vimos casos de corridas com chuva forte em que o safety car ficou rodando por muitas voltas. Quando a corrida é interrompida, às vezes ele tem de fazer isso sozinho, andando por horas e horas para inspecionar as condições do asfalto.
Com certeza, pelo menos um GP da Malásia (ou do Brasil) entra como exemplo disso.
Em ação na chuva!

Em ação na chuva!

© Motor Sport Magazine

Quando os carros de corrida completam voltas atrás do safety car, elas contam como voltas normais da prova (apesar da óbvia proibição das ultrapassagens). Se o número de voltas especificado for concluído, a corrida pode terminar sob safety car.
Os pilotos são avisados sobre a entrada do carro de segurança por meio dos comissários, painéis eletrônicos (que mostram a bandeira amarela e a sigla “SC”), pelo rádio da equipe e também por uma luz dentro do cockpit que fica piscando até que a missão do safety car esteja concluída.
Durante este percurso, quem faz todo o trabalho de comunicação com a direção de prova é o co-piloto, que desempenha um papel semelhante ao do navegador no rali.
E falando em safety car na chuva, quem lembra da peripécia de Lewis Hamilton no GP da Inglaterra de 2016?
Chovia pra caramba e a largada foi feita com o carro de segurança à frente do pelotão. Hamilton, que largou na pole, ameaçou ultrapassá-lo alegando que o safety car estava muito lento, prejudicando o aquecimento dos pneus.
Quase encheu a traseira do safety car!
Stoddard-Dayton, o safety car de 1911, nas 500 milhas de Indianápolis

Este foi o primeiro safety car: Stoddard-Dayton

© Indy 500

O safety car surgiu no automobilismo em 1911, na primeira corrida das 500 milhas de Indianápolis. O carro era um Stoddard-Dayton de apenas 40 cavalos de potência (para a época estava excelente), e quem pilotava era Carl Fischer, também proprietário do circuito.
Na Fórmula 1, sua estreia foi em 1973 no GP do Canadá. Porém, apenas em 1992 a FIA estabeleceu as regras oficiais para o carro de segurança. E nem sempre eles foram joias da indústria automobilística.
Na vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil de 1993, o safety car era um Fiat Tempra 2.0.