O safety car (ou carro de segurança) é acionado para entrar na pista durante uma corrida quando o diretor de prova quer reduzir a velocidade por medidas de segurança (na maioria das vezes, depois de um acidente ou porque a pista está muito molhada após uma chuva forte).
De acordo com o regulamento da Fórmula 1, o safety car entra no circuito “sempre que houver um perigo imediato, mas quando as condições não exijam a interrupção da prova”.
Desde 2000, quem está no comando do safety car é o alemão Bernd Mayländer, ex-piloto de carros de turismo bastante conceituado. Sua experiência em manter o ritmo durante o período de segurança é tão boa que os pneus e freios dos carros de F-1 não chegam a esfriar muito.
Mayländer começou sua carreira no kart no final dos anos 1980. Depois, migrou para a Fórmula Ford, Porsche Cup, FIA GT e por fim DTM. Ele diz que, ao contrário do que todos pensam, nunca sonhou em ser um piloto de Fórmula 1. O alemão conta que quando viu um carro de DTM, no ano de 1989, em Nürbürgring, soube na hora que era aquilo que queria fazer: corridas longas com carros de turismo ou esportivos. E conseguiu.
Hoje, com 45 anos e a bordo de um Mercedes AMG GTS, o alemão explica explica como funciona a "operação safety car" e qual o seu papel como piloto.
Antes da corrida, mais precisamente à 13h10, Charlie Whiting, o diretor de prova e chefe de Bernd, leva o safety car até o grid de largada e passa o volante para o piloto alemão. Mayländer verifica a câmera e o rádio mais uma vez para ter certeza que está atualizado em relação às condições climáticas – uma das coisas mais importantes na preparação do piloto para a corrida.
Às 13h55, faltando cinco minutos para a largada, o safety car deixa o grid e estaciona em sua primeira posição, até que os carros completem a primeira curva. Depois de um aviso do controle de prova, Bernd se dirige ao “estacionamento oficial” no pit lane e permanece ali até o final da corrida, acompanhando a prova através de um monitor instalado dentro do carro e ouvindo o rádio que está conectado a Charlie Whiting o tempo todo.
Se ele achar que um carro está parado em um local inadequado ou que uma zebra não está boa, o alemão reporta a Whiting e eles discutem sobre o que fazer.
Agora, se alguma ocorrência surge (acidente, muita água na pista), Mayländer volta a conversar com o Whiting.
Se o diretor de prova decidir que o safety car deve entrar, as bandeiras amarelas começam a se agitar, o alemão entra em ação e só deixa a pista quando a situação estiver sob controle e Whiting julgar que a corrida pode continuar.
Sua permanência na pista é sempre uma incógnita.
Já vimos casos de corridas com chuva forte em que o safety car ficou rodando por muitas voltas. Quando a corrida é interrompida, às vezes ele tem de fazer isso sozinho, andando por horas e horas para inspecionar as condições do asfalto.
Com certeza, pelo menos um GP da Malásia (ou do Brasil) entra como exemplo disso.
Quando os carros de corrida completam voltas atrás do safety car, elas contam como voltas normais da prova (apesar da óbvia proibição das ultrapassagens). Se o número de voltas especificado for concluído, a corrida pode terminar sob safety car.
Os pilotos são avisados sobre a entrada do carro de segurança por meio dos comissários, painéis eletrônicos (que mostram a bandeira amarela e a sigla “SC”), pelo rádio da equipe e também por uma luz dentro do cockpit que fica piscando até que a missão do safety car esteja concluída.
Durante este percurso, quem faz todo o trabalho de comunicação com a direção de prova é o co-piloto, que desempenha um papel semelhante ao do navegador no rali.
E falando em safety car na chuva, quem lembra da peripécia de Lewis Hamilton no GP da Inglaterra de 2016?
Chovia pra caramba e a largada foi feita com o carro de segurança à frente do pelotão. Hamilton, que largou na pole, ameaçou ultrapassá-lo alegando que o safety car estava muito lento, prejudicando o aquecimento dos pneus.
Quase encheu a traseira do safety car!
O safety car surgiu no automobilismo em 1911, na primeira corrida das 500 milhas de Indianápolis. O carro era um Stoddard-Dayton de apenas 40 cavalos de potência (para a época estava excelente), e quem pilotava era Carl Fischer, também proprietário do circuito.
Na Fórmula 1, sua estreia foi em 1973 no GP do Canadá. Porém, apenas em 1992 a FIA estabeleceu as regras oficiais para o carro de segurança. E nem sempre eles foram joias da indústria automobilística.
Na vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil de 1993, o safety car era um Fiat Tempra 2.0.



